389. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Jairo Nunes Bezerra. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Jairo Nunes Bezerra.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Agora à tarde mudei!...Uísque substituindo vinho... Preciso atingir ao clímax da saudade... Nesta solidão, melhor seria teus carinhos, Em tua ausência, entorpecimento vira felicidade! A noite já se aproxima com passo lento, E os vôos dos pássaros seguem destinos ignorados... Mais uma vez a tua ausência vira lamento, E a garrafa abaixo do meio, torna o uísque escasso! Inebriado, sinto-me tal o vento voando velozmente! Não me importa a evolução de minha mente, Que censura os meus atos com descasos! A garrafa de uísque jaz sobre a mesa, vazia... Minhas idéias turvadas provocam atermia, Embora haja necessidade de calor no meu espaço! Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=17423 © Luso-Poemas O poema desenvolve-se como um retrato da solidão alcoólica, articulando uma sequência de imagens que oscilam entre o entorpecimento, a saudade e a perda de controle. A estrutura é composta por tercetos rimados de forma irregular, mas com cadência coerente, sustentando um registo lírico-confessional marcado pela oralidade e pela intensidade emocional. A ortografia apresenta alguns deslizes — “idéias” deveria ser “ideias”, “atermia” é termo técnico pouco comum e pode soar deslocado, “uísque” está correto segundo o Acordo Ortográfico — mas o conjunto mantém inteligibilidade. A abertura — “Agora à tarde mudei!...Uísque substituindo vinho... / Preciso atingir ao clímax da saudade... / Nesta solidão, melhor seria teus carinhos,” — estabelece de imediato o eixo emocional: a troca de bebida como tentativa de intensificar a sensação de ausência. A ideia de “atingir ao clímax da saudade” é forte, embora marcada por certa teatralidade. A construção “melhor seria teus carinhos” revela ligeira irregularidade sintática; “melhor seriam” seria mais adequado, mas a escolha reforça o tom coloquial. A linha — “Em tua ausência, entorpecimento vira felicidade!” — sintetiza o movimento do poema: o álcool como substituto afetivo. A frase é clara, embora marcada por uma contradição deliberada que reforça a ambiguidade emocional do eu lírico. A segunda estrofe — “A noite já se aproxima com passo lento, / E os vôos dos pássaros seguem destinos ignorados... / Mais uma vez a tua ausência vira lamento,” — desloca o poema para uma dimensão mais contemplativa. A imagem dos pássaros com “destinos ignorados” reforça a ideia de deriva, espelhando o estado interior do sujeito. A ortografia apresenta o deslize “vôos”, grafia anterior ao Acordo Ortográfico; a forma atual é “voos”. A cadência é fluida, e a repetição da ausência como lamento mantém coerência temática. A frase — “E a garrafa abaixo do meio, torna o uísque escasso!” — introduz uma nota de humor amargo. A observação objetiva da garrafa funciona como marcador de tempo e de deterioração emocional. A construção é clara, embora a vírgula após “meio” seja desnecessária. A terceira estrofe — “Inebriado, sinto-me tal o vento voando velozmente! / Não me importa a evolução de minha mente, / Que censura os meus atos com descasos!” — intensifica o tom de desorientação. A comparação com o vento é eficaz, sugerindo velocidade e perda de direção. A expressão “evolução de minha mente” é vaga, mas compreensível dentro do registo confessional. A frase “censura os meus atos com descasos” apresenta ligeira estranheza sintática; “com descaso” seria mais natural. Ainda assim, a ideia de autocensura debilitada pelo álcool é clara. A última estrofe — “A garrafa de uísque jaz sobre a mesa, vazia... / Minhas idéias turvadas provocam atermia, / Embora haja necessidade de calor no meu espaço!” — encerra o poema com uma nota de esgotamento. A imagem da garrafa “jazendo” reforça a ideia de fim, de queda. A palavra “atermia” — ausência de calor corporal — é tecnicamente correta, mas soa deslocada dentro do campo semântico do poema, aproximando-se de um registo médico que contrasta com a oralidade predominante. A frase final retoma a necessidade de calor, sintetizando a tensão entre entorpecimento e desejo de afeto. O texto inscreve-se num estilo lírico-confessional contemporâneo, marcado por oralidade, imagens de solidão, uso simbólico do álcool e cadência emocional crescente. A força do poema reside na sinceridade do desabafo e na construção de um ambiente sensorial que acompanha a deterioração emocional. A fragilidade está em alguns deslizes ortográficos, na ocasional irregularidade sintática e na escolha de termos que destoam do campo semântico predominante. Ainda assim, o conjunto mantém coerência interna e expressa de forma clara a fusão entre saudade, entorpecimento e desejo de proximidade.
Criado em: Hoje 21:00:22
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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