271. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Henrique Mendes. |
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24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Henrique Mendes.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Já não sei em quais folhas escrevi aqueles outros versos diferentes. Aqueles que não falavam de amor, nem de sentimentos, mas de coisas em outros lugares, de projetos e vontades maiores que os meus dias, e amanheceres em alegrias, com cavalos correndo, sublimes, de narinas fumegantes, cheirando a vida, em pastos verdes, bufando liberdade... Também já não sei em que folhas me dei conta de como estavam diferentes, os meus versos, vazios do que eu queria, cheios de outros significados, como se me tivesse perdido em caminhos que não eram meus, onde as palavras me impusessem vontades e formassem frases estranhas, até um pouco indiferentes a mim, como risos na alegria dos outros... Mas sei em quais folhas deixei palavras que testemunham o meu reencontro, e leio-as numa quase-surpresa, de todas as vezes que me leio, como se encontrasse nelas, a cada nova vez, numa quase simplicidade, coisas que, somadas, são maiores que eu, e que nem sequer me explicam, apenas me complicam em aparentes verdades, que nem sei se o são... Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=10847 © Luso-Poemas Este poema organiza-se como uma reflexão sobre a própria escrita, mas não como exercício técnico: é uma meditação sobre o desvio, a perda de eixo e o reencontro com uma voz que parecia ter-se dissolvido. A primeira estrofe é particularmente eficaz porque trabalha a memória como espaço fragmentado — “Já não sei em quais folhas escrevi” — e essa incerteza não é apenas factual; é simbólica. O sujeito poético admite que perdeu o rasto daquilo que escrevia antes, e esse “antes” é definido pela ausência de amor, pela presença de projetos, vontades e paisagens mais amplas. A imagem dos cavalos é o ponto alto desta secção: “narinas fumegantes, cheirando a vida” é uma construção viva, concreta, que dá corpo ao que se perdeu. É uma imagem que respira, que se move, que tem temperatura. O poema, aqui, atinge uma força imagética que contrasta com a secura das estrofes seguintes. A segunda estrofe desloca o foco da paisagem para a consciência da mudança. O sujeito percebe que os versos “estavam diferentes”, e a enumeração que se segue — “vazios do que eu queria, cheios de outros significados” — cria uma tensão entre intenção e resultado. O poema reconhece que a linguagem tem vontade própria, que as palavras podem impor caminhos que não são os do autor. Esta é uma ideia forte, mas a formulação ainda se mantém demasiado abstrata. O verso “como risos na alegria dos outros” é o mais interessante da estrofe, porque introduz uma imagem inesperada: o poeta sente-se deslocado dentro da própria escrita, como alguém que assiste à alegria alheia sem nela participar. É uma metáfora subtil, que poderia ter sido mais explorada. A terceira estrofe é o ponto de viragem. Aqui, o poema abandona a nostalgia e a perplexidade para assumir o reencontro. “Mas sei em quais folhas deixei palavras / que testemunham o meu reencontro” é uma afirmação que devolve ao texto uma direção. A leitura dessas palavras como “quase-surpresa” é um gesto de humildade poética: o sujeito reconhece que a própria escrita o ultrapassa, que contém mais do que ele próprio consegue explicar. A expressão “coisas que, somadas, são maiores que eu” é forte, mas o verso seguinte — “e que nem sequer me explicam, apenas me complicam” — é ainda mais eficaz, porque recusa a ideia de que a poesia serve para clarificar. Aqui, o poema assume a complexidade como destino, não como falha. Formalmente, o texto mantém uma cadência suave, quase meditativa, com versos longos que se aproximam da prosa poética. A ausência de rima permite que a reflexão se desenvolva sem constrangimentos, e a repetição de estruturas (“Já não sei…”, “Também já não sei…”, “Mas sei…”) cria uma arquitetura clara, que organiza o percurso emocional. A única fragilidade está na ocasional tendência para a abstração, sobretudo na segunda estrofe, onde algumas expressões poderiam ganhar mais força se ancoradas em imagens concretas. Ainda assim, o poema sustenta-se bem: é honesto, consciente, e trabalha a relação entre escrita e identidade com maturidade.
Criado em: Hoje 10:15:37
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
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