336. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Mari Saes. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Mari Saes.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Olhavam-se mas não visualizavam o mesmo horizonte. Dividiam o mesmo espaço, mas eram aversos aos mesmos sonhos. Dormiam no mesmo leito, mas estranhavam-se a qualquer toque. Bebiam o mesmo vinho, mas brindavam algo distante. Eram estranhos aos sussurros do coração. Inacessíveis ao afeto que os unia. Caminhavam lado a lado em direções opostas. Inversos ao poder que a vida, o sentimento,o criador tinha sobre eles. Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=14107 © Luso-Poemas O poema funciona como uma reflexão sobre o afastamento emocional entre duas figuras que, apesar da proximidade física, vivem realidades interiores divergentes. A abertura — “Olhavam-se mas não visualizavam o mesmo horizonte.” — estabelece de imediato a tensão central: a dissociação entre olhar e ver. A construção é sintaticamente correta, embora marcada por uma leve redundância entre “olhavam-se” e “visualizavam”, que reforça a ideia de distância perceptiva. A imagem do “horizonte” funciona como metáfora eficaz para expectativas, futuro e sentido de vida, ainda que permaneça num plano abstrato. A secção seguinte — “Dividiam o mesmo espaço, mas eram aversos aos mesmos sonhos.” — mantém o paralelismo estrutural, agora com oposição entre espaço físico e espaço interior. A grafia “aversos” é correta, embora pouco usual; o termo reforça a ideia de incompatibilidade. A construção é clara, mas a repetição da estrutura “mesmo X / mas Y” cria uma cadência previsível que, embora coerente, reduz a variedade sintática. A estrofe — “Dormiam no mesmo leito, mas estranhavam-se a qualquer toque.” — intensifica a distância emocional, agora através da intimidade física. A frase é eficaz, com boa economia verbal; a oposição entre partilha do leito e estranhamento ao toque cria uma imagem forte. A secção seguinte — “Bebiam o mesmo vinho, mas brindavam algo distante.” — retoma a mesma estrutura, desta vez com metáfora social. A imagem do vinho como partilha e do brinde como celebração reforça a ideia de dissonância emocional, embora permaneça num plano simbólico simples. A passagem — “Eram estranhos aos sussurros do coração. / Inacessíveis ao afeto que os unia.” — apresenta uma construção sintaticamente correta, mas recorre a abstrações (“sussurros do coração”, “afeto”) que poderiam ser mais concretizadas. A oposição entre união e inacessibilidade é eficaz, embora previsível. A secção — “Caminhavam lado a lado em direções opostas.” — sintetiza o conflito de forma clara, com imagem forte e bem construída; é talvez o verso mais eficaz do poema. A frase final — “Inversos ao poder que a vida, o sentimento, o criador tinha sobre eles.” — encerra o texto com uma tentativa de ampliação metafísica. A construção apresenta um problema de concordância: “o criador tinha” está correto, mas a enumeração anterior (“a vida, o sentimento”) cria uma expectativa de plural que não se cumpre. A ausência de vírgula entre “sentimento” e “o criador” também compromete a fluidez. A ideia de inversão perante forças maiores é interessante, mas permanece pouco desenvolvida. Do ponto de vista formal, o poema apresenta correção ortográfica geral, com exceção da ausência de vírgula antes de “o criador”. A sintaxe é simples, marcada por paralelismos que reforçam a estrutura, embora por vezes se aproximem da repetição mecânica. O ritmo é regular, sustentado por frases curtas e por oposição constante entre proximidade física e distância emocional. O campo semântico é coerente, centrado na divergência interior, na incompatibilidade afetiva e na metáfora do caminho, embora recorra frequentemente a imagens convencionais. A construção metafórica é discreta, com alguns momentos eficazes, mas sem grande densidade simbólica. O estilo literário enquadra-se na lírica reflexiva contemporânea, com traços de minimalismo emocional, marcada pela oposição entre interioridade e convivência, pela economia verbal e pela utilização de metáforas simples para expressar distanciamento afetivo.
Criado em: Hoje 19:39:22
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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