237. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Cathia. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Cathia.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Aquela que outrora, fora talvez a maior libertina Perdeu toda a liberdade, há algo que a possui, que a domina De onde apareceu subitamente a demência? Que me roubou o direito à consciência Aquela, que me faz pela noite deambular, Que me impede de as palavras recordar, “O homem das cartas está a bater” É o carteiro, é o carteiro… não me posso esquecer O meu bem mais precioso estou a perder, A memória, a memória está a deixar o meu dom desvanecer, Já nem isso, sou capaz de fazer… Já não consigo redigir, não consigo escrever… Estou a perder a noção do real, Do que é certo ou errado, Sei que te fiz sofrer, que te fiz sentir mal…mas… Preciso de ti, agora mais do que nunca do meu lado. Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=9097 © Luso-Poemas O poema apresenta uma voz que se percebe em queda, numa espiral de perda de autonomia, memória e identidade criadora. A imagem inicial da “maior libertina” que perdeu a liberdade é forte e estabelece de imediato um contraste entre passado e presente, mas a transição para a demência surge abrupta, quase sem ponte simbólica, o que cria um efeito de choque mas também uma ligeira quebra de coesão. A repetição do carteiro funciona bem como sintoma de confusão mental, embora o tom quase quotidiano desse elemento choque com a gravidade do resto do poema; não é necessariamente um erro, mas cria uma oscilação tonal que pode ser lida como involuntária. A secção sobre a perda da memória e da escrita é a mais intensa, porque liga diretamente a deterioração cognitiva ao desaparecimento do “dom”, e isso dá ao poema uma profundidade existencial que o final não mantém totalmente, já que a súbita entrada do “tu” desloca o eixo temático para a dependência afectiva. Essa mudança não é incoerente, mas enfraquece a unidade simbólica: se o poema é sobre demência, o “tu” deveria estar integrado desde cedo; se é sobre amor, a demência deveria funcionar mais claramente como metáfora. O ritmo é irregular, o que pode ser expressivo, mas em alguns momentos parece apenas falta de intenção métrica, sobretudo nos versos longos seguidos de quebras bruscas. Há também rimas previsíveis que retiram densidade ao tema. Ainda assim, a voz poética é consistente na sua fragilidade e na sua consciência da perda, e isso sustenta o texto. Uma revisão que torne mais contínua a relação entre o eu, a demência e o “tu” daria ao poema maior unidade e força.
Criado em: Hoje 16:48:56
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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