178. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Sónia. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Sónia.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Raio de sol incandescente e fogoso Que renasces através do espaço escuro Acalentando esperanças e alegrando momentos Desenhando com os traços da alma Cada dia de um presente incerto Onde me sinto perdida mas preenchida Nas entrelinhas de uma escrita Ou em todos os outros entres que acreditas No entre lábios que gostava de tocar Com o meu sorriso de alegria No entreolhar de cumplicidade Ou simplesmente de amizade Onde se procura um espaço para atracar Na companhia de um tempo que encanta A tristeza de um coração cinzento Nos brilhantes que abençoas com a presença Ou simplesmente nos momentos em que aqueces A solidão com um carinho distante Que não sendo abrangente é crescente Ainda que assim sendo esteja condenado Ao cheiro de um passado velho Porque a história se repete Como sina de um destino As coisas que queria dizer e não digo As asas que gostaria de desamarrar São fugazes auroras rejubilantes Rochedos que o musgo preenche Com lágrimas húmidas de vida E tu na tua existência pacata Tornas o coração de um pedinte ansioso E sem perceberes porquê amparas Uma borboleta que sem flor se sente perdida Pois o pólen é a essência do seu sorriso O tal que desconheces e não entendes Mas que a arte de modelar Faz-te criar em cada nova maquete E eu que já não sei sentir Sinto que o beija-flor é o renascer Voluptuoso de um amanhecer Doce cadência de um entardecer Ponta solta do meu lençol Que alberga os sonhos do cobertor Selectivo e criativo Tulipas que cheiram a rosas Rosas que cheiram a Saudade Fragmentos da ira passada Ternuras permanentemente enamoradas... Borboletas que rodopiam sem parar Que voam pelo céus e envolvem Os espaços e as pessoas Pois só elas comportam a magia De acreditar que para além de tudo Existe um tudo ainda maior Que abraça um caminho para a Felicidade! Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=6264 © Luso-Poemas Este poema trabalha num registo expansivo, quase torrencial, onde a imagética luminosa — sol, auroras, brilhos, flores, borboletas — tenta sustentar uma narrativa emocional marcada pela oscilação entre perda, desejo e esperança. A força do texto reside sobretudo na sua capacidade de criar um campo sensorial contínuo, onde cada imagem se encadeia na seguinte como se o poema respirasse em fluxo. No entanto, essa mesma abundância torna-se, por vezes, dispersiva, e o poema perde tensão interna ao multiplicar símbolos sem hierarquia. O primeiro movimento, centrado no “raio de sol incandescente”, é eficaz porque estabelece um eixo metafórico claro: luz como renascimento, calor como presença afectiva, claridade como possibilidade de orientação num “presente incerto”. A expressão “onde me sinto perdida mas preenchida” é interessante pela contradição, mas a sequência de “entres” — entrelinhas, entre-lábios, entreolhar — embora conceptualmente coerente, cria um efeito de repetição que enfraquece o impacto. Falta-lhe uma progressão: os “entres” acumulam-se, mas não evoluem. O segundo movimento introduz uma tensão mais sombria: “a tristeza de um coração cinzento”, “solidão”, “passado velho”. Aqui o poema ganha profundidade porque abandona a luminosidade fácil e arrisca uma sombra necessária. Contudo, a frase “que não sendo abrangente é crescente” é vaga e pouco musical; parece uma tentativa de manter o paralelismo sonoro sem que a ideia esteja plenamente amadurecida. A noção de repetição (“a história se repete / como sina de um destino”) é demasiado genérica para o nível imagético que o poema vinha construindo. O terceiro movimento é o mais sólido. A metáfora das “asas que gostaria de desamarrar” e das “auroras fugazes” cria uma tensão entre desejo e impossibilidade que funciona bem. A imagem do “rochedo que o musgo preenche / com lágrimas húmidas de vida” é forte, porque une dureza e fragilidade num mesmo corpo simbólico. A figura da borboleta — recorrente na tua obra — surge aqui com mais densidade: não é apenas leveza, mas também carência (“sem flor se sente perdida”). O problema é que o poema volta a cair em explicações (“o tal que desconheces e não entendes”), quando a imagem por si só já bastava. O quarto movimento é o mais longo e o mais irregular. Há momentos de grande eficácia — “o beija-flor é o renascer voluptuoso de um amanhecer” tem musicalidade e precisão — mas também há imagens que se anulam mutuamente (“tulipas que cheiram a rosas / rosas que cheiram a saudade”), criando uma espécie de catálogo floral que perde força por excesso. A enumeração final — borboletas, céus, espaços, pessoas, magia, tudo maior, caminho para a Felicidade — aproxima-se de um tom declarativo que dilui a tensão poética acumulada. O poema termina num registo quase programático, quando teria ganho mais se encerrasse numa imagem concreta e ambígua. Em síntese: o poema tem momentos de grande beleza sensorial e algumas metáforas muito bem conseguidas, mas sofre com excesso de imagens, falta de contenção e tendência para explicar aquilo que já estava dito de forma mais subtil. Quando assume o risco da contradição e da sombra, torna-se mais forte; quando se entrega ao excesso de luminosidade, perde densidade. Ainda assim, mantém uma coerência emocional que sustenta o conjunto.
Criado em: Hoje 9:56:32
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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