117. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Rute_Coelho. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Rute_Coelho.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Nunca diga nunca que nunca vai ser infiel porque nao sabe o que irá lhe aparecer pela frente. As coisas acontecem e nao é por acaso. Normalmente uma pessoa é infiel porque falta alguma ou algumas coisas na relaçao actual, consequentemente por vezes procura noutras pessoas. Por vezes as coisas que faltam sao tao pequenas que o seu par nem da por isso, mas sao ao mesmo tempo coisas tao importantes para si e para uma relaçao estavel. Algumas das coisas sao por exemplo o carinho, atenção, elogios e mimos que nunca devem ser dados só por interesse porque senao o seu par poderá pensar que está a ser usado e irá se sentir inseguro consigo mesmo, prejudicando a relaçao. Tambem uma coisa muito importante é o partilhar da vida e dos sentimentos, que sao duas coisas tao faceis e tao dificeis ao mesmo tempo, simplesmente nao sao falados devido a falta de tempo, o achar que nao é importante dizer ou por medo de magoar ou ferir os sentimentos da outra pessoa. Quando uma relação esta instavel ou por vezes já na reptura, entao que uma traiçao ocorre mais frequentemente. Para isso basta haver alguem encantado por si que queria lhe levar ao mundo dos sonhos outra vez tirando-lhe assim do pesadelo da sua relação actual, mas nao se deixe enganar porque para se conquistar ou utilizar utiliza-se todas as armas e por depois poderam n querer mais nada consigo. Por isso pense mt bem no que quer antes de tomar alguma decisao porque o tempo nao volta para tras. Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=3842 © Luso-Poemas O texto parte de uma tese clara—“nunca diga nunca que nunca vai ser infiel”—e desenvolve um raciocínio moral e psicológico sobre a infidelidade, ancorado na ideia de carência afectiva e falhas de comunicação dentro da relação. Há uma intuição interessante: a infidelidade não surge no vazio, mas como sintoma de ausências pequenas em aparência, grandes na experiência de quem as sente. Essa tensão entre o “tão pequeno” e o “tão importante” é o melhor núcleo conceptual do texto e merecia ser explorada com mais rigor e menos redundância. Do ponto de vista estrutural, o texto organiza-se em três blocos: primeiro, a advertência contra o “nunca” e a explicação de que as coisas “não acontecem por acaso”; depois, a enumeração das carências (carinho, atenção, elogios, mimos, partilha de vida e sentimentos); por fim, o cenário da relação em ruptura e a tentação de quem aparece como “salvador” para tirar do “pesadelo”. A progressão é lógica, mas a transição entre parágrafos é algo brusca e pouco trabalhada: passa-se da generalidade para o exemplo sem marcas discursivas fortes, e o fecho moral (“pense muito bem no que quer… o tempo não volta para trás”) surge quase como um apêndice, mais próximo de conselho de autoajuda do que de conclusão argumentativa lapidada. Em termos de linguagem, há vários problemas de ortografia e acentuação que fragilizam a credibilidade do texto: “nao” em vez de “não”, “relaçao” por “relação”, “esta instavel” por “está instável”, “reptura” por “ruptura” (ou “ruptura”/“rutura”, conforme o acordo ortográfico que se queira seguir), “entao” por “então”, “poderam” por “poderão”, “mt” por “muito”, “tras” por “trás”. A ausência sistemática de acentos e o uso de abreviaturas (“mt”) aproximam o texto de um registo informal de rede social, o que colide com a ambição reflexiva e quase ensaística do conteúdo. Se a intenção é um texto de opinião mais sério, é indispensável corrigir a ortografia e abandonar abreviações. A sintaxe é, em geral, simples, mas por vezes descamba em frases demasiado longas, com vírgulas mal colocadas ou inexistentes, o que torna a leitura menos fluida. Exemplos: “Normalmente uma pessoa é infiel porque falta alguma ou algumas coisas na relaçao actual, consequentemente por vezes procura noutras pessoas.” Aqui, “consequentemente” fica solto e redundante; a frase ganharia clareza se dividida: “Normalmente, uma pessoa é infiel porque falta alguma coisa na relação actual. Consequentemente, por vezes procura essas coisas noutras pessoas.” Também a frase “Por isso pense mt bem no que quer antes de tomar alguma decisao porque o tempo nao volta para tras” beneficiaria de pontuação mais cuidada: “Por isso, pense muito bem no que quer antes de tomar qualquer decisão, porque o tempo não volta para trás.” No plano conceptual, há um risco de simplificação: a infidelidade é explicada quase exclusivamente pela falta de carinho, atenção e partilha, como se a responsabilidade se diluísse na carência e no contexto. O texto toca brevemente na manipulação (“para se conquistar ou utilizar utiliza-se todas as armas”) mas não aprofunda a dimensão ética nem a responsabilidade individual de quem trai. Isso cria uma certa ambiguidade moral: por um lado, há um tom de aviso (“não se deixe enganar”), por outro, a infidelidade aparece quase como inevitável quando a relação está instável. Uma revisão mais crítica poderia introduzir nuances: reconhecer que carências favorecem a infidelidade, sem a transformar em consequência quase automática. A imagem do “mundo dos sonhos” versus “pesadelo da relação actual” é eficaz, ainda que um pouco cliché. Funciona como metáfora para a idealização do novo e a desvalorização do que já existe, mas poderia ser trabalhada com mais originalidade, evitando fórmulas gastas. O mesmo se aplica à frase final sobre o tempo que não volta: é um fecho funcional, mas previsível. Um final mais forte poderia retomar a ideia central das “pequenas coisas” que sustentam ou destroem uma relação, fechando o círculo com mais coesão temática. Em síntese, o texto tem uma base intuitiva sólida e um eixo temático interessante—carências invisíveis que abrem espaço à infidelidade—mas precisa de: correção ortográfica rigorosa; melhoria da pontuação; eliminação de redundâncias; maior precisão conceptual na abordagem da responsabilidade e da ética; e um trabalho estilístico que substitua clichés por imagens mais pessoais. Com essas revisões, a reflexão deixaria de soar a desabafo informal e aproximar-se-ia de uma crónica ou texto de opinião mais consistente e literariamente cuidado.
Criado em: Hoje 7:36:21
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