123. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - luzgomes. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de luzgomes.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Na avenida: Os passos Perdidos de tudo Da ilusão de um sonho Que pensavas há muito perdido Quimeras e questões Abandonadas ao seu destino Olhares súbitos de pessoas cegas Com sede de ouvir blasfémias Ritmadas e constantes Passos que se perdem nas calçadas Sonâmbulos sem rumo Autómatos de um espaço De um tempo que não existe... Na avenida: O tempo Algo que não se vê Troca-se com o olhar e... Acaba, Para os perdidos: Um labirinto de incógnitas Que nos fazem conhecer uns aos outros, O ruído apodera-se de nós num momento, Não acreditas em ti próprio, Colocaste em choque Não crês! O teu Deus já morreu há muito Talvez o de todos nós Que nos desacreditamos de tudo Talvez... Na avenida... Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=4085 © Luso-Poemas O poema instala-se desde o primeiro verso num espaço urbano que funciona como metáfora existencial: “Na avenida:” não é apenas um cenário, mas um estado de espírito. A repetição desse marcador cria um efeito de retorno, como se o sujeito estivesse preso a um mesmo ponto de partida, incapaz de sair do circuito mental que descreve. Os “passos / Perdidos de tudo” estabelecem de imediato a tónica: deslocação sem destino, movimento sem finalidade, uma errância que não conduz a lugar algum. A imagem “Da ilusão de um sonho / Que pensavas há muito perdido” introduz uma camada de memória falhada, como se o passado fosse uma sombra que insiste em acompanhar o sujeito, mesmo quando já não tem substância. A palavra “quimeras” reforça essa dimensão de irrealidade, mas a enumeração que se segue — “quimeras e questões / Abandonadas ao seu destino” — carece de concretização; afirma-se a existência de enigmas, mas não se lhes dá corpo. A secção dos “olhares súbitos de pessoas cegas / Com sede de ouvir blasfémias” é das mais fortes do poema. A contradição entre cegueira e sede de ouvir cria uma tensão sensorial interessante: são figuras que não veem, mas desejam o escândalo, o ruído, a ruptura. Há aqui um comentário social implícito — a multidão que se alimenta do caos — e o verso “Ritmadas e constantes” devolve ao poema um pulso quase mecânico, que prepara a entrada dos “sonâmbulos sem rumo” e dos “autómatos de um espaço / De um tempo que não existe”. Esta sequência é eficaz porque transforma a avenida num espaço distorcido, quase distópico, onde a humanidade se dissolve em movimentos repetitivos e desprovidos de consciência. O poema ganha densidade quando abandona o elogio ou a confissão e se aproxima deste registo mais crítico e imagético. A segunda aparição de “Na avenida:” marca uma viragem temática: já não são os passos, mas o tempo. “Algo que não se vê / Troca-se com o olhar e... / Acaba,” — a interrupção abrupta, marcada pela vírgula isolada, funciona bem, porque traduz a própria volatilidade do tempo. Contudo, a frase “Para os perdidos: / Um labirinto de incógnitas / Que nos fazem conhecer uns aos outros,” é ambígua: a ideia é interessante — o desconhecido como forma de reconhecimento — mas a construção sintática dilui o impacto. O verso seguinte, “O ruído apodera-se de nós num momento,” retoma a força imagética anterior, mas logo se perde numa deriva mais discursiva: “Não acreditas em ti próprio, / Colocaste em choque / Não crês!” — aqui o poema abandona a observação para entrar num tom admonitório, quase moralizante, que não se articula tão bem com a atmosfera construída até então. A secção final — “O teu Deus já morreu há muito / Talvez o de todos nós / Que nos desacreditamos de tudo / Talvez... Na avenida...” — é a mais ambiciosa e também a mais problemática. A referência à morte de Deus, ecoando Nietzsche, surge de forma abrupta, sem preparação simbólica suficiente. A ideia de que a avenida é o espaço onde essa morte se manifesta poderia ser poderosa, mas falta-lhe elaboração imagética: a avenida não se transforma em palco metafísico, permanece apenas cenário. A repetição de “talvez” tenta introduzir dúvida, mas acaba por enfraquecer a afirmação anterior, que era forte e definitiva. Em termos formais, o poema alterna momentos de grande intensidade — sobretudo nas imagens urbanas e na desumanização das figuras — com trechos excessivamente declarativos, onde a emoção é dita em vez de construída. A pontuação irregular, as reticências frequentes e a oscilação entre observação e discurso direto criam alguma instabilidade rítmica. No entanto, há um núcleo muito interessante: a avenida como espaço de perda, ruído, descrença e dissolução identitária. Quando o poema se mantém nesse registo, atinge uma força imagética real; quando se afasta para a explicação, perde densidade.
Criado em: Hoje 15:28:07
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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