304. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - RITA REIKKE.
Moderador
Membro desde:
24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
Mensagens: 4402
O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de RITA REIKKE.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

Tento jogar FORA o que fui
faço-me METÁFORA no que sou
atribuindo a mim possibilidades
de nova META,
para o que sonho ser...

Metamorfoseio em função
do que quero alcançar
a META AMOR é onde quero chegar...
como FOSSE
pássaro em busca de abrigo...

E como aprendiz de águia
permito que o externo se transforme
mesmo que a ti,
eu nem me assemelhe aos afins...
voou perto do confim
do universo que preciso alcançar...

Rodeio em meio ao meu verso
e na caminhada da frase
vou lixando minhas unhas...
e mesmo
em ato brusco ou reverso
eu não permito, não impeço
que o amor se faça amar!...

Pois que no fundo
todo poeta
exercita ser
filho, mãe, irmão, ou pai...
todo poeta é aprendiz de águia
já que de dentro dele sai,
palavras oblíquas, suas metáforas...
à fim de metamorfosear
a vida!...
E a águia do poeta,
se faz livre poetar!

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=12478 © Luso-Poemas

O poema organiza-se em torno de um jogo sistemático com a palavra “meta” e com o campo semântico da metamorfose, explorando a transformação identitária como processo poético. A abertura — “Tento jogar FORA o que fui / faço-me METÁFORA no que sou” — estabelece de imediato uma tensão entre rejeição do passado e reinvenção simbólica. O uso de maiúsculas em “FORA”, “METÁFORA” e “META” funciona como marca de ênfase, mas também cria uma irregularidade gráfica que, embora expressiva, pode fragmentar o ritmo. A construção “atribuo a mim possibilidades / de nova META, / para o que sonho ser…” articula desejo e projeção, mas a repetição insistente de “meta” aproxima o poema de um exercício conceptual que, por vezes, se sobrepõe à densidade imagética.

A segunda estrofe aprofunda a ideia de transformação com “Metamorfoseio em função / do que quero alcançar”, verbo inventado que, apesar de não constar na norma, é compreensível e coerente com o tema. A expressão “a META AMOR é onde quero chegar…” reforça a centralidade da palavra-chave, mas a acumulação de maiúsculas pode tornar o verso excessivamente marcado. A comparação “como FOSSE / pássaro em busca de abrigo…” introduz uma imagem mais concreta, embora o uso de “fosse” isolado num verso crie uma quebra sintática que não acrescenta força expressiva.

A terceira estrofe — “E como aprendiz de águia / permito que o externo se transforme / mesmo que a ti, / eu nem me assemelhe aos afins…” — introduz a figura da águia como símbolo de ascensão e aprendizagem. A construção é clara, mas a frase “eu nem me assemelhe aos afins” apresenta uma ligeira estranheza sintática, sobretudo pelo uso de “afins” sem referência explícita. O verso “voou perto do confim / do universo que preciso alcançar…” contém um deslize verbal (“voou” deveria ser “vôo” ou “vou”), o que compromete a correção formal. A imagem do “confim do universo” é convencional, mas funcional dentro do imaginário de expansão e busca.

A estrofe seguinte — “Rodeio em meio ao meu verso / e na caminhada da frase / vou lixando minhas unhas…” — introduz uma metáfora corporal inesperada. “Lixar unhas” como gesto de lapidação poética é original, embora abrupto, criando uma tensão entre o corpo físico e o corpo textual. A sequência “e mesmo / em ato brusco ou reverso / eu não permito, não impeço / que o amor se faça amar!…” apresenta paralelismos eficazes, mas a repetição de negações (“não permito, não impeço”) pode gerar ambiguidade semântica, sugerindo simultaneamente ação e passividade.

A última estrofe procura sintetizar o programa poético: “Pois que no fundo / todo poeta / exercita ser / filho, mãe, irmão, ou pai…” A enumeração de papéis familiares aproxima o poema de uma reflexão sobre empatia e multiplicidade identitária, embora a ligação com o tema da metamorfose não seja totalmente desenvolvida. A repetição de “aprendiz de águia” retoma o símbolo anterior, mas a frase “já que de dentro dele sai, / palavras oblíquas, suas metáforas…” apresenta um pequeno deslize ortográfico (“à fim” deveria ser “a fim”). O fecho — “E a águia do poeta, / se faz livre poetar!” — encerra o texto com uma imagem de libertação, ainda que previsível dentro do campo simbólico construído.

Do ponto de vista formal, o poema apresenta alguns problemas de ortografia (“voou” no lugar de “vôo/vou”, “à fim” no lugar de “a fim”), além de irregularidades gráficas no uso de maiúsculas. A sintaxe é globalmente compreensível, embora por vezes marcada por quebras abruptas que fragmentam o ritmo. O campo semântico é coerente, centrado na metamorfose, na meta e na figura da águia como símbolo de ascensão. O estilo literário enquadra-se na lírica metafórica contemporânea, com forte presença de autorreflexão, jogo semântico e simbolismo identitário.

Criado em: Hoje 21:12:09
_________________
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
Transferir o post para outras aplicações Transferir







Links patrocinados