410. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Ana M.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Ana M.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

São tantas, tantas as palavras que eu queria que fossem…
Eram ditas em tom baixo onde um só nada meigo as podia escutar.

São tantos, tantos os beijos que eu queria que fossem…
Eram feitos em vão de um baralho de bocas rubras.

É tanto, tanto o olhar que eu queria que fosse…
Era visto lentamente num monte de névoa fria

Eram tantos, tantos os sons que eu queria que fossem…
Eram sons de euforia que na fogueira dançavam lentamente.

Eram tantas, tantas as cores que eu queria que fossem…
Eram mortas de paixão que salta no sítio onde estamos.

É tanto, tanto o amor que eu queria que fosse…
Era posto à solta até que alguém nele tropeçasse e o levasse para lá do sempre.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=18379 © Luso-Poemas

O poema organiza-se em estrofes paralelas, sustentadas por uma estrutura repetitiva que reforça a cadência e cria um efeito de enumeração emocional. Cada bloco inicia com “São tantas, tantas…” ou “É tanto, tanto…”, estabelecendo um ritmo insistente que traduz desejo, ausência e frustração. A ortografia é, no geral, correta, embora haja pequenas questões de concordância e fluidez: “um só nada meigo” é uma construção ambígua, podendo sugerir “um só nada meigo” como ausência suave ou como expressão de ternura mínima; “baralho de bocas rubras” é imageticamente forte, mas sintaticamente abrupto; “mortas de paixão que salta” apresenta tensão entre “mortas” e “salta”, criando um choque semântico que pode ser intencional ou excessivo. Apesar disso, o texto mantém coerência interna.

A primeira estrofe — “São tantas, tantas as palavras que eu queria que fossem… / Eram ditas em tom baixo onde um só nada meigo as podia escutar.” — estabelece o tom melancólico. A repetição de “tantas” reforça a ideia de abundância desejada, contrastando com a realidade contida num “tom baixo”. A expressão “um só nada meigo” funciona como metáfora de intimidade mínima, quase impercetível, sugerindo confidência sussurrada.

A segunda estrofe — “São tantos, tantos os beijos que eu queria que fossem… / Eram feitos em vão de um baralho de bocas rubras.” — intensifica o campo sensorial. A imagem do “baralho de bocas rubras” é forte e inesperada, aproximando o poema de um registo surrealista. A ideia de “em vão” reforça a frustração, sugerindo que o desejo não se concretiza ou se dispersa.

A terceira estrofe — “É tanto, tanto o olhar que eu queria que fosse… / Era visto lentamente num monte de névoa fria” — desloca o foco para a visão. A “névoa fria” introduz distância e incerteza, criando uma atmosfera de suspensão. O olhar desejado é filtrado por essa névoa, o que reforça a impossibilidade de clareza ou proximidade.

A quarta estrofe — “Eram tantos, tantos os sons que eu queria que fossem… / Eram sons de euforia que na fogueira dançavam lentamente.” — mistura elementos auditivos e visuais. A “fogueira” sugere calor e movimento, enquanto “dançavam lentamente” cria contraste entre euforia e lentidão. A imagem é eficaz, aproximando o poema de um registo imagético quase ritual.

A quinta estrofe — “Eram tantas, tantas as cores que eu queria que fossem… / Eram mortas de paixão que salta no sítio onde estamos.” — apresenta tensão semântica: “cores mortas de paixão” combina morte e intensidade, criando ambiguidade. A expressão “paixão que salta” sugere movimento súbito, mas o verso mantém certa irregularidade sintática. Ainda assim, a imagem reforça o campo emocional do poema.

A estrofe final — “É tanto, tanto o amor que eu queria que fosse… / Era posto à solta até que alguém nele tropeçasse e o levasse para lá do sempre.” — encerra o texto com amplitude simbólica. A ideia de amor “posto à solta” sugere liberdade e vulnerabilidade, enquanto “tropeçasse” introduz acaso. A expressão “para lá do sempre” aproxima o poema de um registo metafísico, ampliando o horizonte temporal e emocional.

O texto inscreve-se num estilo lírico‑surrealista contemporâneo, marcado por repetição estrutural, imagens inesperadas e tensão entre desejo e impossibilidade. A força do poema reside na cadência insistente e na construção de imagens que oscilam entre o sensorial e o onírico. As fragilidades surgem em algumas construções sintáticas ambíguas e em choques semânticos que podem parecer excessivos, mas que se mantêm coerentes dentro da estética adotada. O conjunto apresenta unidade rítmica e imagética, sustentada por um tom melancólico e contemplativo.

Criado em: Hoje 7:31:48
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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