144. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - carola.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de carola.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Encanto sob um olhar felino
encanto sob um céu estrelado
encanto ao som de um hino
encanto ao beijo do ser amado

Encanto na calmaria do mar
encanto na serenidade dos montes
encanto ouvir a sereia cantar
encanto a água a correr nas fontes

Encanto num abraço profundo
encanto na vida no mundo
encanto um bébé a sorrir

Encanto de um beijo ardente
encanto de um amor demente
encanto como é bom sentir

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=4826 © Luso-Poemas

O poema vive de uma insistência quase encantatória — e isso é simultaneamente a sua força e a sua fragilidade. A repetição de “encanto” cria um ritmo hipnótico, mas também denuncia alguma falta de risco: quando a palavra-chave aparece tantas vezes, começa a perder densidade e a transformar-se mais em muleta do que em eixo poético. A musicalidade está lá, mas a previsibilidade instala-se cedo demais.

Há imagens que funcionam bem pela simplicidade: “sob um céu estrelado”, “na calmaria do mar”, “um bebé a sorrir”. São universais, limpas, mas também demasiado familiares. O poema parece confiar que a beleza do mundo basta por si — e, embora isso seja verdade na vida, na poesia exige-se quase sempre um desvio, um detalhe inesperado, algo que faça o leitor parar. Aqui, tudo corre suave, mas nada surpreende.

A estrofe da sereia é talvez a mais interessante, porque introduz um elemento mítico que podia ter sido explorado com mais ousadia. No entanto, a imagem surge e desaparece sem deixar rasto, como se fosse apenas mais um item numa lista. Falta-lhe consequência poética.

No plano formal, há alguns deslizes que merecem atenção. “bébé” está grafado à francesa; em português europeu, a forma correcta é “bebé”. O verso final termina com um símbolo (“#”) que parece erro de edição e quebra o fecho do poema. Além disso, a ausência de vírgulas ou pausas internas torna a leitura demasiado linear — quase prosaica.

O maior problema, porém, é a acumulação de enumerações. O poema enumera encantos como quem faz inventário, e isso retira profundidade emocional. A repetição poderia ser um recurso expressivo, mas aqui acaba por soar a fórmula. Falta tensão, falta contraste, falta um momento em que o encanto se torne ambíguo, perigoso, inesperado — algo que o retire da esfera do óbvio.

Ainda assim, há uma sinceridade luminosa no texto. Nota-se que quem o escreveu queria celebrar a beleza do mundo e das relações humanas, e essa intenção transparece. Mas a poesia, para ser memorável, precisa de mais do que intenção: precisa de precisão, de risco, de imagens que não se encontrem em qualquer calendário de parede.

Criado em: Hoje 7:12:53
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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