122. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - bocaj.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de bocaj.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Dsignadamente és Mulher bonita.
Mulher sem qualquer dúvida!
Menina do meu coração.
Olhos penetrantes...
Olhos nos olhos somos amantes...
Menina de pele celestial
Com um toque devínal!...
Preenches algo...
Algo que não me lembro
De existir dentro de mim!
A tua voz!...
Poucos a conseguem ouvir, sentir
Em seu espirito...
E digo-te menina linda,
Esse dom que Deus te deu
É algo de...
Tocas-te minha alma,
No meu eu.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=4074 © Luso-Poemas

O poema apresenta-se como uma declaração afectiva directa, construída quase inteiramente sobre a idealização da figura feminina. A abertura — “Dsignadamente és Mulher bonita. / Mulher sem qualquer dúvida!” — revela de imediato um tom enfático, mas também expõe fragilidades formais: “Dsignadamente” parece um erro ortográfico (talvez “Designadamente” ou “Dignamente”), e a repetição de “Mulher” em dois versos consecutivos, sem variação rítmica ou imagética, produz redundância em vez de intensificação. A pontuação excessiva — pontos finais, exclamações, reticências — fragmenta o fluxo e impede que o poema encontre um ritmo interno mais orgânico.

A sequência “Menina do meu coração. / Olhos penetrantes... / Olhos nos olhos somos amantes...” tenta criar uma progressão emocional, mas a passagem do elogio à intimidade amorosa é abrupta, quase declarativa, sem construção imagética que sustente essa transição. A repetição de “olhos” funciona como tentativa de ênfase, mas carece de elaboração metafórica; o verso “Olhos nos olhos somos amantes” afirma mais do que sugere, e por isso perde força poética.

A estrofe seguinte — “Menina de pele celestial / Com um toque devínal!...” — procura elevar a figura feminina ao plano do sagrado, mas a palavra “devínal” parece um erro de ortografia (“divinal”), o que quebra a intenção de transcendência. A imagem da “pele celestial” é convencional e não se desdobra em nada que a torne singular. O verso “Preenches algo... / Algo que não me lembro / De existir dentro de mim!” tem potencial, porque introduz uma fissura psicológica interessante — a ideia de que o outro desperta um espaço interior esquecido — mas a formulação é demasiado vaga, apoiada em reticências que substituem o trabalho imagético.

A secção dedicada à voz — “A tua voz!... / Poucos a conseguem ouvir, sentir / Em seu espirito...” — tenta atribuir à amada um dom raro, quase místico. Contudo, a construção sintática é irregular, e a ideia, embora emocionalmente forte, não encontra uma metáfora concreta que lhe dê corpo. O poema afirma que a voz toca o espírito, mas não mostra como; falta-lhe densidade sensorial.

O fecho — “Esse dom que Deus te deu / É algo de... / Tocas-te minha alma, / No meu eu.” — procura culminar num gesto de revelação íntima, mas tropeça novamente na forma. “Tocas-te” parece erro de conjugação (“Tocaste” ou “Tocaste-me”), e a expressão “No meu eu” é demasiado abstrata para produzir impacto. A intenção é clara: a amada é apresentada como força transformadora, espiritual, quase salvadora. Contudo, a execução permanece presa a declarações diretas, sem o trabalho de imagem, ritmo ou metáfora que permitiria ao poema transcender o registo confessional.

Em síntese, o texto tem emoção genuína, mas falta-lhe rigor formal e densidade poética. A repetição de palavras, a pontuação dispersa, os erros ortográficos e a ausência de imagens concretas enfraquecem o efeito emocional que pretende alcançar. Há, porém, um núcleo interessante — a ideia de que a voz e a presença da amada despertam algo esquecido no sujeito — que poderia ser desenvolvido com maior subtileza e elaboração simbólica.

Criado em: Hoje 15:22:15
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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