217. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - MarleneRodrigues. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de MarleneRodrigues.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. As palavras escasseiam perante a amplitude que é o toque, a paixão, o desejo, o amor. Tudo se torna vão quando nos enleamos no amor. Palavras sussurradas ao ouvido não revelam a magnitude poderosa do reinado do amor. Momentos autênticos perdidos no suspirar, no tenebroso medo da entrega sublime. Páginas que ficaram por escrever, folhas que ficaram perdidas por entre instantes de buscas irrealistas. Outras tantas pautas de pretensos ardores que se mostram pequenas chamas. Esboços transcritos de sonhos platónicos, numa desenfreada procura pela realização que parece não chegar. Oportunidades falhadas pelo medo de ficar preso à liberdade, de se deixar ir na corrente que anseia o encontro do verdadeiro amor. Enfim... Coisas vãs. Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=8015 © Luso-Poemas O poema instala‑se num território de suspensão: tudo o que nele se diz parece nascer de uma consciência que já não acredita plenamente na eficácia da linguagem. A abertura — “As palavras escasseiam perante a amplitude…” — define logo o eixo central: a palavra é insuficiente diante da experiência amorosa. Esta insuficiência não é tratada como falha, mas como constatação melancólica, quase filosófica, de que o amor excede qualquer tentativa de nomeação. A progressão do texto é construída por acumulação: toque, paixão, desejo, amor — uma enumeração que tenta abarcar o indizível, mas que, ao mesmo tempo, denuncia a própria impotência. A repetição de estruturas (“Páginas que ficaram…”, “folhas que ficaram…”, “Outras tantas pautas…”) cria um ritmo de perda, como se cada verso fosse um inventário de tudo o que não se viveu. O poema vive dessa tensão entre o impulso de dizer e a consciência de que dizer não basta. Há um movimento interessante entre o íntimo e o abstracto: o medo da entrega, a liberdade como prisão, a corrente que arrasta para o amor verdadeiro — imagens que funcionam como metáforas de um sujeito dividido entre desejo e autopreservação. O poema não procura resolver essa contradição; prefere expô‑la, deixá‑la respirar. O final — “Enfim… Coisas vãs.” — é um gesto de desvalorização que, paradoxalmente, intensifica o peso do que foi dito. A ironia amarga desse fecho funciona como uma espécie de máscara: o sujeito tenta reduzir a importância do amor, mas o próprio poema desmente essa tentativa. A frase curta, isolada, funciona como queda abrupta, como se o texto se recolhesse depois de se ter exposto demais. O resultado é um poema que vive da fricção entre grandeza e renúncia, entre o desejo de plenitude e a consciência da sua impossibilidade. A força está precisamente nessa contenção: o poema não grita, não dramatiza, mas deixa um rasto de lucidez ferida.
Criado em: Hoje 6:23:17
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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