176. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Alemtagus. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Alemtagus.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. (...) devido à extensão do texto, quem desejar lê-lo por completo pode aceder ao link abaikxo do mesmo. Tentando consumir tantas falhas, Por entre tormentos que não se esquecem. Homens que fumam pequenas mortalhas Em noites distantes que se enriquecem. O cheiro e o gosto das batalhas Consumadas nos campos que estremecem Ao sentir milhares de corpos nas fornalhas Acesas por aqueles que nem a vida merecem. As feridas que reabrem na recordação Dos mistérios desvendados sem glória De, em dia algum, terem preocupação Ao abrir mais um livro de história, De lembrar toda aquela solidão Em que soaram trompetas de vitória Por entre tanta confusão Nos pensamentos que me correm a memória. A incongruência humana Que se mostra em actos vis e dementes E em tudo o que o Homem emana Nos seus diálogos surdos tão evidentes Todos os dias da semana. Estas formas de vida inteligentes Que não são mais que gente insana, Em busca de sonhos diferentes. O ar distanciado do sofrimento Esboçado em faces descoloridas Pela fome que não tem sentimento, Nem sofre por matar vidas De crianças, velhos… todo um regimento Que não têm culpa dessas acções desmedidas Que os loucos fazem a todo momento Achando-as sempre divertidas. (...) Dormem os Deuses nos seus leitos de prazer Sobre compêndios divinais a ouro paginados, Os Sátiros que os lêem sem saber. Horas que são anos e meses misturados Em todo o tempo, sem nada a fazer Nestes Olimpos perdidos de névoas cercados, De oásis pintados por Vénus a seu bel-prazer Com o menestrel cantando aos pais amados. No desabrochar das flores mais belas Das cores que iluminam o campo sem nada, Como se fossem simples e esguias velas Iluminando uma cripta abandonada Junto a confessionários de igrejas e capelas Ao lado de uma pequena campa plantada Em memória de divas e donzelas Tiradas de histórias de banda desenhada. Objectos inúteis que ornamentam um quarto, Embelezado por véus levantados pelo vento, Mostram a memória que fica quando parto, Conseguindo esquecer tudo o que não tento, Que desta triste vida vou ficando farto, Esperando o futuro que parece tão lento Como o andar de um pesaroso lagarto, Que vai parando a todo o momento. Mulher de olhos azeitona que amou, Com riso sempre sarcástico e bonito Que mais um coração enfeitiçou, Que outros olhos pôs olhando o infinito, Numa dimensão distante que a todos escapou, Por nosso alcance ser tristemente finito, Por não sabermos que só o amor matou A quem não ama e não ouve este grito. Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=6179 © Luso-Poemas Este poema é uma torrente — longa, densa, acumulativa — que tenta abarcar a totalidade da experiência humana: guerra, miséria, metafísica, política, amor, mitologia, memória, decadência. A ambição é evidente, mas a amplitude temática torna-se, por vezes, dispersão. O texto não se organiza em torno de um eixo simbólico dominante; antes, avança por blocos autónomos, cada um com o seu próprio micro‑universo. Isso cria riqueza, mas também quebra a unidade. A estrutura é marcada por estrofes de oito versos, quase sempre rimadas, com tendência para o decassílabo irregular. A métrica, porém, oscila demasiado: há versos longos que quebram o ritmo e versos curtos que parecem restos de uma ideia maior. A rima, muitas vezes forçada, aproxima o poema de um tom mais declamatório do que orgânico. Quando a rima serve o sentido — “fornalhas / mortalhas”, “insana / semana” — o efeito é forte; quando serve apenas a sonoridade, perde-se densidade. A linguagem é exuberante, mas por vezes excessiva. Há imagens poderosas — “milhares de corpos nas fornalhas”, “cinzentas tardes de cheiro a carvão”, “espelhos espalhados num terreiro que multiplicam a falsa esperança” — que mostram domínio imagético. Mas há também momentos em que a adjectivação se torna redundante ou decorativa, e o poema cai numa retórica quase barroca, onde a acumulação substitui a precisão. O campo semântico oscila entre o bélico, o religioso, o mitológico e o existencial. Essa oscilação poderia ser produtiva se houvesse um fio condutor mais nítido. Em vez disso, o poema parece querer dizer tudo, e ao dizer tudo, perde a capacidade de aprofundar algo. A presença de figuras como Adamastor, Sátiros, Vénus, Lúcifer, Grão‑Vizir, Atlantes, cria um mosaico mitológico interessante, mas sem articulação interna. São aparições, não forças estruturantes. Há também uma tensão entre o universal e o pessoal. O poema começa com guerras e batalhas, passa por reflexões sobre a humanidade, entra em crítica social, mergulha em mitologia, e termina num registo amoroso e elegíaco. Essa deriva temática enfraquece o impacto emocional: o leitor é constantemente deslocado antes de poder fixar-se num núcleo afectivo. A estrofe final, sobre a mulher de “olhos azeitona”, é uma das mais fortes porque, ao contrário das anteriores, é concreta, humana, singular. Aqui o poema respira. Aqui há rosto, gesto, perda. É o momento em que a torrente se condensa numa figura. E é precisamente por isso que se sente que o poema poderia ter sido mais eficaz se tivesse escolhido um centro emocional desde o início. Em termos formais, há alguns deslizes: rimas que não funcionam, versos que se alongam sem necessidade, imagens que se repetem com ligeiras variações. Mas o maior problema não é técnico: é de direcção. O poema quer ser total, mas a totalidade exige arquitectura, não apenas extensão. Ainda assim, há uma força evidente: a capacidade de criar atmosferas densas, de convocar mundos, de trabalhar com um imaginário vasto. O texto tem energia, tem voz, tem ambição. Falta-lhe apenas uma contenção que permita que essa energia se concentre e se torne mais incisiva.
Criado em: Hoje 9:35:09
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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