248. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Edna Schneider Lemos.
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24/12/2006 19:19
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Edna Schneider Lemos.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Hoje eu olhei sua foto
Cada detalhe me chamou atenção.
O sorriso no teu rosto eu noto
Sinto saudades de você minha paixão.

Sinto por você tanta ternura
Tanta emoção e tanto ardor
Que dirás que sou imatura
Ou que tenho muito amor.

Quando amamos de verdade
Seja em qualquer circunstância
Não importa a idade
Não importa a distância...

O que importa é o sentimento
É a forma de amar, é a química.
É a união de pensamentos
E nossa vida íntima.

Não importa o que pensam da gente
Que não combinamos
Ou que somos um casal “diferente”
O que importa é que nos amamos.

Mas hoje esta foto olhando
Sinto vontade chorar
Por que te amo tanto
E você tão longe está.
Sua Foto
Venha para meus braços.
Não deixemos o tempo passar
Vamos desfazer todos os laços
Que atrapalha a gente se amar.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=9526 © Luso-Poemas

O poema faz-se de uma simplicidade que não é ingénua: “Hoje eu olhei sua foto” estabelece de imediato o gesto íntimo, quase doméstico, que desencadeia toda a emoção subsequente. A construção é linear, mas não pobre; há uma cadência suave que se sustenta na alternância entre observação e sentimento. O verso “Cada detalhe me chamou atenção” é previsível, mas funciona como ponte para o sorriso, que é o verdadeiro centro da primeira estrofe. A saudade surge sem artifício, embora a expressão “minha paixão” aproxime o poema de um registo muito convencional da poesia amorosa, o que lhe retira alguma singularidade.

A segunda estrofe tenta elevar o sentimento através da ternura, do ardor e da emoção, mas a estrutura rimada — imatura / amor — cria um efeito quase escolar, que enfraquece a força emocional. Ainda assim, há honestidade na voz, e isso sustenta o texto mesmo quando a forma se aproxima do lugar‑comum. A estrofe seguinte, sobre idade e distância, mantém essa tendência: são temas clássicos, tratados de forma igualmente clássica, sem grande ousadia imagética. O poema não procura metáforas novas; prefere a clareza sentimental.

A quarta estrofe introduz a “química” e a “vida íntima”, mas sem carga erótica — apenas como afirmação de cumplicidade. É uma tentativa de aprofundar o vínculo, embora a linguagem permaneça genérica. O verso “É a união de pensamentos” tem força conceptual, mas merecia uma imagem que o tornasse mais concreto, mais vivo. A estrofe seguinte, sobre o julgamento alheio, é talvez a mais interessante: “um casal diferente” abre uma fissura social que poderia ser explorada com mais densidade, mas o poema opta por reafirmar o amor como resposta, sem tensionar o conflito.

O fecho retoma a fotografia inicial, criando um arco coerente. A vontade de chorar, a distância, o apelo “Venha para meus braços” — tudo isto é emocionalmente direto, sem camadas simbólicas. A última quadra tenta resolver o poema com uma espécie de súplica: desfazer os laços que impedem o amor. É um fecho que funciona pela sinceridade, mas não pela força poética; falta-lhe uma imagem que cristalize o sentimento, algo que permaneça para além da declaração.

No conjunto, o poema é honesto, transparente e coerente na sua progressão emocional. A fragilidade está na linguagem demasiado convencional, que raramente arrisca uma metáfora nova ou uma construção inesperada. A força está na voz que não se esconde: diz o que sente, sem ornamentos, e sustenta o texto pela autenticidade, mesmo quando a forma se aproxima do previsível.

Criado em: Hoje 18:53:01
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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