137. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Carla Veiga Ribeiro. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Carla Veiga Ribeiro.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Depois de sentir a esmagadora felicidade Depois de beber do teu ser e saciar minha sede de amor Depois de cheirar o perfume contido Depois de conhecer o que sou, o que és Depois da liberdade, da emoção de ser Depois de me ver, de te ver e conter e conter... O que fazer com este pulsar que é só nosso O que fazer deste leito frio e vazio O que fazer da saudade que sinto agora O que fazer do vazio que me preenche? Agora que me libertei e estou nua Agora que me viste solta e presa em ti O amanha virá e estarei só. Contigo no meu pensamento E esse amor que hoje me deixas Viverá á espera do dia À espera da noite À espera de nós Sei o que fazer sem ti… Hoje eu faço mais sentido… Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=4566 © Luso-Poemas A composição organiza‑se em dois blocos rítmicos distintos: o primeiro, marcado pela anáfora “Depois de…”, funciona como um inventário emocional que tenta fixar a experiência amorosa num antes e depois, mas o acúmulo de versos com a mesma estrutura acaba por criar uma cadência quase ofegante, que reforça a sensação de excesso e saturação. Há aqui uma tensão interessante entre a enumeração sensorial — “beber do teu ser”, “cheirar o perfume contido” — e a abstração — “conhecer o que sou, o que és” —, mas a oscilação entre concreto e etéreo nem sempre se resolve, deixando alguns versos suspensos num simbolismo pouco trabalhado. A repetição final de “conter e conter” é eficaz, porque quebra a linearidade e introduz uma espécie de refluxo emocional, como se o sujeito lírico tentasse segurar algo que inevitavelmente transborda. O segundo bloco, iniciado pela pergunta “O que fazer…”, desloca o poema para um registo de vazio e perda. A tripla repetição da fórmula interrogativa cria um eco interno que funciona bem, mas o verso “O que fazer do vazio que me preenche?” apresenta uma contradição deliberada — o vazio que preenche — que poderia ser mais explorada; tal como está, surge como imagem forte mas isolada, sem desenvolvimento metafórico posterior. A passagem para o “Agora” marca uma viragem temporal clara, embora a frase “solta e presa em ti” recorra a um paradoxo já muito usado na poesia amorosa, perdendo alguma força pela familiaridade. A estrofe final é a mais coesa: a projeção para o futuro (“O amanhã virá e estarei só”) articula-se com a permanência mental do outro, e o triplo “À espera” cria um bom efeito de suspensão. O fecho — “Sei o que fazer sem ti… / Hoje eu faço mais sentido…” — tenta resolver a tensão do poema, mas a afirmação final surge abrupta, quase como uma conclusão racional que não decorre plenamente do percurso emocional anterior. Falta-lhe preparação interna para que o desfecho soe conquistado e não apenas declarado. Em termos formais, o poema mantém coerência temática e um tom confessional contínuo, mas poderia beneficiar de maior contenção imagética e de um trabalho mais rigoroso na progressão emocional, evitando que certas expressões caiam em lugares-comuns do lirismo amoroso. Ainda assim, há momentos de boa intensidade rítmica e um uso eficaz da repetição como mecanismo de respiração interna do texto.
Criado em: Hoje 6:52:39
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