48. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - ângelaLugo. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de ângelaLugo.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Enquanto imaginava-te só, nada tinha para pensar ou talvez não quisesse imaginar-te com outra a seu lado. Abraçando-a, beijando-a, Acariciando. E no ímpeto, telefonei-lhe, sem aviso e quando ouvi aquela voz feminina emudeci, tamanha foi minha decepção, não havia pensado nesta possibilidade ou na verdade não queria admitir, então desliguei e procurei não pensar em nada. Mas a seguir percebi que seria muita ironia esquecer e não consegui mais deixar de pensar em você. Sei que não devo alimentar este amor que está se tornando impossível, mas que posso fazer se já estou amando-te mais do que posso mais do que devo. Agora que sei da existência de outra em sua vida, meu amor por você ficou enfurecido e o meu corpo está tremulo só de saber que um dia terei que deixar de amá-lo. Enquanto seu coração vibra de prazer o meu está agitado e chora infeliz por sua ausência. Tudo ficou complicado, mas desde o momento em que te conheci sabia que não deveria te amar tanto e muito menos apaixonar-me, mas você sabe que quem fez isto comigo foi você dizendo que me amava e acabou me iludindo com esse amor bandido deixando minha vida cheia de alegria e harmonia. Quando eu te conheci eu estava perdida sem rumo e você conseguiu colocar um rumo em minha vida, mas neste rumo acabei me perdendo completamente de amor por você. Já não sei o que pensar ou sentir, minha imaginação voa até você neste momento, e vejo teu corpo molhado de suor amando-a e não posso conter as lágrimas que descem sobre a minha face, enquanto teu suor molha a sua cama e teu corpo faz o teu prazer, minhas lágrimas fazem a minha dor a minha agonia em ter que aceita-lo ou dividi-lo com outra. Não é fácil dividi-lo e tão pouco aceitar outra a seu lado quando não estou então te pergunto que faço? Se eu mesma não sei que fazer, penso que posso estar sendo egoísta, mas qual seria tua reação se fosse ao contrário? Você com certeza não sabe. Acho que vou optar para meu egoísmo e pensar nos meus sentimentos, sabe que você não é de minha propriedade só que foi exatamente você que fez nascer este sentimento dizendo que me amava que não poderia viver sem eu e que poderia contar com você em minha vida. Meu amor não sabe se vai entender tudo que quero transmitir-lhe, saiba que o amor carnal é maravilhoso um êxtase, nada tem haver com o amor espiritual com aquele toque angelical, que quando duas almas se encontram as trombetas do céu tocam em comemoração ao amor. Sabemos que este sentimento não marca hora ou tão pouco bate em nossos corações para perguntar se pode entrar simplesmente ele acontece e nada podemos fazer a não ser amar... E amar... Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=1376 © Luso-Poemas Este texto é menos poema e mais confissão narrativa, escrito num fôlego só, como quem despeja a verdade porque já não consegue segurá‑la. A voz que fala está num estado de lucidez dolorosa: percebe o que acontece, mas ainda não consegue aceitar. O ritmo é de desabafo, mas um desabafo que pensa, que se interroga, que tenta compreender o próprio sofrimento enquanto o vive. A abertura é reveladora: “Enquanto imaginava‑te só, nada tinha para pensar…”. O eu poético admite que a solidão do outro era uma espécie de consolo imaginário — uma ficção necessária para manter o amor vivo. A frase “ou talvez não quisesse imaginar‑te com outra a seu lado” expõe o mecanismo psicológico: não é ignorância, é recusa. O amor aqui não é cego; é deliberadamente míope. A chamada telefónica funciona como o momento de ruptura: a voz feminina do outro lado não é apenas prova, é choque, é a queda abrupta da ilusão. O silêncio que se segue — “emudeci” — diz mais do que qualquer grito. A seguir, o texto entra numa espiral de contradição emocional: “seria muita ironia esquecer e não consegui mais deixar de pensar em você”. O amor, mesmo ferido, insiste. Há uma consciência clara de que este sentimento se tornou impossível, mas também a incapacidade de o abandonar. O poema não tenta esconder essa ambivalência; assume‑a como parte da condição humana. A frase “amando‑te mais do que posso, mais do que devo” é talvez a mais honesta do texto: amar aqui é transgressão, excesso, desmedida. Quando surge a frase “meu amor por você ficou enfurecido”, o texto desloca‑se para um registo visceral. O amor não é apenas dor; é fúria, é corpo tremendo, é desespero antecipado. O contraste entre “enquanto seu coração vibra de prazer” e “o meu está agitado e chora infeliz” cria uma imagem de dois mundos que já não se tocam. O prazer de um é a agonia do outro — e o poema sabe disso, mas não consegue afastar‑se. A secção seguinte é particularmente interessante porque introduz a dimensão da culpa e da responsabilidade: “sabia que não deveria te amar tanto… mas você sabe que quem fez isto comigo foi você”. Aqui, o eu poético tenta reorganizar a narrativa: não se trata apenas de fraqueza própria, mas de sedução, de promessa, de palavras que criaram um caminho onde agora já não há saída. O “amor bandido” não é metáfora de crime; é metáfora de engano, de promessa que se tornou armadilha emocional. O texto ganha profundidade quando admite que o outro deu rumo à vida do eu poético — e que esse mesmo rumo acabou por se tornar desorientação total. É uma ironia trágica: quem salvou, perdeu; quem guiou, desviou. A imagem do corpo do outro “molhado de suor amando‑a” é dura, mas não é gratuita: é a materialização da traição, o ponto onde a imaginação se torna tortura. O contraste entre o suor do prazer e as lágrimas da dor é uma das imagens mais fortes do texto. A pergunta “que faço?” não é um pedido de conselho; é a expressão de alguém que já sabe que não há resposta. O texto reconhece o próprio egoísmo, mas também expõe a hipocrisia do outro: “qual seria tua reação se fosse ao contrário?”. É uma pergunta que não espera resposta porque a resposta é óbvia — e dolorosa. O final introduz uma distinção importante: o amor carnal e o amor espiritual. O texto afirma que o primeiro é êxtase, mas o segundo é transcendência — “quando duas almas se encontram as trombetas do céu tocam”. Esta imagem, apesar de grandiosa, funciona porque surge como contraponto à brutalidade da traição física. O poema termina com uma verdade simples e inevitável: o amor acontece, sem pedir licença, sem perguntar se deve entrar. E quando entra, deixa o eu poético à mercê de tudo — inclusive da dor. No conjunto, este é um texto de desespero lúcido: alguém que vê, entende, sofre e ainda assim ama. A força não está na linguagem — que é simples, direta, quase coloquial — mas na honestidade emocional. É um retrato cru de um amor que se tornou ferida, mas que ainda pulsa.
Criado em: Hoje 11:02:59
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