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Re: sobre o aspecto da página inicial
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Tem sido tantos os bin Laden desde que estou no luso e antes, que mais um menos um, mas onde está a qualidade literária, está num nicho muito pequenino por entre as casas das tias,isso deixou de ser relevante com a continua enchente de gente que encontrou nas rimas um passatempo para a inutilidade dos dias em que vivemos. Agora o mural sim esse é o sopé do lixo. Ó Trabis corta o mural, ou então põe regras na coisa.

Criado em: 21/5/2014 10:15
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Era tão fácil a poesia evoluir, era deixa-la solta pelas valetas onde os cantoneiros a pudessem podar, sachar, dilacerar, sem que o poeta ficasse susceptibilizado.

Duas caras da mesma moeda:

Poetamaldito e seu apêndice ´´Zulmira´´
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Re: sugestão para crítica aos textos/poemas
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Mais uma achega. Poesia não é só rima...encontram a analise na integra aqui.

Carlos Drummond de Andrade: Um Crítico Picante

Consideração do poema
Não rimarei a palavra sono/com a incorrespondente palavra outono./Rimarei com a palavra
carne/ou qualquer outra, que todas me convêm./As palavras não nascem amarradas,/elas
saltam, se beijam, se dissolvem,/no céu livre por vezes um desenho,/são puras, largas,
autênticas, indevassáveis.
Uma pedra no meio do caminho/ou apenas um rastro, não importa./Estes poetas são meus.
De todo o orgulho,/de toda a precisão se incorporam/ao fatal meu lado esquerdo. Furto a
Vinicius/sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo./Que Neruda me dê sua
gravata/chamejante. Me perco em Apollinaire. Adeus, Maiakovski.
São todos meus irmãos,/não são jornais/nem deslizar de lancha entre camélias:/é toda a
minha vida que joguei.
Estes poemas são meus. É minha terra/e é ainda mais do que ela. É qualquer homem/ao
meio-dia em qualquer praça. É a lanterna/em qualquer estalagem, se ainda as há./– Há
mortos? há mercados? há doenças?/É tudo meu. Ser explosivo, sem fronteiras,/por que falsa
mesquinhez me rasgaria?/Que se depositem os beijos na face branca, nas principiantes
rugas./O beijo ainda é um sinal, perdido embora,/da ausência de comércio,/boiando em
tempos sujos.
Poeta do finito e da matéria,/cantor sem piedade, sim, sem frágeis lágrimas,/boca tão seca,
mas ardor tão casto./Dar tudo pela presença dos longínquos,/sentir que há ecos, poucos,
mas cristal,/não rocha apenas, peixes circulando/sob o navio que leva esta mensagem,
e aves de bico longo conferindo/sua derrota, e dois ou três faróis,/últimos! esperança do mar
negro./Essa viagem é mortal, e começa-la./Saber que há tudo. E mover-se em meio a
milhões e milhões de formas raras,/secretas, duras. Eis aí meu canto.
Ele é tão baixo que sequer o escuta/ouvido rente ao chão. Mas é tão alto/que as pedras o
absorvem. Está na mesa aberta em livros, cartas e remédios./Na parede infiltrou-se. O
bonde, a rua,/o uniforme de colégio se transformam,/são ondas de carinho te envolvendo.
Como fugir ao mínimo objeto/ou recusar-se ao grande? Os temas passam,/eu sei que
passarão, mas tu resistes,/e cresces como fogo, como casa,/como orvalho entre dedos,
na grama, que repousam. 3

Já agora te sigo a toda parte,/e te desejo e te perco, estou completo,/me destino, me faço tão
sublime,/tão natural e cheio de segredos,/tão firme, tão fiel... Tal uma lâmina,/o povo, meu
poema, te atravessa
(DRUMMOND, 1974, ps. 75 e 76).

2
Procura da poesia

Não faças versos sobre acontecimentos./Não há criação nem morte perante a poesia;/Diante dela a
vida é um sol estático, /não aquece me ilumina./As afinidades, os aniversários, os
incidentes/pessoais não contam./Não faças poesia com o corpo,/esse excelente, completo
e/confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro/são indiferentes./Nem me reveles
teus sentimentos,/que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem./O que pensas e
sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz./O canto não é o movimento das máquinas nem o
segredo das casas./Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha
de espuma.
O canto não é a natureza/nem os homens em sociedade./Para ele, chuva e noite, fadiga e
esperança nada significam./A poesia (não tires poesia das coisas)/elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,/não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças./Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,/vossas mazurcas e abusões,
/vossos esqueletos de família/desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas/tua sepultada e merencória infância./Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação./Que se dissipou, não era poesia./Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras./Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,/há calma e frescura na superfície intata./Ei-los sós
e mudos, em estado de dicionário./Convive com teus poemas, antes de escrevê-los./Tem
paciência se obscuros. Calma, se te provocam./Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra/e seu poder de silêncio./Não forces o poema a desprender-se do
limbo./Não colhas no chão o poema que se perdeu./Não adules o poema. Aceita-o/como ele
aceitará sua forma definitiva e concentrada/no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras./Cada uma/tem mil faces secretas sob a face
neutra/e te pergunta, sem interesse pela resposta,/pobre ou terrível, que lhe deres:/Trouxeste
a chave?
Repara:/ermas de melodia e conceito/elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,/rolam num rio difícil e se transformam em desprezo
(DRUMMOND, 1974, ps. 76 e 77).

http://www.ciencialit.letras.ufrj.br/ ... evinicius_experiencia.pdf

Criado em: 6/5/2014 11:11
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Re: sugestão para crítica aos textos/poemas
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De Vila Viçosa
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Talvez ajude os egos mais alterados. Deixem de catar coquinhos porque isso não leva a nada, todos os que se dedicam à escrita
com dedicação, tem dias que escrevem grandes merdas e noutros escrevem com sentido, uma coisa leva à outra.
Não é por as rimas estarem alinhadinhas, as silabas no seu devido lugar que um poema é bom e sim pela mensagem que deixa na interpretação de cada um, ás vezes leio poemas alinhados, mas o vazio deixado pela leitura é abismal, contudo estava tudo no seu devido lugar.

Citando Fernando Pessoa, o génio que também escreveu textos mais ou menos, mas que num todo fazem uma grande obra.Principalmente pela mensagem e pelas interrogações que pairam em tudo o que escreveu.

A Inutilidade da CríticaQue a obra de boa qualidade sempre se destaca é uma afirmação sem valor, se aplicada a uma obra de qualidade realmente boa e se por "destaca" quer-se fazer referência à aceitação na sua própria época. Que a obra de boa qualidade sempre se destaca, no curso de sua futuridade, é verdadeiro; que a obra de boa qualidade, mas de segunda ordem sempre se destaca na sua própria época, é também verdadeiro.
Pois como há-de um crítico julgar? Quais as qualidades que formam, não o incidental, mas o crítico competente? Um conhecimento da arte e da literatura do passado, um gosto refinado por esse conhecimento, e um espírito judicioso e imparcial. Qualquer coisa menos do que isto é fatal ao verdadeiro jogo das faculdades críticas. Qualquer coisa mais do que isto é já espírito criativo e, portanto, individualidade; e individualidade significa egocentrismo e certa impermeabilidade ao trabalho alheio.
Quão competente é, porém, o crítico competente? Suponhamos que uma obra de arte profundamente original surja diante dos seus olhos. Como a julga ele? Comparando-a com as obras de arte do passado. Se for original, porém afastar-se-á em alguma coisa — e quanto mais original mais se afastará — das obras de arte do passado. Na medida em que o fizer, parecerá não se conformar com o cânone estético que o crítico encontra firmado no seu pensamento. E se a sua originalidade, em vez de jazer num afastamento daqueles velhos padrões, encontra-se num uso deles em linhas mais rigorosamente construtivas — como Milton usou os antigos — aceitará o crítico esse melhoramento como melhoramento, ou como imitação o uso daqueles padrões? Verá mais o construtor do que o utilizador de materiais de construção? Por que deveria ele fazer uma coisa em vez de a coisa melhor? É, de todos os elementos, a construtividade o mais difícil de determinar numa obra... Uma fusão de elementos do passado: verá o critico a fusão dos elementos?
Persuadir-se-ia alguém de que se fossem publicados hoje o Paraíso Perdido, ou Hamlet, ou os Sonetos de Shakespeare e de Milton, lograriam eles cotação acima da poesia de Kipling ou de Noyes, ou a de qualquer outro cavalheiro semelhantemente quotidiano? Se alguém se persuadisse disso, seria um louco. A expressão é curta (?), não doce, mas pretende-se que seja apenas verdadeira.
De todos os lados ouvimos o clamor de que o nosso tempo necessita de um grande poeta. O vazio central de todas as modernas realizações é uma coisa mais para se sentir do que para ser falada. Se o grande poeta tivesse de aparecer, quem estaria presente para descobri-lo? Quem pode dizer se ele já não apareceu? O público leitor vê nos jornais notícias das obras daqueles homens cuja influência e camaradagens tornaram-nos conhecidos, ou cuja secundariedade fez que fossem aceitos pela multidão. O grande poeta pode já ter aparecido; a sua obra teria sido noticiada nalgumas poucas palavras de vient-de-paraître em algum sumário bibliográfico de um jornal de crítica.

Fernando Pessoa, in 'Ideias Estéticas - Da Literatura'

Criado em: 6/5/2014 10:49
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Re: Não sendo youtube, como subir um video ou foto?
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8/12/2008 15:15
De Vila Viçosa
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Acho que era uma boa ferramenta para o site, muitos de nós temos vídeos de eventos ligados à poesia que não podemos divulgar aqui, ou temos pagina no youtube ou nada feito, porque não à semelhança de outros portais criar essa ferramenta. Podia existir um espaço próprio aqui no forum para tal.

Criado em: 29/4/2014 13:30
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Re: Artigos - Entrevistas
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8/12/2008 15:15
De Vila Viçosa
Mensagens: 3906
Concordo com as palavras do Srimilton tanto no assunto entrevistas como no destaque do forum, quanto à cor, o vermelho vinha mesmo a calhar, rsrs.

Criado em: 22/4/2014 14:53
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Re: Um fio cada vez mais fino
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8/12/2008 15:15
De Vila Viçosa
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Gostei muito do que li.

Criado em: 17/4/2014 16:52
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Re: TRABIS FECHA O FÓRUM E FAZ UM MURAL?
Colaborador
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8/12/2008 15:15
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´´Só sei que cansei de lutas, de verdades e de (c)egos. Quero sonhar, quero que me deixem sonhar, quero que dêem liberdade aos outros de sonhar e quero fazê-lo aqui, no lugar onde pela primeira vez adormeci.´´

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/ne ... ype=&mode=0#ixzz2z91QNF9Y

Desculpa Trabis mas pego nas tua palavras, pois também me emocionei ao ler, sempre soube o motivo da tua ausência, cheguei a tocar no assunto ao de leve numa altura em que os ânimos andavam mais exaltados, mas achei que devia manter o recato quanto ao assunto e mantive-me na sombra, pois como a Helena também eu me exalto com facilidade. Como dizes os dois administradores fizeram o melhor que sabiam, não da melhor maneira, nem o melhor para o luso, mas temos que agradecer pelo esforço despendido. Que este seja o virar da página no Luso, e na tua vida. Este site merece e precisa muito do pai que um dia o sonhou e pôs em prática. O melhor site de poesia na Net, que o foi e continua a ser pois nas prateleiras do fórum, nas páginas dos autores, os mais novos no site e os mais velhos,está a prova de que quando o ser humano sonha o belo acontece. Com todos os desentendimentos, ego incompreendido, sei lá mais o quê.
O luso é de todos nós e nas diferenças se constrói a união.

Criado em: 17/4/2014 13:18
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Re: sugestão para crítica aos textos/poemas
Colaborador
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8/12/2008 15:15
De Vila Viçosa
Mensagens: 3906
Ó minha nossa senhora, isto é como procurar o sexo nos anjos, já pensaram que há séculos que os poetas discutem se o que o outro escreve é poesia ou não, já pensaram nas alterações que a escrita teve ao longo do tempo em forma e conteúdo. E o mais importante, é na livre criação sem intervenção de outrem que os verdadeiros sobrevivem, no meio do trigo cresce sempre o joio e vice versa. Como é que um Tópico tão velhinho ainda circula quando outros já foram arquivados há tanto.

Criado em: 17/4/2014 10:06
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Re: TRABIS FECHA O FÓRUM E FAZ UM MURAL?
Colaborador
Membro desde:
8/12/2008 15:15
De Vila Viçosa
Mensagens: 3906
Também eu, isto é uma canseira de mau agoiro rsrsrs

Trabis tranca o tópico.

Criado em: 17/4/2014 9:58
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Re: Artigos - Jornal de poesia
Colaborador
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8/12/2008 15:15
De Vila Viçosa
Mensagens: 3906
Conta comigo no que precisares

Criado em: 16/4/2014 12:12
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