173. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Grimmordivm.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Grimmordivm.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

O portão é grotesco. Do outro lado está ela. Bela como sempre.
Deste lado, destruído e sem forças, estou eu.
Os cabelos dela brilham como cristais, os seus olhos hipnotizantes deixam-me devastado. É impossível tocá-la, é impossível derrubar o portão.
Ela em todo o seu esplendor, eu inexistente. Olho-a infinitamente. Não me tiraram os olhos, posso vê-la e amá-la para sempre.
Não posso sentir o seu abraço nem o toque da sua pele. O portão separa-nos. Ela não me ouve nem me vê. Desconhece a minha existência.
Eu amo-a como todas as forças que me restam. Vou amá-la sem que ela saiba, até ao fim dos dias.
O portão é impossível de atravessar mas não me impede de a amar. O portão separa-nos da mesma forma que nos une.
Ela nunca saberá que existo mas vou olhar seus olhos eternamente.
O portão grande que nos separa e une estará sempre entre nós. Nunca o vou atravessar.
Ela estará sempre do outro lado com a sua beleza infindável. Eu estarei sempre aqui, apodrecendo sozinho deste lado, amando-a sempre e oferencendo-me todo a ela.
Sem saber que existo estará sempre unida a mim, pelo portão, o portão da separação.

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O texto constrói-se sobre uma dicotomia rígida — “ela” luminosa, “eu” degradado — que funciona como eixo simbólico, mas a repetição literal de termos (“o portão”, “do outro lado”, “sempre”) acaba por reduzir a tensão que a imagem poderia gerar. O portão, enquanto metáfora de impossibilidade, é eficaz na primeira aparição, grotesco e intransponível, mas perde força quando reiterado sem variação imagética. Falta-lhe metamorfose: permanece objecto, não se torna figura.

A voz narrativa é coerente na sua auto‑aniquilação, mas por vezes desliza para formulações demasiado declarativas (“vou amá-la até ao fim dos dias”, “ela nunca saberá que existo”), que retiram densidade ao pathos. A força do texto está justamente no que não pode ser dito, no que se insinua entre a visão e a ausência; quando o narrador explica o sentimento, o efeito diminui.

Há momentos de boa construção sensorial — “os cabelos dela brilham como cristais”, “os seus olhos hipnotizantes deixam-me devastado” — mas a adjectivação tende ao previsível e ao sentimental, aproximando-se de um registo mais confessional do que literário. A imagem final, “apodrecendo sozinho deste lado”, é mais eficaz porque rompe com o tom idealizado e introduz matéria, corpo, decomposição; aqui o texto respira.

A estrutura é circular, mas poderia beneficiar de um crescendo mais nítido: o narrador começa destruído e termina destruído, sem alteração de consciência, sem deslocamento interno. A repetição da impossibilidade (“não posso”, “é impossível”, “nunca”) cria um ritmo, mas também uma estagnação que não se converte em tragédia, apenas em lamento.

Em termos de linguagem, há um deslize ortográfico (“oferencendo-me”, que deveria ser oferecendo-me). A sintaxe é clara, mas demasiado linear; falta-lhe torção, ambiguidade, sombra.

O texto tem potencial se o portão deixar de ser apenas fronteira e se tornar agente — se ganhar espessura simbólica, se interferir, se transformar. E se a voz abandonar a explicação do sentimento para trabalhar a sua matéria: o silêncio, a distância, a visão que fere.

Criado em: Hoje 9:14:22
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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