330. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Mario Piccarelli. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Mario Piccarelli.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Sempre que me vejo Penso o quanto me desejo A sorte de um doce beijo Goiabada, assim, com queijo Só me falta um cortejo Que ponha em prosa o que almejo Eu, você, num só festejo Timidez é meu manquejo A qual desfaço com gracejo E nossa vida já planejo Sonho até com o lugarejo E a cor azul do azulejo E é por isto que antevejo Que uso todo o meu traquejo Toco até o realejo Ou em cordas um arpejo Danço e mostro meu molejo Se é de antes que te elejo Inspiração do meu versejo No meu peito te protejo Te embalo e até bocejo Ou me acendo em relampejo Não adianta seu boquejo Se te amo e lacrimejo Assim, por esse amor vicejo Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=13724 © Luso-Poemas O poema é um exercício de virtuosismo sonoro, sustentado por uma sequência contínua de rimas em “‑ejo”, que funciona simultaneamente como estrutura formal e como elemento lúdico. A abertura — “Sempre que me vejo / Penso o quanto me desejo” — estabelece de imediato a autorreferencialidade do sujeito lírico, com uma construção sintática simples e correta. A rima interna reforça a musicalidade, embora a proximidade semântica entre “vejo” e “desejo” seja previsível. A sequência — “A sorte de um doce beijo / Goiabada, assim, com queijo” — introduz uma comparação inesperada, quase humorística, que desloca o poema para um registo híbrido entre lirismo e jogo verbal. A imagem da “goiabada com queijo” é coloquial, mas funciona como metáfora gustativa que reforça a leveza do tom. A estrofe seguinte — “Só me falta um cortejo / Que ponha em prosa o que almejo / Eu, você, num só festejo” — mantém a cadência rimada, agora com maior coesão temática. A construção é clara, embora a repetição constante da mesma terminação rímica crie uma sensação de previsibilidade que, apesar de intencional, reduz a variedade sonora. A frase “Que ponha em prosa o que almejo” é eficaz, mas permanece num plano literal. A secção — “Timidez é meu manquejo / A qual desfaço com gracejo” — apresenta uma construção sintática correta, embora “manquejo” seja um termo pouco usual, funcionando mais como adaptação forçada à rima do que como escolha lexical natural. Ainda assim, a oposição entre timidez e gracejo cria uma tensão interessante. A sequência — “E nossa vida já planejo / Sonho até com o lugarejo / E a cor azul do azulejo” — introduz imagens mais concretas. “Lugarejo” é um termo coloquial que reforça o tom leve, enquanto “a cor azul do azulejo” cria uma imagem visual precisa, embora não totalmente integrada no campo semântico do poema. A secção seguinte — “E é por isto que antevejo / Que uso todo o meu traquejo / Toco até o realejo / Ou em cordas um arpejo” — intensifica o jogo sonoro, agora com referências musicais. “Realejo” e “arpejo” são escolhas eficazes, embora claramente subordinadas à necessidade de manter a rima. A construção mantém fluidez, mas aproxima-se de uma enumeração de termos que servem mais à forma do que ao conteúdo. A estrofe — “Danço e mostro meu molejo / Se é de antes que te elejo / Inspiração do meu versejo” — reforça o caráter performativo do poema. “Versejo” é uma forma arcaizante, mas adequada ao jogo verbal. A frase “Inspiração do meu versejo” é clara, embora previsível. A secção — “No meu peito te protejo / Te embalo e até bocejo / Ou me acendo em relampejo” — apresenta uma alternância entre ternura e intensidade, embora a inclusão de “bocejo” crie uma quebra tonal que pode ser interpretada como humor ou como desvio rítmico. A construção é correta, mas a acumulação de rimas aproxima o poema de um exercício técnico. O fecho — “Não adianta seu boquejo / Se te amo e lacrimejo / Assim, por esse amor vicejo” — encerra o poema com uma síntese emocional. “Boquejo” é um termo raro, funcionando mais como adaptação à rima do que como escolha lexical natural. “Vicejo” é uma forma correta, embora pouco usada, que reforça a ideia de crescimento. O fecho mantém coerência com o tom geral, embora permaneça subordinado ao esquema rímico. Do ponto de vista formal, o poema apresenta correção ortográfica geral, sem deslizes relevantes. A sintaxe é clara, embora por vezes condicionada pela necessidade de manter a rima. O ritmo é marcado pela repetição insistente da terminação “‑ejo”, que cria musicalidade, mas também monotonia. O campo semântico é leve, centrado no desejo, na projeção afetiva e no jogo verbal, embora não apresente grande profundidade simbólica. A construção metafórica é mínima; o poema apoia-se mais na sonoridade do que na imagem. O estilo literário enquadra-se na lírica lúdica contemporânea, com traços de poesia de jogo fonético, marcada pela repetição rímica, pela leveza temática e pela exploração de palavras raras ou adaptadas para manter a cadência sonora.
Criado em: Hoje 19:47:02
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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