Técnica para Prosa Moderna, segundo Jack Kerouac |
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2/6/2008 9:23 De Lisboa (arredores)
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No blogue do genial ilustrador João Pinheiro (brasileiro), numa secção dedicada a Jack Kerouac, algumas dicas para futuros escritores:
"Técnica para Prosa Moderna, uma lista de 30 conselhos “essenciais” de Jack Kerouac. Em tradução livre (de Amália Pimentel), seguem alguns deles: • Rabisque anotações secretas e páginas dactilografadas com selvajaria, para sua própria diversão. • Esteja disposto a tudo, aberto, prestando atenção. • Seja apaixonado pela própria vida. • Escreva o que você profundamente desejar, do mais profundo de sua mente. • Remova inibições literárias, gramaticais e sintácticas. • Como Proust, seja um viciado no tempo. • Escreva em homenagem e admiração por si mesmo. • Aceite suas perdas. • Acredite na linha sagrada da vida . • Não tenha medo ou vergonha da dignidade da sua experiência, sua língua e seu conhecimento. • Redija de forma selvagem, indisciplinada, pura, que venha de dentro, quanto mais louca melhor." Saiu daqui: http://visoesdejackkerouac.blogspot.com/ Enfim, só vos quero ajudar. Um abraço, Carlos Teixeira Luís.
Criado em: 13/1/2012 12:34
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Re: Técnica para Prosa Moderna, segundo Jack Kerouac |
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Da casa!
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Parece-me que os pontos primeiro e último são exatamente o que a maioria dos internautas faz hoje, ainda que sem o talento de Kerouac ou sem ser secreto para o rápido consumo de uma sociedade vouyerista.
Em todo caso, temo ser o caso de se repensar se um escritor de 50+ anos atrás que fala em datilografia ao invés de digitação ainda deve ser considerado moderno... rs
Criado em: 13/1/2012 13:41
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Re: Técnica para Prosa Moderna, segundo Jack Kerouac |
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Boa tarde Umav,
não se (te) preocupe (s) com a actualidade da escrita de Jack Kerouac (apesar duma grande loucura, pode-se aprender bastante com ele), aqui no Luso, a grande maioria dos poetas ainda não sairam do séc. XIX e os prosadores, só um ou outro é pós-guerra. Depois não há Literatura Beat (não concordo com o rótulo mas é o mais conhecido) em Portugal. Não é que este género (sendo-o) é um alvo a atingir mas acredito na Literatura desempoeirada e directa, inclusive minimalista. No meio daquela loucura, jovialidade naif e pura influência química e bourbonesca, há relevâncias. Saibamos usá-las para nosso proveito técnico. Há um lado fresco e com humor, selvagem e pleno de romantismo por uma sociedade que desaparecia a olhos vistos e que hoje já não existe, que me agrada e de vez em quando lembro-me de Jack Kerouac, gosto também de Lawrence Ferlinghetti, da franqueza de Ginsberg e pouco mais. Um abraço, Carlos T. Luís.
Criado em: 13/1/2012 16:13
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Re: Técnica para Prosa Moderna, segundo Jack Kerouac |
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Da casa!
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Eu me pergunto o que seria sair do século XIX. Escrever sonetos hoje seria estar no século XIX? Será que o pessoal daquela época achava sonetistas antiquados? "Este poeta cheira a um livro de Camões"...
Poesia é atemporal. Não são descritos eventos (exceto em épicos narrativos em versos), mas sim desejos e sensações subjetivas. Tirando a linguagem e uma ou outra referência a príncipes ou celulares, fica impossível estabelecer ser um poema de uma época em particular. Ou será que a marca que distingue nossa época é o caos? Música atonal, pintura abstrata, versos livres e brancos... seria isto a ser moderno? Porque é bastante provável que ruídos sem escalas tenham sido das primeiras formas musicais, rabiscos desordenados as primeiras tentativas pictóricas e, muitos milênios depois, Homero cantava em rapsódias seus épicos em versos brancos. Moderno é viver hoje e de hoje falar, não importa a forma empregada...
Criado em: 13/1/2012 19:23
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Re: Técnica para Prosa Moderna, segundo Jack Kerouac |
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2/1/2011 21:31 De Xangri-lá
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Tenho seguido com alguma atenção os seus escritos que denotam sobretudo não só preparo mas também temas que podem ajudar quem lê quem escreve até proporcionando futuras procuras individuais para outros horizontes outras leituras.
Raymond Chandler, e por mais que os puristas digam que a literatura policial é um género de literatura inferior (eu não o acho, apenas opiniões), escreveu “escritor que detesta escrever, que não tem alegria na criação de mágica com as palavras, para mim simplesmente não é um escritor” Parece-me que esta frase define o escritor moderno , como o conhecimento da Língua, como o conhecimento do vocabulário, porque é com esse conhecimento que se pode redigir “de forma selvagem, indisciplinada, pura, que venha de dentro”, quanto ao “mais louca melhor” coloco algumas reticências”. Porque não sei o que é escrever com loucura. Como acabei de ler o “Cemitério de Praga” de Umberto Eco, onde apesar da loucura das personagens,dos complots, assassinato, falsificações, jesuítas, judeus, maçons, a escrita do autor obriga o leitor a ter alguns conhecimentos sobre a língua, a escrita, a história, até mesmo o estilo clássico e não moderno dessa mesma escrita, será esta a loucura? E que dizer da “Viagem do Elefante” um texto circunscrito a um determinado periodo histórico, onde toda a modernidade da escrita de Saramago está presente? Será esta a loucura? Quanto ao resto são opiniões que respeito, podendo discordar, pois cada um tem a sua própria técnica de escrever. Por vezes penso naquele que escreveu “secánevassefaziassecáski, e como é diferente de escrever “se cá nevasse fazia-se cá ski”. É como este meu comentário que começou sem virgulas há quem diga que servem para respirar e acaba da mesma maneira será loucura modernidade ou ambas? Para mim apenas é um comentário. Obrigado. Abraço-te
Criado em: 14/1/2012 3:07
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"Floriram por engano as rosas bravas No inverno:veio o vento desfolha las..." (Camilo Pessanha) http://ricardopocinho.blogspot.com/ |
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Re: Técnica para Prosa Moderna, segundo Jack Kerouac |
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2/6/2008 9:23 De Lisboa (arredores)
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Bom dia,
grato pelos comentários, ricos em pormenores, relevantes e melhor discordam sábiamente. Não vou contestar apenas acho que contribuem para enriquecer este pequeno lembrete para prosadores de Jack Kerouac - a quem aconselho ler On The Road, Tristessa, etc - há vários traduzidos para português, quer do Brasil quer de Portugal. Um abraço a Amav e Transversal (gosto imenso de Raymond Chandler, já li quase tudo em português, principalmente com o personagem Philip Marlowe, a Dama do Lago, O Imenso Adeus, é muito mais do que mera Literatura Policial como escreveu). Bem hajam, Carlos Teixeira Luís.
Criado em: 16/1/2012 10:51
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