269. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - andosozinho.
Moderador
Membro desde:
24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
Mensagens: 4366
O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de andosozinho.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

É lindo e não te sei explicar

Sinto-o e vou-te demonstrar

Como em poucas linhas

Me poderia declarar

Declarar inocente a maneira de te falar

Pelo simples facto do teu espírito me encantar

Conseguis-te sim, até me atrapalhar

Não me estico muito com medo de te tocar

De tal maneira que os teus olhos me fazem corar

O meu coração bate e até parece que vai falhar

Com tanta vontade mas receio de te encontrar

Tremo dos pés à cabeça de sozinho contigo ficar

Disfarçadamente ponho-me a cantar

Para pensares que estou a delirar

OH!! Que faço!! Só da tua presença estou a suar

Neste momento a conversa podia encarrilar

Em tão bonito momento sinto-te a chorar

Porquê então esse medo de

COMPARTILHAR

São poucas palavras

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=10680 © Luso-Poemas

Este poema nasce de uma pulsação juvenil, quase impulsiva, onde a voz poética tenta transformar o embaraço amoroso em ritmo. A abertura, “É lindo e não te sei explicar / Sinto-o e vou-te demonstrar”, estabelece de imediato uma tensão entre incapacidade e desejo de expressão — uma tensão que poderia ser explorada com mais subtileza, mas que aqui se resolve numa sucessão de declarações diretas. A sinceridade é evidente, mas a construção poética ainda não encontra um eixo simbólico que sustente essa emoção.

A repetição de verbos ligados ao sentir (“sinto”, “encantar”, “corar”, “bater”, “falhar”, “tremo”) cria uma cadência emocional, mas também revela uma certa monotonia lexical. O poema insiste na mesma família de sensações sem lhes dar corpo imagético. A melhor imagem surge quando o sujeito confessa que “não me estico muito com medo de te tocar”, porque aqui há gesto, há contenção física, há uma narrativa implícita. É um verso que respira mais do que os restantes, que se libertam pouco da literalidade.

A musicalidade é irregular: há momentos de boa fluidez, mas outros em que a rima forçada (“delirar / suar / encarrilar / chorar / COMPARTILHAR”) pesa sobre o sentido. A rima, quando não nasce organicamente, tende a transformar o verso em mecanismo, e isso acontece aqui. O poema quer espontaneidade, mas a estrutura obriga-o a uma previsibilidade que reduz a força emocional. A exclamação “OH!! Que faço!!” quebra o tom poético e aproxima o texto de um desabafo teatral, que não acrescenta densidade.

A secção final tenta elevar o poema ao plano do diálogo — “sinto-te a chorar / Porquê então esse medo de COMPARTILHAR” — mas a mudança de registo é abrupta. O poema vinha centrado no eu, na sua atrapalhação, no seu receio; de repente, desloca-se para o outro sem preparar essa transição. A palavra “COMPARTILHAR”, isolada e em maiúsculas, procura impacto, mas acaba por soar a moral da história, retirando subtileza ao fecho.

Ainda assim, há uma energia autêntica no texto: a hesitação, o rubor, o tremor, o canto disfarçado — tudo isto compõe uma pequena cena de vulnerabilidade que poderia ser muito mais forte se trabalhada com imagens mais precisas e menos dependentes da rima. O poema tem matéria emocional; falta-lhe depuração formal para que essa matéria se torne verdadeiramente poética.

Criado em: Hoje 10:04:02
_________________
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
Transferir o post para outras aplicações Transferir







Links patrocinados