149. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Cõllybry. |
||
|---|---|---|
|
Moderador
![]()
Membro desde:
24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
Mensagens:
4210
|
O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Cõllybry.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Amanhã… que viaja incerto, com nuvens cinzentas no ar. Num sussurrar que o vento leva o lamento, de quem gostaria sem tormentos de lá chegar… Amanhã… Que de luto se veste de guerras sangrentas absurdas, que ferem que dilaceram que matam, Amanhã… Ébrio de incertezas que não chega e quando chega… Queríamos que não chegasse… Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=4961 © Luso-Poemas O poema “Amanhã…” trabalha uma estrutura anafórica que lhe dá respiração própria, quase como se cada retorno ao título fosse um soluço temporal, um avanço e recuo que reforça a incerteza que o texto quer tematizar. A repetição funciona bem como eixo rítmico, embora o uso sistemático de reticências — três vezes no início e mais adiante — acabe por diluir um pouco a força das imagens, criando uma suspensão que, sendo expressiva, se torna previsível. A abertura, “que viaja incerto, / com nuvens cinzentas no ar”, apresenta uma construção sintática simples, mas eficaz: o pronome relativo “que” sem antecedente explícito cria um sujeito difuso, o próprio amanhã como entidade abstrata. Há aqui uma boa intuição morfológica: o indefinido reforça o tom nebuloso. O verso “Num sussurrar que o vento leva / o lamento,” contém uma inversão leve mas funcional; porém, “gostaria sem tormentos de lá chegar” perde alguma tensão por causa da colocação do advérbio “sem tormentos”, que poderia ganhar mais impacto se deslocado ou reformulado. Não há erros ortográficos, apenas uma oscilação estilística entre o coloquial e o poético que, se intencional, cria contraste; se não, gera ligeira irregularidade. A segunda secção, marcada novamente por “Amanhã…”, é mais forte. O uso de enumeração vertical (“que ferem / que dilaceram / que matam”) cria um crescendo eficaz, quase litúrgico, e a escolha dos verbos no presente do indicativo dá uma violência imediata ao texto. “Que de luto se veste / de guerras sangrentas / absurdas,” é uma boa construção imagética, embora “absurdas” isolado num verso perca alguma densidade — o adjetivo, por si só, não acrescenta muito ao que já estava implícito. Ainda assim, a secção é coesa e tem uma pulsação mais firme do que a primeira. A última parte, “Ébrio de incertezas”, é talvez a mais interessante do ponto de vista morfológico: o adjetivo “ébrio”, menos comum no uso corrente, introduz uma tonalidade mais literária e dá ao poema um salto de registo. A frase “que não chega / e quando chega… / Queríamos que não chegasse…” trabalha bem a contradição humana perante o futuro, e aqui as reticências funcionam melhor, porque sublinham a hesitação e o paradoxo. Há, no entanto, uma ligeira redundância entre “não chega” e “quando chega”, que poderia ser mais lapidar se houvesse uma imagem intermédia ou uma variação sintática que evitasse a repetição direta. No conjunto, o poema tem uma coerência temática clara — o amanhã como entidade ambígua, temida, desejada e recusada — e um ritmo que oscila entre o meditativo e o urgente. A anáfora funciona como estrutura, mas o uso excessivo de reticências e alguns adjetivos pouco tensionados retiram-lhe alguma força. Ainda assim, há bons momentos imagéticos, sobretudo na secção das guerras e no uso de “ébrio”, que elevam o tom e mostram uma intuição poética sólida. O texto está ortograficamente correto, com escolhas lexicais adequadas e uma morfologia simples mas eficaz, apenas pedindo, talvez, maior ousadia na construção frásica para evitar repetições e reforçar a singularidade da voz poética.
Criado em: Hoje 6:59:20
|
|
|
_________________
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
||
Transferir
|
||