221. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Ex-Ricardo. |
||
|---|---|---|
|
Moderador
![]()
Membro desde:
24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
Mensagens:
4312
|
O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Ex-Ricardo.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Não. Ela Não. Ela não me guardará o corpo dentro do corpo dela. Não... Ela não me protegerá o sono. Não será a noite de mais um dia. Ela não caminhará dentro de mim... Não. Ela não me jurará, nem me lavará no seu corpo, não me enxotará as doenças... Ela não abrirá as portas do meu corpo aos meus amigos... Não me fará maior do que o que posso ser... Não. Ela Não. Ela não será nem Apocalipse, nem salvação. Ela não presenciará o dia da minha morte. Não... Não. Ela não. Ela não me fará mais bonito, não me beijará na boca, não me festejará a carne, não celebrará o meu dia... Não... Não... Não... Mas não porque ela não queira... Não. Ela não. Quero-a tanto... Ela não pecará! Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=8158 © Luso-Poemas Este poema sustenta-se numa negativa que se transforma em respiração, quase como se cada “Não. Ela não.” fosse uma pancada seca no peito, um compasso que impede o sujeito poético de cair no sentimentalismo fácil. A repetição não é mero artifício: é uma forma de exorcismo. Cada negação abre uma porta e fecha-a de imediato, criando um movimento de desejo que se autocensura, como se o eu lírico estivesse a tentar convencer-se de algo que não quer acreditar. A força do texto está precisamente nessa contradição: a recusa é uma forma de invocação. A primeira estrofe é das mais intensas, porque coloca o corpo dentro do corpo — uma imagem de fusão absoluta, quase uterina, que é imediatamente negada. O poema começa pelo impossível maior, e a partir daí tudo o resto se torna uma sucessão de impossibilidades menores, mas igualmente dolorosas. A recusa do sono, da noite, da caminhada interior, cria uma topografia íntima onde a mulher é simultaneamente abrigo e ausência. O poema não diz que ela não quer; diz que ela não fará — e essa diferença é crucial, porque desloca a responsabilidade para um destino, uma circunstância, uma moralidade que ultrapassa ambos. Há um crescendo simbólico quando o texto passa do quotidiano para o apocalíptico. “Ela não será nem Apocalipse, nem salvação” é um verso que retira à figura feminina qualquer dimensão messiânica, mas ao mesmo tempo revela que o sujeito poético a tinha colocado nesse lugar. A negação é uma forma de desmitificação, mas também de lamento. O poema sabe que está a destruir o altar que ele próprio construiu. A secção final, com a repetição mais acelerada de “Não... Não... Não...”, aproxima-se de um colapso emocional, mas o poema recupera o controlo no último movimento. “Mas não porque ela não queira...” é o verso que reabre tudo, que desmonta a lógica anterior e expõe a verdade subterrânea: a impossibilidade não é falta de desejo, é falta de legitimidade. O fecho — “Ela não pecará!” — é brilhante porque desloca o drama para o campo ético e religioso. A mulher torna-se figura de integridade, e o eu lírico assume o papel de tentação. O poema termina num lugar de reverência, não de derrota. A única nota que poderia ser afinada é a oscilação entre imagens mais corpóreas e outras mais abstractas; há momentos em que o campo semântico se expande demasiado depressa, mas isso não compromete a coerência geral. O ritmo, esse, está impecavelmente controlado, com a repetição a funcionar como pulsação e como fronteira emocional.
Criado em: Hoje 20:10:29
|
|
|
_________________
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
||
Transferir
|
||