Comentário a "Oxigénio" de Beatrix |
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6/11/2007 15:11 Mensagens:
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O poema, na sua íntegra, estará legível após o comentário. Oxigénio... A molécula ou o átomo? Embora não lhe demos importância, o ar inspirado é maioritariamente azoto. Inspirado é este poema. Uma melancolia atroz, suave, ponderada. Lindo demais. "...juntos..." e "...nos separámos..." são opostos óbvios que, neste caso, se confundem. Um não convive bem sem o outro. A palavra "...mergulhar..." também merece destaque. Quem gosta de água como eu, doce ou salgada, deve conhecer a sensação de passar do estado gasoso para o estado líquido. Esta espécie estranha de condensação, parece que nos faz entrar no ciclo da água, tão essencial à vida. Depois, submergir é uma experiência estranha, turva, que nos altera os sentidos, a visão desfoca-se, a audição tolda-se, o olfacto é de evitar (perigo eminente de pneumonia de aspiração fatal, conhecida por afogamento), o gosto uniformiza-se e o tacto ainda é o que se mantém. Adoro. O sujeito poético justifica, duma forma subentendida, o deixar de "...mergulhar..." com a separação. O leitor pode ler de duas maneiras: Ou o sujeito poético tomava a ação devido a essa união e deixando de existir, deixa de a fazer. Ou já a fazia mas a lembrança de a ter feito com outro a impede de a fazer novamente. Melancolia? Não! Na terceira estrofe surge uma personificação que acho deliciosa, mantém o tom melancólico e entra um monstro da poesia em cena: A saudade. "...porque também o mar sentia a tua falta..." A quebra de verso é perfeita porque evidência o "...sentia...". "A falta de", para mim é a tradução mais fiel de "saudade". A palavra que os portugueses têm mais orgulho de não ter um sinónimo, ou tradução. Essa estranha dor. Tive de transcrever a estrofe. Se formos rebuscados podemos ler de "...o mar...", para "amar". Sendo "...o mar..." água, seria expectável ser símbolo de algum tipo de transparência. Ao longe é uma massa colorida (entre vários tons de verde, azul e até castanho), mas se lhe agarrarmos com as mãos, em concha, é só isso, um líquido transparente. Mas para o sujeito poético, não. Ele frisa o oposto na ultima estrofe que mantém o teor poético e metafórico. "...opaco..." parece escrito em maiúsculas. Os olhos vermelhos parecem uma alusão às lágrimas de sangue, ou talvez a um bicho noturno e fugidio. Talvez por isso deva realçar também o uso forte e inteligente da imagética, uma parte muito importante da boa poesia. Favoritei de caras, com direito a gosto e tudo. Um dos melhores poemas que li ultimamente. Oxigénio deixamos de mergulhar juntos quando nos separámos deixei de mergulhar de todo porque também o mar sentia a tua falta e se tornou opaco aos meus olhos vermelhos Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=384708 © Luso-Poemas
Criado em: Hoje 18:13:02
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