515. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Nuno Duro.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Nuno Duro. Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Na solidão do recanto talvez no campo,
Pensativo na tarde, em sol quente,
Em que na altura o contingente,
Talvez numa época recente,
Partiu na tarde, em que já não era sol quente,
O vento soprava, baixinho,
Onde a tarde caiu,
E a noite apareceu,
Solitária como em outras, noites
Onde o pensamento,
Esta sempre presente,
No sol e na lua,
No dia e na noite,
No abrir e no, reabrir de uma página,
No abrir e fechar de olhos,
Adormeci.


Num lugar longínquo,
Em que a sombra não se via,
Em que a maré não subia,
Em que a estrela não brilhava.
Era o lugar, que eu via,
Não havia magia nem alegria,
Era o que eu sentia,
Era menos que a emoção, ou talvez desilusão,
Era paz ,ou talvez inferno,
Era eu em pleno inverno,
O frio vinha e eu voltava, e o vento soprava,
E eu, não demorai, a ver que ali já não estava.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=22357 © Luso-Poemas

O poema desenvolve-se através de uma atmosfera contemplativa e sonhadora, estruturando-se em torno da solidão, da memória e da deslocação interior. A composição procura reproduzir o fluxo do pensamento, acompanhando a passagem do tempo entre tarde, noite, sono e sonho. A construção aproxima-se da prosa poética, embora mantenha a disposição em versos e uma intenção lírica evidente. O texto enquadra-se num lirismo introspectivo de matriz simbolista, onde os elementos da natureza e as variações do tempo funcionam como projeções do estado interior.

A primeira secção constrói uma paisagem de recolhimento. A repetição frequente de “tarde”, “sol”, “noite” e “pensamento” cria uma sensação circular, como se a consciência permanecesse presa ao mesmo núcleo emocional. Contudo, essa repetição nem sempre é controlada. Na sequência “Pensativo na tarde, em sol quente, / Em que na altura o contingente, / Talvez numa época recente, / Partiu na tarde, em que já não era sol quente”, a insistência no vocábulo “tarde” e na expressão “sol quente” enfraquece a progressão do texto, produzindo redundância em vez de reforço. Além disso, “contingente” surge como palavra pouco integrada semanticamente no contexto, parecendo escolhida mais pelo efeito sonoro do que pela precisão de significado.

Do ponto de vista gramatical, existem alguns problemas relevantes. Em “Esta sempre presente”, deveria surgir “Está sempre presente”. Na expressão “No abrir e no, reabrir de uma página”, a vírgula surge inadequadamente colocada. Há ainda oscilações de pontuação que interrompem o ritmo sem clara justificação estética. Estes elementos não inviabilizam a leitura, mas retiram consistência formal ao conjunto.

O momento em que o sujeito adormece marca uma transição eficaz para o plano onírico. A segunda parte apresenta um espaço indefinido e distante, construído por negações sucessivas: “Em que a sombra não se via, / Em que a maré não subia, / Em que a estrela não brilhava.” Esta estrutura cria uma sensação de suspensão e de ausência que combina bem com o tom meditativo. A repetição anafórica oferece unidade e uma musicalidade discreta.

A parte mais interessante do poema surge quando o espaço descrito deixa de ser um cenário exterior e passa a revelar-se uma projeção psicológica: “Era menos que a emoção, ou talvez desilusão, / Era paz, ou talvez inferno, / Era eu em pleno inverno”. Aqui aparece uma ambiguidade que enriquece o texto. A paisagem converte-se num estado interior, e a sucessão de opostos — paz e inferno, presença e ausência — cria uma tensão interpretativa mais rica do que a parte inicial.

O verso “E eu, não demorai, a ver que ali já não estava” apresenta um problema verbal significativo. A forma “demorai” não se enquadra corretamente na construção pretendida; o mais provável seria “demorei”. Este deslize perturba o encerramento de uma secção que, em termos de conteúdo, procura transmitir o regresso à consciência e a descoberta de que o lugar observado pertencia apenas à experiência interior.

Em termos estilísticos, o texto aproxima-se da prosa poética lírica com elementos simbolistas e contemplativos. O principal interesse reside na tentativa de transformar a paisagem exterior numa metáfora do estado mental. As fragilidades concentram-se sobretudo na repetição excessiva de determinados termos, em algumas opções lexicais pouco precisas e em erros gramaticais que poderiam ser corrigidos sem alterar a identidade do poema. Existe uma procura legítima de atmosfera e de introspeção, mas a composição beneficiaria de maior depuração verbal e de uma seleção mais rigorosa das imagens para alcançar maior densidade expressiva.

Criado em: Hoje 9:26:39
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