369. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - ALEXANDRE GIELA. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de ALEXANDRE GIELA.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Vestes divididas ... brancas , negras despidas . Suaves compassos ... languidos beijos , ternos abraços. Olhos secos das lágrimas corridas ... como ribeiro louco em correria desmedida . Toco exangue em ti ... corpo , deleite , percorrido em traço frouxo ... assim. Como se medo tivesse de te tocar ... não fosse o sonho de te tocar , acabar ... por fim . Vestes despidas ... negras , brancas perdidas . Suaves abraços ... languidos beijos em ternos compassos . Lágrima caída ... perdida ... ferida ... em correrias loucas ... como cores de dor vil . Mas , lembra ... que em sonhos te toco ... ... em deleites mil . Vestes perdidas ... brancas , negras , verdes ... anil. Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=16373 © Luso-Poemas A alternância rítmica entre imagens visuais e tácteis, articuladas através de repetições cria um movimento circular, quase litúrgico. A abertura — “Vestes divididas ... / brancas , negras despidas .” — estabelece de imediato um jogo cromático que funciona como metáfora de dualidade emocional. A pontuação irregular, com espaços antes das vírgulas, quebra a norma ortográfica, mas não impede a leitura; ainda assim, evidencia falta de revisão formal. A ideia de vestes divididas e despidas sugere exposição, vulnerabilidade e perda de identidade, preparando o terreno para o tom sensorial que domina o texto. A estrofe seguinte — “Suaves compassos ... / languidos beijos , ternos abraços.” — introduz uma cadência marcada por suavidade e languidez. A enumeração de gestos afetivos cria uma atmosfera de intimidade, embora a repetição de reticências e a inversão sintática (“languidos beijos , ternos abraços”) aproximem o texto de um registo mais espontâneo do que lapidado. A ortografia é correta, mas a pontuação continua irregular, com vírgulas separadas por espaços que não deveriam existir. A secção “Olhos secos das lágrimas corridas ... / como ribeiro louco em correria desmedida .” articula uma imagem forte: lágrimas que já correram e deixaram os olhos secos, comparadas a um ribeiro descontrolado. A metáfora é eficaz, embora a construção “correria desmedida” se aproxime de uma formulação convencional. A cadência mantém coerência, e o paralelismo entre secura e excesso reforça a tensão emocional. A estrofe “Toco exangue em ti ... / corpo , deleite , percorrido em traço frouxo ... assim.” introduz uma dimensão tátil marcada pela hesitação. O adjetivo “exangue” é bem escolhido, sugerindo fraqueza ou receio. A expressão “traço frouxo” cria uma imagem visual que traduz o toque como desenho incompleto, reforçando a ideia de medo de perder o sonho. A frase seguinte — “Como se medo tivesse de te tocar ... / não fosse o sonho de te tocar , acabar ... por fim .” — explicita essa hesitação, articulando bem a tensão entre desejo e receio. A construção é clara, embora marcada por repetição de reticências que poderia ser mais contida. A repetição estrutural — “Vestes despidas ... / negras , brancas perdidas . / Suaves abraços ... / languidos beijos em ternos compassos .” — funciona como espelho da abertura, criando circularidade. A inversão de ordem cromática (“negras , brancas”) reforça a ideia de desorientação. A repetição de imagens tácteis mantém coerência temática, embora a duplicação de estruturas revele intenção de ritmo mais do que desenvolvimento semântico. A estrofe “Lágrima caída ... / perdida ... ferida ... / em correrias loucas ... como cores de dor vil .” retoma o imaginário da dor, agora com maior fragmentação. A repetição de palavras isoladas (“perdida ... ferida ...”) cria efeito de desagregação emocional. A metáfora “cores de dor vil” é expressiva, embora vaga, funcionando mais como intensificador do que como imagem concreta. A secção “Mas , lembra ... / que em sonhos te toco ... / ... em deleites mil .” introduz uma pausa reflexiva. A ideia de toque apenas possível no sonho reforça a distância entre desejo e realidade. A expressão “deleites mil” aproxima-se de uma formulação clássica, mas mantém coerência com o tom sensorial do poema. O fecho — “Vestes perdidas ... / brancas , negras , verdes ... anil.” — encerra o texto com expansão cromática. A introdução de “verdes” e “anil” amplia o campo simbólico, sugerindo que a experiência emocional se diversifica ou se dissolve em múltiplas tonalidades. A estrutura mantém a cadência repetitiva que caracteriza o poema, encerrando-o com uma nota de dispersão. O texto inscreve-se num estilo lírico sensorial contemporâneo, marcado pela repetição, pela alternância cromática e pela exploração de gestos tácteis como metáforas de desejo e hesitação. A linguagem é acessível, com momentos de maior densidade imagética, embora a irregularidade da pontuação e a repetição excessiva de reticências enfraqueçam a precisão formal. A força do poema reside na construção de um ritmo circular que acompanha a oscilação entre toque, perda e sonho.
Criado em: Hoje 6:50:39
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