207. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - niltonmoreira. |
||
|---|---|---|
|
Moderador
![]()
Membro desde:
24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
Mensagens:
4292
|
O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de niltonmoreira.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Quando numa tarde furtiva do calendário Teu abraço ansioso me alcançar, E eu, guerreiro vencido e sem itinerário, Em teu coração me refugiar... Quando teu olhar me fizer de novo respirar O ar puro dos caminhos teus... Quando me conduzires pelos corredores Dos sonhos meus... E deles me deres, enfim, O mapa, a posse, o destino, o sim... Quando fatalmente então me seduzires, Envolvendo-me como ingênuo menino, Nos laços do teu corpo quente, Eis que inventaremos um amor Tão exagerado e indecente, Que talvez até se apague, Envergonhada, A luz do sol poente... Mas Deus, numa benção, Imediatamente, Nos dará um luar e um ceu estrelado, De PRESENTE... Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=7412 © Luso-Poemas Este poema instala-se num território declaradamente romântico, onde o tempo deixa de ser cronologia e passa a ser expectativa. A “tarde furtiva do calendário” é uma imagem feliz porque suspende o quotidiano e cria um espaço clandestino para o encontro, como se o amor precisasse de escapar às horas oficiais para existir plenamente. O abraço que “alcança” o eu lírico funciona como força motriz do poema, e a figura do “guerreiro vencido e sem itinerário” introduz uma vulnerabilidade que contrasta com a solenidade épica da metáfora, tornando-a mais humana. O texto avança por encadeamento, sempre impulsionado pelo “quando”, que aqui funciona como um mecanismo de acumulação emocional: cada verso abre uma porta para o seguinte, como se o desejo fosse um corredor interminável que conduz ao centro do outro. A secção em que o sujeito é guiado pelos “corredores dos sonhos” é particularmente eficaz, porque transforma o imaginário interior em espaço físico, quase arquitetónico, e a entrega do “mapa, a posse, o destino, o sim” cria um crescendo que mistura erotismo, confiança e destino numa enumeração bem ritmada. A passagem para o corpo é suave, sem brusquidão, e a imagem do “ingênuo menino” envolvido nos “laços do teu corpo quente” devolve ao poema uma inocência que contrasta com a intensidade do desejo, equilibrando-o. O amor “exagerado e indecente” é assumidamente hiperbólico, e a ideia de que o sol poente se apaga “envergonhado” abraça esse exagero com naturalidade, sem cair no ridículo, porque o poema já preparou o leitor para um universo onde o sentimento é maior do que o mundo. O fecho com a intervenção divina é coerente com o tom geral: Deus não surge como figura moralizante, mas como cúmplice, oferecendo o cenário ideal para que o amor se cumpra. A imagem do luar e do céu estrelado “de presente” é simples, mas eficaz, e encerra o poema com uma nota luminosa que contrasta com a clandestinidade inicial. Tecnicamente, o texto é fluido, musical, com um uso natural das reticências que prolongam a respiração e reforçam a expectativa. Apenas duas pequenas correções ortográficas se impõem: “céu” com acento, e “bênção” na grafia atual. No conjunto, é um poema que assume sem pudor o romantismo, o excesso, a idealização, e que encontra precisamente aí a sua força: não teme ser grande, não teme ser luminoso, não teme ser sentimental. É coerente, imagético e emocionalmente contínuo, cumprindo plenamente a estética que propõe.
Criado em: Hoje 8:17:40
|
|
|
_________________
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
||
Transferir
|
||