136. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - caine. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de caine.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Túrgido, o Seio Moralista daquele que vive Da ignorância acerba para a ignorância ignota do Mundo Antes fosse vício ou gozo A esta plataforma moralista e desapropriada O inerente cemitério de pessoas vivas, Atropeladas por intenções amargas Enfim, um contraste humano e dominante. Oh, tóxico veneno a alma! A palavra insaciavelmente para lobos, Filhos mundanos da hipocrisia a qual se dedicam Seja ela o que for de anti-eticomoral A este desintegridade e pseudia A putrificada vida de um verme Rastejando sob a lama. Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=4543 © Luso-Poemas O poema instala-se num registo de invectiva moral, quase profética, onde a linguagem se quer corrosiva e o tom se aproxima do sermão apocalíptico. A abertura — “Túrgido, o Seio Moralista daquele que vive / Da ignorância acerba para a ignorância ignota do Mundo” — revela desde logo uma intenção de grandiloquência conceptual, mas também uma tensão entre o rigor lexical e o excesso ornamental. “Túrgido” funciona como qualificativo eficaz, mas “Seio Moralista” é uma imagem ambígua, que oscila entre o metafórico e o grotesco sem encontrar ancoragem clara. A sequência “ignorância acerba” e “ignorância ignota” cria um paralelismo sonoro interessante, mas a acumulação de adjetivação pesada aproxima o verso mais do barroquismo do que da precisão. A construção “Antes fosse vício ou gozo / A esta plataforma moralista e desapropriada” contém um problema sintáctico evidente: o verbo “fosse” fica suspenso, sem complemento claro, e “plataforma moralista e desapropriada” surge como metáfora pouco definida, que carece de contexto para se sustentar. O verso “O inerente cemitério de pessoas vivas” é forte na imagem, mas a expressão “inerente” é redundante e enfraquece o impacto. A interrupção abrupta com “Oh, tóxico veneno a alma!” tenta criar um momento de exaltação trágica, mas a ausência de verbo torna a frase mais um grito do que uma construção poética articulada. A segunda metade do poema intensifica o tom acusatório, mas também acumula erros e desvios que prejudicam a clareza. “A palavra insaciavelmente para lobos” é uma construção incompleta: falta um verbo que dê sentido à frase. “Filhos mundanos da hipocrisia a qual se dedicam” é compreensível, mas a estrutura é pesada e pouco fluida. O verso “Seja ela o que for de anti-eticomoral” contém um neologismo mal formado — “anti-eticomoral” — que parece tentar condensar ética e moral numa só palavra, mas o resultado é artificial e pouco elegante. “A este desintegridade e pseudia” apresenta dois problemas graves: “desintegridade” não existe na língua portuguesa (o termo correto seria desintegração ou falta de integridade), e “pseudia” é igualmente inexistente, soando mais a erro de digitação do que a invenção deliberada. Estes desvios não enriquecem o poema; criam ruído. A imagem final — “A putrificada vida de um verme / Rastejando sob a lama” — é a mais sólida do texto, porque abandona o abstrato e regressa ao concreto, ao visceral. Aqui, a linguagem encontra corpo, encontra chão, e a metáfora torna-se eficaz. No entanto, o símbolo “#” no final do poema é um erro evidente, que quebra a unidade visual e sugere falta de revisão. No conjunto, o poema tem intenção, tem fúria, tem vocabulário denso e vontade de construir uma crítica moral violenta. Mas a execução sofre com excesso de adjetivação, neologismos mal formados, erros ortográficos e sintácticos que não parecem deliberados, e uma tendência para o abstrato que esvazia a força imagética. Quando abandona o jargão moralizante e se aproxima do concreto — o verme, a lama, o cemitério de vivos — o texto ganha potência. Com revisão rigorosa e contenção lexical, poderia transformar-se numa peça de acusação poética mais incisiva e menos dispersa.
Criado em: Hoje 7:23:59
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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