54. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - bloackt.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de bloackt.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

CORAGEM


Que tristeza astuta
Vos enfraquece na luta
Até ao desvanecer
Dessa alma deserta.
Porque não se refuta
Essa ideia bruta
De desistir de viver
Já que a morte é certa?

Que mal vos entra
Quase vos tira
Ou desconcentra
Do amor pela vida?
E vos vira
O pensamento
Saindo ferida
Essa alma sem alento?

Porque se assusta
Com causa injusta?
Não merece, eu não mereço
Nem outra gente, ninguém!...
Sabe-se que custa
Mas, porque se ajusta
Tão baixo preço
Que a vida não tem?

Que posso eu dizer
A esse alguém
Que se deixou vencer
Ao convite da morte?
A vida é um bem,
É tão única e boa!...
Que haverá de tão forte
Por mais que nos doa?

Pois viemos do nada
Com hora marcada,
Leigos no destino
Desta curta passagem!…
Do tempo cansada
A demais obrigada,
A vida é um hino
Cantado á coragem.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=1579 © Luso-Poemas

Este poema trabalha a coragem como contraponto à tentação da desistência, mas fá-lo através de uma estrutura interrogativa que cria um diálogo tenso entre o eu poético e um “alguém” fragilizado. A força do texto reside precisamente nessa sucessão de perguntas que não procuram respostas, mas exposição: cada interrogação abre uma fissura na alma abatida que o poema descreve. Há uma cadência quase catequética — pergunta, dúvida, apelo — que dá ao poema um tom de sermão íntimo, de advertência compassiva.

A musicalidade é evidente, sobretudo nas rimas emparelhadas (astuta/luta, refuta/bruta, assusta/injusta), que conferem ao poema uma fluidez tradicional, quase de redondilha ampliada. Essa regularidade rítmica reforça o carácter moralizante do texto, mas por vezes também o limita: algumas rimas surgem previsíveis e aproximam o poema de uma moralidade rimada, como em “Sabe-se que custa / Mas, porque se ajusta / Tão baixo preço / Que a vida não tem?”, onde a força da ideia se dilui na necessidade de fechar o verso com rima.

A linguagem é clara, direta, sem metáforas densas, o que condiz com a intenção de consolo e advertência. Ainda assim, há momentos em que a simplicidade se torna excessiva, aproximando-se do didático — “A vida é um bem, / É tão única e boa!” — versos que dizem mais do que mostram e que contrastam com passagens mais eficazes, como “essa alma sem alento”, onde a imagem, embora simples, tem peso emocional.

O poema ganha força na última estrofe, quando abandona a interrogação e assume um tom afirmativo. A imagem de “viemos do nada / com hora marcada” é das mais bem conseguidas: concisa, filosófica, sem ornamentação. E o fecho — “A vida é um hino / Cantado à coragem” — funciona como síntese temática, ainda que com um certo tom sentencioso. É um final que procura elevar, mas que poderia beneficiar de uma imagem menos abstrata e mais concreta, algo que ancorasse a coragem numa experiência sensorial ou simbólica.

No conjunto, o poema é coerente, emotivo e transparente na intenção: falar a alguém que vacila, lembrando-lhe o valor da vida. A sua maior força está na cadência interrogativa e na clareza emocional; a maior fragilidade, na tendência para o moralismo rimado e para algumas expressões demasiado genéricas. Ainda assim, mantém unidade e cumpre o propósito de ser um apelo — sincero, direto, sem artifícios — à persistência.

Criado em: Hoje 8:03:09
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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