27. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Raul Los Dias. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Raul Los Dias.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Deixa mudar a lua Cair a chuva Soprar o vento Vir as flores Que a poesia hiberne Que as folhas caem Que os dias nublem Que venha o inverno E tudo se cale Que o cadáver desça E tudo seja lápide Que os céus desabem E o resto se mude Que o pano caia O público saia A casa fique vazia Nenhum burburinho No quintal Na sala As crianças durmam Os velhos chorem Que as borboletas lagartem Nos casulos A neblina que caia A inundação que tome Que a vida se lave Se neve Que haja saída Que o novo depois raie E o horizonte se aclare Na hora certa No tempo medido Que se salvem os feridos Que o arreio se parta E quem sabe A poesia retorne Que retome a jornada Que as flores abram-se Os perdões brotem As mágoas cessem E tudo se ache Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=681 © Luso-Poemas Este poema distingue‑se imediatamente dos anteriores pela estrutura anafórica (“Que…”), que cria um ritmo quase litúrgico, de invocação ou encantamento. Essa repetição funciona bem: dá unidade, dá cadência, e sobretudo dá a sensação de que o eu lírico está a tentar reorganizar o mundo através da linguagem. A primeira estrofe é forte: a sucessão de imagens naturais — lua, chuva, vento, flores — cria um ciclo de transformação que prepara o leitor para uma espécie de suspensão da poesia (“Que a poesia hiberne”). Aqui, o poema acerta: a ideia de hibernação poética é original e tem densidade simbólica. No entanto, logo a seguir surge “Que as folhas caem”, que deveria ser “caiam”; o erro verbal quebra a fluidez e denuncia falta de revisão, o que é pena num texto que aposta tanto na musicalidade. A sequência “Que o cadáver desça / E tudo seja lápide” é uma das imagens mais fortes do poema: há aqui uma coragem imagética que não se encontrava nos textos anteriores. Contudo, a seguir o poema perde alguma tensão quando passa para “Que o resto se mude”, expressão vaga, quase burocrática, que não acompanha a força do que vinha antes. A segunda estrofe, com o pano que cai e o público que sai, é eficaz: a metáfora teatral funciona como extensão do silêncio e do esvaziamento. Mas versos como “Nenhum burburinho / No quintal / Na sala” são demasiado literais; parecem notas de cenário mais do que construção poética. A imagem “Que as borboletas lagartem / Nos casulos” é interessante pela tentativa de inverter o ciclo, mas a palavra “lagartem” soa forçada, quase infantil, e não atinge o efeito de estranhamento que provavelmente procuravas. A terceira estrofe retoma o tom apocalíptico (“A inundação que tome”), mas aqui o poema começa a dispersar‑se: há muitas imagens, mas nem todas dialogam entre si. “Que a vida se lave / Se neve” é um bom momento — simples, sonoro, eficaz — mas logo se perde em frases mais genéricas como “Que haja saída”. A partir de “Que o novo depois raie”, o poema tenta encaminhar‑se para uma redenção, mas a transição é abrupta: falta um elo entre o caos e a esperança. O final, com a poesia a “retornar”, as flores a abrirem‑se e os perdões a brotarem, é coerente com a estrutura cíclica, mas peca por previsibilidade. A última frase — “E tudo se ache” — é bonita na intenção, mas vaga na execução; falta-lhe precisão semântica para fechar um poema que começou tão forte. Em síntese: este é o teu texto mais maduro até agora. Tem ritmo, tem estrutura, tem ambição imagética. O que está bom: a anáfora, a construção cíclica, algumas imagens realmente poderosas (“Que o cadáver desça”). O que precisa de evolução: revisão formal, evitar dispersão imagética, eliminar versos demasiado literais e trabalhar melhor a transição entre destruição e renascimento. Há aqui matéria para um poema excelente — falta apenas lapidação.
Criado em: Hoje 7:51:43
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