524. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Adriana Mallet.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Adriana Mallet. Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

LIBERDADE É ESTAR EM SEUS BRAÇOS,
É TER VOCÊ PARA AMAR,
BEIJAR SEU CORPO NU,
ARDER DE DESEJO ...
OLHAR EM SEUS OLHOS E SENTIR AMOR.
LIBERDADE É SER FELIZ...
É VIAJAR EM MEUS PENSAMENTOS...
É SORRIR SOZINHA, QUANDO PENSO EM VOCÊ.
VIVER SEM ME ABSTER.
SONHAR COM UM FUTURO PARA NÓS...
É TER FÉ E DERRUBAR BARREIRAS INTRANSPONÍVEIS.
É SABER QUE EM PEQUENOS PASSOS,
NOS ALÇAMOS AO CUME...
LIBERDADE É, RESPEITAR TUDO E TODOS.
É APRENDER A OUVIR...
SILENCIAR AOS PORQUÊS DA VIDA...
É APRENDER ESPERAR POR RESPOSTAS...
É ENSEJAR O LADO BOM DE TUDO.
LIBERDADE É, ACREDITAR EM SI MESMO
ASSIM NINGUÉM O IMPEDIRÁ DE VIVER E SER FELIZ...
HOJE ENTENDI,
QUE O SEU AMOR ME LIBERTA DE TODA DOR...
NO SEU ABRAÇO ENCONTRO MINHA PAZ.
NO SEU SORRISO ESTÁ MINHA ALEGRIA DE VIVER...
LIBERDADE É AMAR VOCÊ.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=22921 © Luso-Poemas

Em vez de apresentar a liberdade como independência, apresenta-a como entrega afetiva, confiança e realização emocional. Esta inversão constitui o eixo temático da composição e determina todo o seu desenvolvimento. A estrutura assenta na repetição de “Liberdade é...”, recurso anafórico que organiza o discurso e cria um ritmo declarativo, quase meditativo, embora por vezes se aproxime do tom de manifesto sentimental.

Logo nos primeiros versos, “Liberdade é estar em seus braços” e “Liberdade é ser feliz”, o conceito é deslocado para a esfera amorosa. A construção é clara e coerente, mas assenta em afirmações mais explicativas do que propriamente poéticas. A sequência “Beijar seu corpo nu, / Arder de desejo...” introduz uma dimensão sensorial que procura concretizar o sentimento, embora o texto rapidamente regresse a abstrações como felicidade, fé, paz e alegria. Esta alternância entre o concreto e o abstrato é constante ao longo da composição.

Do ponto de vista gramatical e ortográfico, existem aspetos a corrigir. “Direcção”, caso aparecesse na norma pré-acordo, exigiria consistência gráfica, mas aqui surgem problemas mais evidentes. A expressão “em direcção á felicidade”, presente em textos anteriores do mesmo universo temático, encontra paralelo nesta composição através de algumas construções menos rigorosas. Em “É aprender esperar por respostas”, falta a preposição “a”, sendo mais correto “É aprender a esperar por respostas”. Surge também uma vírgula desnecessária em “LIBERDADE É, RESPEITAR TUDO E TODOS” e em “LIBERDADE É, ACREDITAR EM SI MESMO”. A pontuação apresenta alguma irregularidade, com uso abundante de reticências que procuram sugerir continuidade emocional, mas acabam por enfraquecer a cadência do texto.

A parte central desenvolve uma visão ética da liberdade: respeitar, ouvir, esperar, procurar o lado positivo das situações. Trata-se de um desdobramento interessante, porque alarga o conceito para além da dimensão amorosa. No entanto, a passagem entre o amor romântico e a reflexão moral faz-se de forma muito direta, sem imagens intermediárias que articulem os dois níveis do discurso. O resultado aproxima-se por momentos da escrita motivacional.

A afirmação “Hoje entendi, / Que o seu amor me liberta de toda dor” constitui o momento de síntese conceptual do poema. A partir daqui, a composição abandona qualquer tentativa de definição universal e assume uma perspetiva inteiramente pessoal. O abraço torna-se sinónimo de paz e o sorriso converte-se em fonte de alegria. Estas imagens são compreensíveis e emocionalmente acessíveis, mas pertencem a um repertório muito recorrente na poesia amorosa, não acrescentando uma perspetiva particularmente singular ao tema.

O verso final — “LIBERDADE É AMAR VOCÊ” — encerra a composição de forma coerente com a ideia inicial. O texto funciona quase como uma demonstração dessa conclusão, apresentando sucessivos argumentos emocionais até reduzir o conceito de liberdade ao vínculo amoroso. Existe unidade temática e não há desvios significativos do assunto principal.

Em termos estilísticos, o texto enquadra-se na poesia lírica sentimental de caráter reflexivo, com fortes aproximações à prosa poética motivacional. A composição privilegia a comunicação direta de sentimentos e valores sobre a construção imagética ou a elaboração metafórica complexa. A principal força do texto reside na coerência da sua proposta conceptual e na clareza da mensagem transmitida. As fragilidades encontram-se sobretudo na repetição de imagens e ideias muito consolidadas na tradição sentimental, na presença de algumas incorreções sintáticas e numa tendência para explicar emoções em vez de as sugerir. Ainda assim, mantém unidade discursiva e desenvolve de forma consistente a sua visão particular da liberdade.

Criado em: Hoje 19:56:04
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