42. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - MJose. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de MJose.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. É urgente, Amar! Urgente, meu Amor, o toque frenético Dos teus dedos másculos Na incontida profusão dos meus sentidos sôfregos, Exultantes... Subitamente despertos e inflamados, Por inconfessáveis e impúdicos desejos, Agigantados pelos gritantes silêncios das mais frias noites Dos Invernos da vida! É urgente, ousar e transgredir! Urgente, meu Amor, que te detenhas, Doce e atenciosamente No meu olhar profundo e enigmático, De belas e estonteantes matizes... Como um imenso mar que, caprichosamente, se vai revelando Em serenos sobressaltos! E depois, meu Amor... Depois, lenta e languidamente, Urge, que vás descendo, Em desveladas carícias... Procurando refúgio através do meu corpo em chamas E que o aflores e percorras, Sem pressas... Terna, mas vertiginosamente, Até sentires que te afundas Na aveludada maciez da minha pele E que, centímetro a centímetro, Tomas de mim, o mel e o fel Dos mistérios, ainda por desvendar, Dos milenares segredos, ainda incólumes... Discretamente encobertos Pelas brumas remotas e sombrias de tempos imemoráveis, Desde a idade das Trevas... Aí então, meu Amor, É preciso que te ausentes e te esqueças de ti E que te entregues inteiro, De corpo e Alma, Até não saberes mais distinguir os limites que te perfilam E que entres em mim, Sem opor resistência... De uma forma total e absoluta, Até ao âmago do meu Ser... De tal modo que jamais nos seja possível descortinar No emaranhado perfeito e harmonioso de tão completa fusão, Os limites extemporâneos de dois corpos Que um dia, Isoladamente E ao difuso sabor do acaso Se lançaram, hesitantes... Mas ébrios de emoção, Na esplendorosa, aventura da descoberta do AMOR! Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=1216 © Luso-Poemas O poema organiza-se como uma sucessão de imperativos — “é urgente”, “urge”, “é preciso” — que funcionam como eixo rítmico e emocional. Essa insistência cria uma pulsação interna que pretende transmitir intensidade, mas também produz um efeito de redundância que, em certos momentos, dilui a força expressiva. A abertura, com a urgência do “amar”, estabelece de imediato um campo semântico ligado ao desejo, mas a acumulação de adjetivos e advérbios (“frenético”, “incontida profusão”, “sôfregos”, “exultantes”) aproxima-se de um excesso ornamental que tende a substituir a sugestão pela explicitação direta. A linguagem torna-se, assim, mais descritiva do que evocativa, o que reduz a tensão poética. A segunda secção do poema desloca o foco para o olhar, tentando criar uma pausa contemplativa. No entanto, a enumeração de qualificativos — “profundo”, “enigmático”, “belas e estonteantes matizes” — repete o mesmo mecanismo de intensificação lexical, sem introduzir uma imagem verdadeiramente singular. A metáfora do “mar que se vai revelando” é eficaz enquanto ideia de profundidade e movimento, mas o verso “em serenos sobressaltos” contém uma contradição interna que não se resolve poeticamente: “sereno” e “sobressalto” anulam-se mutuamente, sem gerar tensão produtiva. A terceira parte é a mais longa e onde o poema se expande em direção a um vocabulário mais explícito. Aqui, a dificuldade principal é o equilíbrio entre o campo semântico do corpo e a necessidade de manter densidade simbólica. A repetição de verbos de ação e de imagens corporais sucessivas cria um efeito de acumulação que, em vez de construir progressão dramática, produz uma linearidade descritiva. A tentativa de elevar o gesto a uma dimensão mítica — “mistérios”, “segredos milenares”, “brumas remotas”, “idade das Trevas” — introduz um contraste entre o concreto e o arcaico que poderia ser interessante, mas que acaba por soar desligado do resto do poema, como se pertencesse a outro registo. A última secção procura uma síntese espiritual — “de corpo e Alma”, “até ao âmago do meu Ser” — mas volta a recorrer a expressões já muito cristalizadas na poesia romântica e pós-romântica. A fusão dos corpos como metáfora da união absoluta é um motivo clássico, mas aqui surge formulado de modo demasiado literal, sem a ambiguidade ou a contenção que poderiam conferir-lhe maior densidade. O fecho, com a referência ao “acaso” e à “descoberta do amor”, tenta recuperar uma dimensão narrativa, mas a frase torna-se longa, com múltiplas vírgulas e encadeamentos, aproximando-se mais de um fluxo discursivo do que de uma construção poética controlada. Em conjunto, o poema revela intensidade emocional e um desejo de transcendência, mas tende a apoiar-se excessivamente em adjetivação, em imagens já muito usadas e em explicitação direta do desejo, o que reduz a força simbólica e a singularidade da voz poética. Uma maior contenção lexical, mais espaço para a sugestão e menos acumulação de qualificativos poderiam permitir que a emoção emergisse com mais subtileza e impacto.
Criado em: Hoje 8:29:34
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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