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Re: Um verso ou um poema?
Colaborador
Membro desde:
6/11/2007 15:11
Mensagens: 1579
Há belíssima prosa poética que para mim é poesia e não vem na forma canónica de verso quebrado.

O patamar inalcansável é aquele que se lê em muitos consagrados, mas que, no mínimo, não tem erros ortográficos, de sintaxe, de concordância, com linguagem impoética (palavrões, asneiras, ultrasimplismo), mas que tem o enigma das elipses, a beleza das metáforas, a graça dos trocadilhos, as óbvias comparações, as ideias elevadas, os ideais (sejam quais forem), e para além de grandioso, consistente (a minha maior falha).

Desculpas pelo post scriptum exagerado.

Criado em: 3/5/2018 18:11
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Re: Um verso ou um poema?
Colaborador
Membro desde:
6/11/2007 15:11
Mensagens: 1579
Para mim poesia, não é hoje o que foi há uns anos.
Costumava dizer que era uma maneira que tinha de brincar com as palavras. Sem pingo de desprezo, era algo meu, que se reflete em muitos poemas que escrevi na adolescência e enquanto jovem-adulto (25-35 anos).
Mesmo nesse período não era igual. Aos 15 descobri a rima e um certo jeito que lhe tinha. Sob o jugo duma mãe afectuosa, mas superprotectora, surgiu a escrita, e a rimada, como forma de desabafo pessoal. Catártese talvez.
Nessa época nunca a vi como algo de preponderante na minha vida, embora da qual não sabia me livrar. Soube.

A rima era então a minha âncora. Sentia, rimava, escrevia.
Quando não rimava algo ia muito mal.

Em 2007 surgiu algo que me mudou a relação que tinha com a poesia. A exposição.
No jornal Destak li sobre a existência do Luso-poemas e, muito a medo, inscrevi-me. Foi a segunda revolução. A exposição. A leitura, que antes era diferente, mas que me levou a conhecer outros e as suas opiniões sobre o que escrevia (e escrevo) levaram-me a um auto-conhecimento e auto-confiança que me surpreederam. Continuo a achar o site como lugar de aprendizagem e de evolução.

Nos últimos anos algo mudou em mim.
Além dos meus filhos e do meu trabalho, que me providencia algum conforto, a escrita, sobretudo a poética, é o meu limite máximo de comunicação, fonte extrema de prazer (a que escrevo e a que leio), a arte completamente auto-suficiente, que tenho a responsabilidade pessoal de elevar, aprimorar, adorar.
Creio, hoje, que posso deixar uma pequeníssima marca nos poucos que me leem e apreciam, e isso é algo que me realiza, numa vida de poucos luxos.

Também, quem disse que luxos eram precisos para ser feliz?

Sei que personalizei muito neste repto, que este é um tema em aberto.
Devolvo-te a questão:
Para ti o que poesia é?

Abraço

Criado em: 3/5/2018 18:02
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Re: Um verso ou um poema?
Colaborador
Membro desde:
6/11/2007 15:11
Mensagens: 1579
Aqui a alternativa baralha-me.
Acho contudo um tema adquado ao site.
Um poema costuma ter versos.
Um verso só, ainda que curto, pode ser um poema.
Embora posso seguir o seguinte raciocínio:
Será versejar sempre poesia?
Nem sempre.
Ou estarei a colocá-la a um patamar inalcansável, porque a respeito, admiro e até amo imenso?

Deve variar, respondendo à pergunta que ponho, com o sentir, interpretar, à sensibilidade, quer do leitor quer do autor.

Qualquer verso é poesia?

O que é poesia?


Criado em: 17/4/2018 18:07
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Re: Sarau "O Grito da Poesia"
Colaborador
Membro desde:
6/11/2007 15:11
Mensagens: 1579
O favor


Amiúde o grito quer o poema,
quer-lhe
a força,
a ideia,
o sangue!

O poema,
coitado,
acredito,
que, ao grito, dê isso, e muito mais...



Último contributo. Foi um prazer improvisar para um tema. Feito de encomenda também é gostoso.
Da minha triologia tentei manter ligações, como no do-brado em que o poema pede o grito, agora é o grito que o quer. E claro o silêncio, cujo momento de início de qualquer poema, tem no grito o seu deslumbramento e a sua dor, paixão dos opostos que se atraiem.

Obrigado pela ideia.
O cheiramázedo, não lhe liguem. Ele sofre de cacosmia...

Criado em: 8/8/2017 5:17
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Re: Sarau "O Grito da Poesia"
Colaborador
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6/11/2007 15:11
Mensagens: 1579
Porque não se gritam, a mentira, a falsidade nas relações interpessoais, a hipocrisia, estas diferem simetricamente deste sarau. Em que o tema é o grito da poesia.

Atenção: o texto em questão ( icterícia, estado vulgar do corpo doente d fígado ou da vesícula biliar que dá à pele um tom amarelo, como certos sorrisos falsos) não me deve ser atribuído.
É pertença do cheiramázedo. Sob forma de crónica irónica ( o seu estilo natural).
Falem com ele.
Penso vir a contribuir com mais um e último poema nos próximos dias.


Duma forma geral, acho que o sarau está a ser um sucesso e mostra de vitalidade deste site, que muitos consideram morto.

Gritem!!!!

Criado em: 7/8/2017 17:32
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Re: Sarau "O Grito da Poesia"
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6/11/2007 15:11
Mensagens: 1579
- Contributo disponibilizado por cheiramázedo

Icterícia

Eu tenho a parafilia da transparência,
dessa idoneidade absurda e muda,
que aparece na infância
e vai desaparecendo com as estações.

Porque fui detectando, já há algum tempo um desfile de fingimentos pouco poéticos (valha-nos Fernando Pessoa com o seu “o poeta é um fingidor…”) que, não sendo mentiras nem omissões, são uma forma expressão que muito me incomoda, como urticária ou diarreia.
A hipocrisia, como traço principal de personalidade, é dolorosa para todos os terceiros que tenham de ser convivas dos hipócritas. Usando a velha expressão “nas costas dos outros vemos as nossas” é árduo ver-me assim nos traseiros.
Até aturo o cinismo. Os sorrisos forçados, amarelados como amanhecer fosco. As lágrimas de crocodilos (falta-me o nome colectivo para conjunto de crocodilos) que caem salgadas, cirúrgicas.

Pontualmente, todos usamos estas ferramentas sociais, que nos permitem ser palhaços de circo.
Considero, dum modo algo inocente que, a maioria de nós, gosta de viver na verdade e usar-se da mesma no dia-a-dia.
Por exemplo, num acesso absurdo de meteorismo, acho importante que, quando me acomete, conte sempre que o autor da flatulência sou eu.
Abomino quem culpa os outros. Tolero quem se cala e deixa os outros usarem e praticarem, a seu bel-prazer, o dom da adivinhação.
Afinal, todos temos um pouco de bruxo.

As mentiras brancas têm uma ligação com cor que me desgosta. Por um lado, associar o branco a leveza é um erro, existem elefantes brancos. E baleias.
Devia de haver algodão preto. O algodão não engana.
Depois, o facto de a mentira ser aceitável, deixa-me um desconforto inefável.
Os mentirosos compulsivos não contam. Para eles a mentira é a verdade.

Quando a falsidade é aquilo em que se acredita…

Raridade é a mentira ser gritada.

Criado em: 7/8/2017 10:33
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Re: Sarau "O Grito da Poesia"
Colaborador
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6/11/2007 15:11
Mensagens: 1579
a paixão do silêncio

Como dizer, por parcas palavras, o silêncio?
Mudos,
os sons perdem-se no palácio do Sono.
Escassa forma de vida.
Espaço de túmulo,
intervalo de lápide.

Caverna fechada, reverbada a brilhos
sós,
esquecida pelo vento.
Quedo, o semblante,
povoado de medo e repouso
e lagos estagnados,
falho em esgares e sorrisos.
No langor, horizontes nocturnos,
horizontais leitos,
direitos.
As sombras,
fantasmas parados, caprichos
dalguma estrela longe.

A eternidade mora perto, infinita,
amaldiçoada,
a desconhecer
o momento
e a sua cara-metade,
o grito.

Criado em: 1/8/2017 12:49
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Re: Sarau "O Grito da Poesia"
Colaborador
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6/11/2007 15:11
Mensagens: 1579
do-brado


Por vezes
o poema pede o grito.
Chama.

Num cardápio
tão variado que tem,
para a mesa do canto
é um grito que vem.

Violento,
avaria um pouco de tudo, diz o sentimento em bruto...

Escondido no silêncio,
doido,
impre-visto,
dispo.

Criado em: 28/7/2017 9:49
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Re: Da verdade
Colaborador
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6/11/2007 15:11
Mensagens: 1579
Gosto mais de verdades.
Cada um tem a sua.
Elas tornam-se mais próximas de ser apenas A Verdade quando, em meu ver, é partilhada. Se for por muitos, mais nos afastamos do plural.
É um assunto pertinente que merece um fórum.
Mais do que divulgar a edição de um livro ou uma teoria da própria criação, este é um espaço de discussão, puro e duro.

Sobre a utilização do espaço.
Ninguém está à espera que todos façam como eu, que dou o meu nome e no perfil tenho o meu nome completo e uso a minha foto.
Há em primeiro lugar um espaço destinado à timidez.
Depois, dependendo dos conteúdos exposto, há a salvaguarda e bens maiores.
Por exemplo, uma pessoa que goste de escrever sobre conteúdos eróticos pode não querer que os filhos menores saibam ou leiam. Ou os colegas do trabalho. Ou os próprios pais. Eu não gostaria que os meus lessem muitos dos poemas que escrevo.
Nã há nada de errado em um utilizador usar um pseudónimo e uma imagem que goste como foto.

Ter vários já é discutível.
Pode ser uma forma de manipular os leitores e grangear leituras e comentários.
Além de assim poderem atacar quem quiserem e como quiserem. É um acto de cobardia.

A pseudonomia é utilizadissima. Rómulo de Carvalho, quem era?
era um professor de Liceu.
Nome artistíco, António Gedeão. Perdão pseudónimo.

A heterónimeidade já é mais complexa.
O estilo é radicalmente diferente.
Bem Feita (bem haja Fernando Pessoa!) cada persona tem um local de nascimento diferente, idade, profissão, mapa astral, morada, etc...

Temos de estar prontos para ouvir de tudo sim!
Acham que os consagrados não foram ofendidos por alguém amargurado ou com um gosto estranho?

Cada vez que um António Lobo Antunes (difícil...) lança um livro não terá um crítico a avaliá-lo.
Se esse crítico não gostar, mentirá?

Imaginem então nós, que mal sabemos o que aqui andamos a fazer.
Mas sou a favor de tudo. Um elogio sabe bem. Se cometer um erro ortográfico ou semântico que não reparo e alguém me diz, só tenho de corrigir.
Senão Eu é que fico mal visto. Porque preferi o erro.

Eu posso nem me chamar Rogério Beça.
O nome em germânico quer dizer: "Famoso pela Lança". À Beça no Brasil quer designar "muito", ou em grande quantidade.
Pode ter uma conotação sexual que eu goste.
Augusto quer dizer em latim, "o grande".
Coutinho, ou Coitinho é um mini-coito...

Mas vá é a minha sina de baptismo.


Vamos mas é escrevinhar, excretar, martelar, uns poemas e fazer disto um local de aprendizagem de poesia, não de pseudo-poetas...


Criado em: 17/7/2017 17:19
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Re: Olá
Colaborador
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Boxer:
A resposta para a tua pergunta é simples:
NÃO!

Criado em: 16/7/2017 10:46
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