150. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Niafna. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Niafna.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Não sei o que sei saber, Mas sei que o saber Se sabe sempre que se abre A porta da boca Com a mão da fechadura, Chave nova que há Na invenção de cérebro Macabro marcado Pela perfeição Dum intuito destino furtivo Da lipoaspiração Quadrada do saber... Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=4964 © Luso-Poemas O poema abre com uma construção que explora a autorreferencialidade do verbo “saber”, criando um jogo quase circular — “Não sei o que sei saber, / Mas sei que o saber / Se sabe…” — que funciona como mecanismo rítmico e conceptual. A repetição morfológica do radical sab- cria um efeito de martelar semântico, embora a acumulação possa, em certos momentos, aproximar-se do tautológico. Ainda assim, a intenção parece clara: o sujeito poético tenta apreender o próprio acto cognitivo, tropeçando nele. A musicalidade interna é eficaz, mas a frase inicial poderia beneficiar de uma pausa ou deslocação sintática para evitar a sensação de nó verbal. Não há erros ortográficos, mas há uma oscilação entre o coloquial e o metafórico que, sendo intencional, cria tensão; se não for, gera ligeira irregularidade de registo. A imagem da “porta da boca / Com a mão da fechadura” é uma das mais fortes do poema, porque desloca o corpo para o campo mecânico, quase surrealista. A metáfora funciona bem, embora “Chave nova que há / Na invenção de cérebro” perca alguma precisão: a expressão “que há” é demasiado prosaica para o tom que o poema vinha a construir. A palavra “invenção” abre possibilidades, mas “cérebro macabro marcado / Pela perfeição” cria um contraste abrupto entre “macabro” e “perfeição” que poderia ser mais explorado; tal como está, a justaposição é interessante, mas não totalmente resolvida. Do ponto de vista morfológico, a escolha de adjetivos fortes (“macabro”, “marcado”, “furtivo”) dá densidade, mas a acumulação pode tornar o campo semântico excessivamente carregado. O verso “Dum intuito destino furtivo” apresenta um problema de articulação: “intuito destino” cria uma fusão conceptual que não se clarifica. Talvez a intenção fosse sugerir que o destino tem um propósito oculto, mas a ausência de preposição ou de vírgula torna a leitura opaca. A expressão final, “Da lipoaspiração / Quadrada do saber…”, é a mais arriscada do poema. A metáfora é inesperada, quase grotesca, e pode funcionar como crítica à artificialidade do conhecimento ou à sua redução a formas rígidas (“quadrada”). No entanto, a palavra “lipoaspiração” introduz um registo demasiado técnico e contemporâneo que, sem preparação imagética prévia, soa algo deslocado. A estranheza pode ser produtiva, mas aqui parece mais um choque do que uma integração orgânica no tecido poético. No conjunto, o poema tem energia, ousadia lexical e uma boa intuição para imagens que cruzam corpo, mente e mecanismos. A repetição morfológica do verbo “saber” é o eixo mais sólido, embora por vezes se aproxime da redundância. A sintaxe é irregular, mas essa irregularidade parece servir o propósito de representar um pensamento que se dobra sobre si mesmo. Há momentos muito fortes — a porta da boca, a mão na fechadura — e outros que pedem maior depuração para evitar que a metáfora se torne demasiado literal ou demasiado abrupta. Ortograficamente está correto, estilisticamente é ousado, mas beneficiaria de maior coesão interna entre as imagens para que o impacto fosse mais contínuo e menos fragmentado.
Criado em: Hoje 7:01:23
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