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Outras Editoras : SONETOS 2015
Enviado por RicardoC em 16/03/2017 15:58:20 (117 leituras)
 
Preço unitário:
1,00 Euros
Outras Editoras

Reunião dos sonetos escritos pelo autor ao longo do ano de 2015.



À GUISA DE PREFÁCIO

As páginas seguintes apresentam a reunião dos sonetos escritos ao longo do ano de 2015. Até aí, nenhuma surpresa: O título é claro quanto a isso. Todavia, senti necessário prefaciar este livro na esperança de proporcionar algum apoio ao leitor que empreende a interpretação das linhas dispersas por este opúsculo. E a primeira advertência é justamente essa, ou seja, trata-se de um opúsculo; uma pequena obra. Tendo em vista a economia de papel e tinta, a diagramação reúne dois sonetos por página, o que nos permitiu imprimi-lo como um livreto barato, ainda que com uma fonte sofrivelmente pequena e monótona. Peço que me perdoe a avareza, mas os tempos que correm não permitem as velhas comodidades a que os leitores de poesia estavam acostumados. Não, este não é um belo códice protegido por encadernações austeras e letras douradas... Tampouco as folhas em papel-bíblia ou ornadas por alguma diagramação sofisticada mais ilustrações em água-forte de quando em quando. Infelizmente, se os sonetos quedarem ruins aos olhos do leitor, este não terá sequer o consolo de ornar sua estante com letras tão humildes. Sem embargo, é deste modo que o presente opúsculo se oferece aos olhos do leitor: Um humilde livro de versos.

Forçoso é mencionar que o presente livro faz parte de uma série de volumes de Sonetos que escrevi nos últimos vinte e cinco anos. Trata-se do volume nono de um total provisório de dez tomos que me propus a revisar no momento tendo em vista esta pré-edição para a publicação como e-book. A esse esforço de digitação, revisão e edição de originais manuscritos eu denominei “COLEÇÃO ESPÓLIO LITERÁRIO”. O leitor me perdoe se lhe parece um tanto mórbido esse tratamento de meus textos, mas não como se trata de textos revisitados – alguns já muito antigos, inclusive – o sentimento que me animava era, não raro, o de um editor diante da obra de um poeta morto. De facto, muitos dos poemas que encontrei em meio à papelada que se acumulou em gavetas de escrivaninha e caixotes de cadernos eu não tinha a mais vaga lembrança de haver escrito... No entanto, estavam ali! E conservados com minha caligrafia e assinatura. Evidente que, como coisa minha e inédita, eu lhes dei o tratamento que me aprouve segundo meu senso actual. Há quem veja nisso um flagrante desrespeito ao poeta que fui pelo editor que sou (ou que me improviso...), no que não concordo de forma alguma. Afinal, não seria capaz de apresentar à apreciação do leitor contemporâneo algo que eu mesmo não leria com prazer. Entre revisar e rasgar o poema antigo, ora optei por essa e ora por aquela actitude, tendo em vista oferecer sempre um texto que merecesse mesmo ser lido.

Não deve o leitor procurar um fio guia além do recorte temporal que orienta a reunião dos poemas. Se acaso encontrar algo que sugira um enredo ou vaga evolução de estados de espírito do autor ao longo dos dias do ano, advirto que dispus os poemas em ordem alfabética e não cronológica. Não há possibilidade, portanto, de se aferir o que quer que seja a partir de uma leitura linear, isto é, da primeira à última página. Aliás, desencorajo o leitor a se propor qualquer outra linha consciente de leitura: Não será de grande valia... Escrevo isso, na esperança de tornar mais fluida a leitura e ainda em respeito à sensibilidade do leitor

Acredito que o poema — enquanto obra-de-arte, ao menos — não deva carecer de qualquer informação exterior ao mesmo para ser lido, sob pena de não ser interpretável sem as muletas de notas e mais notas explicativas. Penso que seria subestimar o leitor ao direcionar-lhe a leitura por meio de notas. De qualquer forma, qualquer dificuldade de leitura é actulmente sanada com facilidade com a consulta de ferramentas de busca. Ilustrar ou comentar uma obra limita a capacidade do leitor em pesquisar assuntos ou aprofundar conceitos mencionados pelo texto poético. Como se vê, assim como desejo que respeitem a minha inteligência, tento respeitar a inteligência de todos.

O prazer que a leitura oferece é tanto maior quanto mais direta for sua apreciação. Confesso ao leitor que não tenho qualquer outra ambição a publicação desses sonetos senão de proporcionar um modesto prazer intelectual. Prometer ou pretender mais do que isso seria, ao meu ver, uma ilusão perigosa. Poemas não têm valia enquanto fonte de conhecimentos ou registros fidedignos. São antes impressões condensadas na mente expressas em versos apenas pela conveniência do autor. Não têm qualquer valor metafísico, filosófico ou científico... A única vantagem que me ocorre agora em se ler algo tão caprichoso quanto uma reunião de sonetos como a que se tem nas mãos é que o leitor nada perde em abandonar sua leitura pela metade, haja vista que não se tem um enredo, uma síntese ou sequer uma conclusão para ser cotejada ao final da obra.

É com essa ideia rasteira e despretenciosa que ratifico ao leitor o convite de empreender sua leitura, sublinarmente feito desde a capa... Sim, leia-o! Leia o livro com seus cento e vinte e sete sonetos! Ou senão, se calhar enfadonho, pince os sonetos ao léu ou do modo que lhe aprouver.

Seja como for, apenas leia.

É isso.

Ricardo Cunha Costa, o autor.

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