147. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - SusanaBernardo. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de SusanaBernardo.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Absorto nos pensamentos, Ecoava a palavra amar, Bradando seus sentimentos Para neles caminhar… Era espinho o amor, Que do ódio bebia Paixão no seu esplendor Que de amor desconhecia… Retirando o sofrimento Que nele já não vivia Todo o encantamento Que na paixão cabia… Que do vazio, nada será Quando nada existia Quando jamais amará Quando do amor se esquecia Belos pensamentos ecoavam Na extensão do amor Os espíritos lhe bradavam Suas palavras com fervor… Mas da vontade vivia Seu espírito teimoso Sem saber não sabia Que o tornava um temeroso Aniquilando o seu ser Na falta do sentir Descuidando em aprender Na ignorância se provir Do nada se embevecem Os espíritos perdidos Quando do Amor se esquecem Quando de si próprios, estão esquecidos! Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=4875 © Luso-Poemas O poema instala-se num campo semântico de espiritualidade difusa, onde “espíritos”, “vazio”, “amor”, “ódio” e “paixão” se entrelaçam, mas sem uma arquitetura conceptual que os sustente. A abertura — “Absorto nos pensamentos, / Ecoava a palavra amar” — tem força sonora, mas logo se percebe que a imagem não se desenvolve: o verbo “ecoar” sugere ressonância interior, mas o poema não explora essa reverberação; limita-se a afirmá-la. A sequência “Era espinho o amor, / Que do ódio bebia” tenta criar uma dialética entre amor e ódio, mas a formulação é demasiado literal e não oferece uma metáfora nova; o espinho como dor amorosa é um lugar-comum que aqui não ganha renovação simbólica. Há um problema recorrente de redundância: “Paixão no seu esplendor / Que de amor desconhecia…” repete a oposição entre paixão e amor sem acrescentar nuance; a paixão é esplendorosa, mas desconhece o amor — porém o poema não explica porquê, nem dramatiza essa distância. O texto avança por blocos de quatro versos que funcionam quase como variações do mesmo lamento, mas sem progressão dramática. A repetição de estruturas (“Que nele já não vivia”, “Que na paixão cabia”, “Que do vazio, nada será”, “Quando nada existia”) cria um ritmo, sim, mas também uma sensação de circularidade improdutiva: o poema gira sobre si próprio, sem aprofundar o que afirma. A secção intermédia introduz uma espécie de voz espiritual — “Os espíritos lhe bradavam / Suas palavras com fervor…” — mas essa presença não é construída nem contextualizada; surge como recurso retórico, não como entidade poética. A frase “Mas da vontade vivia / Seu espírito teimoso / Sem saber não sabia / Que o tornava um temeroso” contém um jogo de paradoxos (“sem saber não sabia”), mas a formulação é frágil, quase tautológica, e o adjetivo “temeroso” aparece como rima forçada, não como consequência psicológica. Há também deslizes sintáticos e escolhas lexicais pouco cuidadas: “Na ignorância se provir” é uma construção incorreta, que quebra o fluxo e denuncia falta de revisão. O fecho — “Do nada se embevecem / Os espíritos perdidos / Quando do Amor se esquecem / Quando de si próprios, estão esquecidos!” — tenta recuperar solenidade, mas recai novamente no moralismo abstrato, sem imagem concreta que sustente a afirmação. O uso insistente de maiúscula em “Amor” sugere tentativa de elevar o conceito, mas sem suporte simbólico torna-se apenas decorativo. Em síntese, o poema tem impulso emocional e um desejo claro de transcendência, mas falta-lhe rigor formal, densidade imagética e uma progressão interna que transforme a enumeração de sentimentos numa experiência poética. A matéria está lá — mas dispersa, repetida, pouco lapidada.
Criado em: Hoje 7:37:30
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