203. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - JSL.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de JSL.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Na hora de lanchar atraquei
Meti a mão no cesto (violação)
E duas tristes palavras tirei:
O ele e o ela que poisei no chão

Misturaram-se os dois
Um e outro davam nó
Para um pouco depois
Um e outro ser um só

E o amor misturado na areia
E movediço até à exaustão
negava o mito da razão

Estavas embrulhada numa teia
De lua cheia molhada
Óh minha marmelada

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=7282 © Luso-Poemas

O poema abre com uma cena quase narrativa — “Na hora de lanchar atraquei” — que tem graça porque mistura o quotidiano com um verbo marítimo, criando logo um pequeno desvio irónico. A seguir, “Meti a mão no cesto (violação)” introduz um parêntesis inesperado, quase humorístico, que quebra a solenidade e prepara o terreno para o jogo que vem a seguir: “duas tristes palavras tirei: / O ele e o ela que poisei no chão”. Aqui o texto entra num registo mais simbólico, mas sem perder a leveza. “Ele” e “ela” tornam‑se objetos manipuláveis, quase peças de um jogo infantil, o que dá ao poema uma dimensão lúdica.

A estrofe seguinte trabalha essa ludicidade: “Misturaram‑se os dois / Um e outro davam nó / Para um pouco depois / Um e outro ser um só”. A simplicidade métrica e sintática funciona bem, porque o poema não pretende ser hermético; pretende ser direto, quase cantável. A fusão dos dois pronomes é previsível, mas eficaz, porque o texto assume a previsibilidade como parte do seu humor.

A terceira estrofe muda de textura: “E o amor misturado na areia / E movediço até à exaustão / negava o mito da razão”. Aqui o poema abandona o tom leve e entra num registo mais abstrato. A imagem da areia movediça é comum, mas encaixa no contraste com a leveza anterior: o amor que parecia brincadeira torna‑se instável, cansativo, irracional. O verso “negava o mito da razão” é o mais conceptual do poema, talvez o menos orgânico, porque se afasta da materialidade que vinha antes. Ainda assim, funciona como ponte para o fecho.

E o fecho é deliberadamente inesperado: “Estavas embrulhada numa teia / De lua cheia molhada / Óh minha marmelada”. A “teia de lua cheia molhada” é uma imagem curiosa, quase surreal, que mistura luz, água e aprisionamento. E depois surge “marmelada”, que quebra completamente o tom e devolve o poema ao humor inicial. É um fecho arriscado, porque troca a densidade simbólica por uma brincadeira sonora, mas essa quebra é coerente com o espírito do texto: um jogo entre o sério e o leve, entre o amor como mito e o amor como piada privada.

No conjunto, o poema vive dessa oscilação: começa com humor, mergulha num breve momento de densidade, e regressa ao humor. Não tenta ser mais do que é — e isso dá‑lhe autenticidade.

Criado em: Hoje 7:37:34
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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