38. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - LucyNazaro. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de LucyNazaro.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Uma estrada se rasga num horizonte qualquer de vidas E vidas se constroem ladeando a estraga rasgada Enquanto no anoitecer enluarado dos dias Sonhamos na beira da vida, na beira da estrada. Sonhamos melancolias, sonhamos à revelia De nossas vontades, de nossas idades, de nossas veleidades E, enquanto sonhamos, a vida passa correndo pela estrada que foi rasgada E que traz e que leva gentes, tristes ou contentes E que nos observam, parado, na beira do caminho Escolhendo infinitamente a esquina a dobrar A encruzilhada a escolher, enquanto os outros se vão. Descobri que a estrada rasgada teve minhas mãos nela Nas picaretas, nas pás, nas enxadas, nas direções de caminhões Que fizeram as pontes e me ligaram a outros caminhos, coloridos, Direcionados para rurais estados, para capitais cidades Para universidades Para um mundo que eu mesma devo colorir Enquanto tenho mãos e tintas e olhos e vontade para pintar um sete Um dez ou um mil, quem sabe, de alegrias e amores e flores E família e bocas se beijando infinitamente Na descoberta do Amor! Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=1101 © Luso-Poemas Este poema abre-se como uma estrada que não é apenas geográfica — é uma superfície emocional onde o sujeito se vê, se perde e se reencontra. A imagem inicial, “Uma estrada se rasga num horizonte qualquer de vidas”, já traz uma vibração íntima: a estrada não é apenas caminho, é ferida, é abertura, é algo que se rasga e expõe. A partir daí, o poema instala uma tensão entre movimento e imobilidade, entre o que passa e o que permanece parado à beira do caminho. A melancolia que atravessa os versos não é pesada; é uma melancolia que respira, que se deixa sentir como bruma ao entardecer. “Sonhamos na beira da vida, na beira da estrada” é um dos momentos mais fortes: o poema coloca o sujeito num limiar, num lugar onde nada está decidido. A beira é sempre um espaço de desejo contido — não se entra, não se sai, apenas se observa. E é nessa observação que o poema encontra a sua pulsação mais íntima: o sonho que acontece “à revelia”, como se a própria consciência fosse ultrapassada por algo mais fundo, mais instintivo. A vida que “passa correndo pela estrada” contrasta com o sujeito que permanece parado. Essa imobilidade não é inércia; é uma espécie de espera carregada, como se o corpo estivesse pronto para um gesto que ainda não se cumpre. A escolha da “esquina a dobrar” e da “encruzilhada a escolher” reforça essa tensão: o poema vibra no instante antes da decisão, naquele ponto em que tudo é possível e nada está garantido. A viragem ocorre quando o sujeito descobre que a estrada “teve minhas mãos nela”. É um momento de revelação quase táctil: a estrada deixa de ser destino e torna-se obra. As ferramentas — picaretas, pás, enxadas — introduzem uma fisicalidade que aproxima o poema do corpo sem nunca o nomear. Há um prazer subtil na ideia de ter moldado o próprio caminho, de ter deixado marcas no mundo que agora se percorre. É aqui que o texto ganha calor: a criação da estrada é também criação de si. A enumeração dos destinos — “rurais estados”, “capitais cidades”, “universidades” — abre o poema para um horizonte de expansão. Mas o verso mais luminoso é o que afirma: “Para um mundo que eu mesma devo colorir”. Aí, o poema abandona a melancolia inicial e assume uma força nova, uma vontade que se sente quase na pele. As “mãos e tintas e olhos e vontade” compõem uma imagem de criação total, onde o corpo inteiro participa. O final, com “bocas se beijando infinitamente / Na descoberta do Amor!”, é o ponto onde o poema se permite um gesto mais aberto, mais quente. Não é um erotismo explícito — é uma celebração do encontro, da fusão, da alegria que nasce quando dois corpos se reconhecem. A líbido aqui é apenas um sopro, uma vibração discreta que atravessa a imagem sem a dominar. O elogio que merece: a construção gradual, a forma como o poema passa da contemplação à revelação, da beira da estrada à autoria do caminho. Há uma sinceridade luminosa, uma capacidade de transformar o quotidiano em metáfora vital. A linguagem é clara, mas nunca pobre; é directa, mas nunca simplista. A crítica necessária: alguns versos alongam-se mais do que precisam, perdendo um pouco da tensão que o início tão bem estabelece. Um ou dois cortes poderiam intensificar o impacto. Mas a respiração geral do poema mantém-se firme e coerente.
Criado em: Hoje 7:22:02
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