284. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Dora Peres.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Dora Peres.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

SERÀ AMOR...
SERÁ PAIXÃO...
SERÁ QUE TE ODEIO...
SERÁ QUE TE AMO...
UM DIA DE ODEIO... UMA NOITE TE DESEJO...
UMA TARDE TE ESPERO... OUTRO DIA TE BERRO...
UM MINUTO TE OLHO... EM SEGUNDOS TE ESPERO
SOB A LUZ DO QUARTO OS DESEJOS SE RELIZAM,
TENTO-TE RESISTIR... E ENTREGO-ME POR INTEIRO...
E ME VEJO EM VOCÊ...
JUNTOS CHEGAMOS AO PONTO FINAL... DESEJAMOS-NOS POR IGUAL...
PARAMOS NO OLHAR... O SILENCIO PERCORRE A NOITE... E VOCÊ NÃO...
SABE O QUE FAZER... DESESPERADO PEDE MINHA AJUDA...
ENTÃO PERCEBO... VOCÊ ESTA ME AMANDO... ELE ESTÀ ME AMANDO...
SEM SE DAR CONTA DO OLHAR... DO SORRISO.. DA VONTADE... DAS BATIDAS DE SEU CORAÇÃO...
IRÁ DESCOBRIR... A ESSENCIA DA CONQUISTA...
A MAGIA DO OLHAR... O PERFUME DA IMAGINAÇÃO... A VONTADE DE... TER-LO EM MEUS BRAÇOS...
VONTADE DE BEIJAR-LO... DE ESTAR PRESENTE NO TEU MUNDO... AGARRADOS NOS DESEJOS... VIVENDO INTENSAMENTE CADA SEGUNDO... DESSE AMOR... VOCÊ ME AMA... MAS AINDA NÃO SABE...
EU TE AMO... E AGORA SEI... TAMANHA DISTANCIA...
TALVÉS O TEMPO ESTEJA NOS PREPARANDO...
PARA VIVER O AMOR ETERNO.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=11369 © Luso-Poemas

O poema organiza-se como uma sucessão de impulsos contraditórios, construindo uma voz que oscila entre amor, ódio, desejo e incerteza. Essa oscilação não é defeito: é o próprio motor do texto. A repetição de “será” no início cria um ritmo interrogativo que instala a dúvida como condição emocional, e essa dúvida atravessa todo o poema, transformando cada gesto num movimento de aproximação e afastamento. A estrutura fragmentada — dias, noites, tardes, minutos, segundos — reforça a ideia de que o sentimento não é estável, mas feito de instantes que se contradizem e se acumulam. Há uma intensidade quase desordenada na forma como o eu lírico se dirige ao outro, misturando desejo e resistência, entrega e recusa, como se o corpo soubesse antes da mente aquilo que está a acontecer. O poema ganha força quando abandona a enumeração temporal e entra no espaço íntimo: “sob a luz do quarto os desejos se realizam”, verso que marca a passagem do conflito para a revelação. A linguagem torna-se mais direta, mais confessional, e o texto assume sem rodeios que a entrega física é o ponto onde a dúvida se dissolve. A descoberta de que “ele está me amando” funciona como viragem narrativa, não porque seja surpreendente, mas porque o poema até então insistia na incerteza. A partir desse momento, o texto desloca-se para uma afirmação de amor que ainda não é plena, mas que se anuncia como possibilidade. A repetição de imagens — olhar, sorriso, batidas do coração — cria uma atmosfera de descoberta gradual, quase adolescente, onde o amor é percebido antes de ser compreendido. O fecho, ao invocar a distância e o tempo como preparação para um “amor eterno”, tenta elevar o poema a uma dimensão mais ampla, mas mantém a mesma simplicidade emocional que o caracteriza desde o início. No conjunto, o texto funciona como um retrato sincero de um sentimento em formação, marcado pela oscilação, pela intensidade e pela necessidade de nomear aquilo que ainda não está totalmente assumido. A força do poema está na honestidade com que expõe essa confusão, sem tentar organizá-la em metáforas complexas ou em construções formais elaboradas. O "TALVÉS" estraga muito.

Criado em: Hoje 19:45:53
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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