132. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - .*.Magia.*..
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de .*.Magia.*..
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Corpo teu onde me banho, coração que pulsa e me inunda as veias de sangue ardente, suor que da minha pele escorre e a tua absorve, ar que flui e desagua em mim a cada toque molhado do teu corpo, lábios teus que roçam os meus e linguas que bebem e misturam os fluidos, vinho que saboreamos e nos incendeia as loucuras de fantasias, que o nosso pensamento escoa e verte sem parar, desatino que solto, quando provas o meu corpo, dormência dos sentidos que as mãos consomem de desejo e nos embebem a pele de prazer, carícias salgadas que as bocas sugam e engolem, e nos fazem deslizar docemente para dentro um do outro, mar quente de Amor e Paixão, derramado entre as minhas coxas embriagadas, que se abriram a ti, numa entrega húmida e louca, neste momento só meu e teu...

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Texto construído como uma torrente contínua, uma frase longa que se derrama sem pausas, e essa escolha formal é precisamente o que lhe dá força: o poema não respira, arde. A cadência é de vertigem, de corpo que se diz antes de pensar, e essa urgência é coerente com o campo semântico que percorre todo o texto — calor, sangue, suor, ar, vinho, mar. A enumeração sucessiva cria um efeito de acumulação que não é gratuito: cada imagem empurra a seguinte, como se o próprio desejo fosse uma corrente que não admite interrupção. A fusão entre os corpos é tratada sempre por metáforas líquidas, e isso mantém o poema num plano simbólico, mesmo quando se aproxima do limite do explícito. O corpo não é anatomia, é elemento: escorre, desagua, mistura-se, embebe, desliza. Essa coerência imagética é um dos pontos mais sólidos do texto.

Há momentos particularmente bem conseguidos, como a “dormência dos sentidos que as mãos consomem de desejo”, onde o poema abandona a simples descrição sensorial e entra numa zona conceptual mais rica: o que está adormecido é devorado, e o que é devorado desperta — uma inversão que dá profundidade ao movimento. Também o uso do vinho como catalisador das “loucuras de fantasias” funciona bem, porque introduz uma dimensão ritual, quase dionisíaca, que eleva o texto acima da mera fisicalidade. O ritmo interno, marcado por vírgulas sucessivas, cria uma pulsação que imita o próprio corpo em exaltação, e isso é um mérito formal evidente.

O fecho, com o “mar quente de Amor e Paixão” derramado e a entrega húmida, tenta condensar todo o percurso numa imagem final de fusão total. É eficaz, embora ligeiramente redundante, porque retoma campos semânticos já muito explorados ao longo do texto. Ainda assim, a imagem das coxas que “se abriram a ti” funciona como culminação narrativa, não apenas como metáfora, e encerra o poema num gesto de entrega absoluta, coerente com o crescendo que o antecede.

Se há algo a afinar, é apenas a saturação: a frase única, embora intencional, corre o risco de diluir a intensidade por excesso de continuidade. Uma pausa estratégica — não para quebrar o fluxo, mas para o intensificar — poderia dar ainda mais impacto às imagens mais fortes. Mas, no conjunto, o texto mantém uma coerência interna rara: é torrencial, sensorial, ritmado, e sustenta a sua própria vertigem até ao último instante.

Criado em: Hoje 17:20:47
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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