110. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Varley. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Varley.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Noutras bocas, Noutros corpos Buscando em vão No vão das almas A tua. E vou-me a insinuar-me Pela vastidão da carne nua Suando e gozando o prazer Sem méritos, No descrédito das ruas. Noutras bocas, Noutros corpos, Em vão entrego-me. E vou vivendo a ilusão De ser feliz Depois do adeus. Noutras bocas Que não são a tua, Noutros corpos Que não são o teu. Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=3647 © Luso-Poemas O poema instala‑se num território de perda onde o corpo tenta substituir aquilo que a alma não consegue abandonar. A repetição de “Noutras bocas, / Noutros corpos” funciona como um mantra invertido: em vez de apaziguar, expõe a falha, revela a insistência num gesto que nunca cumpre o que promete. A anáfora cria um ritmo de queda, um movimento circular que devolve sempre ao mesmo vazio — e essa circularidade é um dos pontos mais fortes do texto, porque traduz formalmente a própria experiência emocional que descreve. A imagem do “vão das almas” é particularmente eficaz: há nela uma ambiguidade entre o espaço oco e o espaço perdido, entre o intervalo e o abismo. A busca torna‑se, assim, uma travessia por corredores interiores onde nada se fixa. O poema não dramatiza; descreve com uma frieza quase clínica a mecânica da substituição, e é essa frieza que lhe dá densidade. A frase “Suando e gozando o prazer / Sem méritos, / No descrédito das ruas” introduz um contraste interessante entre o impulso físico e a consciência moral do gesto. A expressão “sem méritos” é dura, quase autoacusatória, e o “descrédito das ruas” acrescenta uma dimensão social à intimidade ferida, como se o eu lírico se visse a si próprio de fora, com um olhar que julga e se envergonha. A oscilação entre a entrega física e a lucidez emocional é bem construída. O verso “E vou vivendo a ilusão / De ser feliz / Depois do adeus” é o centro nervoso do poema: aqui a máscara cai, e o texto assume que tudo o que se tenta é apenas uma estratégia de sobrevivência. A palavra “ilusão” não destrói o poema; pelo contrário, dá‑lhe verdade. A felicidade é reconhecida como simulacro, e o poema ganha profundidade ao admitir essa consciência. O fecho retoma a anáfora inicial, mas agora com uma precisão mais cortante: “Noutras bocas / Que não são a tua, / Noutros corpos / Que não são o teu.” A repetição do negativo reforça a impossibilidade de substituição e devolve o poema ao ponto de partida, mas com maior peso emocional. A estrutura circular não é redundante; é coerente com o tema da repetição estéril, da tentativa de esquecer através da repetição do mesmo gesto que confirma a ausência. No conjunto, é um poema sólido, com uma tensão bem equilibrada entre o físico e o emocional, entre o desejo e o luto, entre a busca e a impossibilidade. A linguagem é directa, sem ornamentos excessivos, e isso serve bem a matéria do texto.
Criado em: Hoje 7:40:20
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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