328. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Sara Varela.
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24/12/2006 19:19
De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Sara Varela.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

risquei todas as folhas
todas as palavras
todas que escrevia eram tuas
e consequentemente
todas sobre nós
sobre um amor
que nunca o será
esperanca cortada
á nascença
um futuro que nunca será passado
uma história
que nao passara de lenda
e uma vida
que será fracasso


resta esperar
que nos esquecamos
o que um dia
poderia ter acontecido

mas quando eu esquecer
os riscos
nao serao sobre ti
mas sim sobre ele

e tanto ou mais
serei infeliz

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=13604 © Luso-Poemas

O poema constrói-se como uma reflexão sobre a perda e a impossibilidade, articulada através de imagens de rasura e apagamento que funcionam como metáfora da tentativa de esquecer. A abertura — “risquei todas as folhas / todas as palavras / todas que escrevia eram tuas / e consequentemente / todas sobre nós” — estabelece um tom de confissão contida, marcado pela repetição de “todas”, que reforça a totalidade do gesto de eliminação. A ausência de maiúsculas contribui para a sensação de abatimento, embora também crie uma uniformidade gráfica que reduz a força de certas imagens. A construção “todas que escrevia eram tuas” é clara, mas a sequência “e consequentemente / todas sobre nós” aproxima-se de uma explicação demasiado direta, que poderia ser mais subtil.

A secção seguinte — “sobre um amor / que nunca o será / esperanca cortada / á nascença” — introduz a impossibilidade como eixo do poema. A grafia “esperanca” carece de acento (“esperança”), e “á nascença” deveria ser “à nascença”. A expressão “amor que nunca o será” é eficaz na sua concisão, embora comum na lírica de desilusão. “Esperança cortada à nascença” é uma imagem forte, mas já muito utilizada; ainda assim, mantém coerência com o campo semântico da interrupção.

A estrofe — “um futuro que nunca será passado / uma história / que nao passara de lenda / e uma vida / que será fracasso” — apresenta uma construção paralelística que funciona bem, embora a grafia “nao passara” careça de acento (“não passará”). A oposição entre futuro, história e vida cria uma gradação temporal que reforça a sensação de impossibilidade. A palavra “fracasso” é direta, quase abrupta, e introduz uma dureza que contrasta com a delicadeza das imagens anteriores. A secção mantém coerência, embora por vezes se aproxime de uma formulação demasiado declarativa.

A estrofe seguinte — “resta esperar / que nos esquecamos / o que um dia / poderia ter acontecido” — desloca o poema da rasura para a espera. A construção “que nos esquecamos” é correta, embora menos comum no uso corrente. A expressão “o que um dia poderia ter acontecido” é vaga, funcionando mais como fórmula de lamento do que como imagem concreta. Ainda assim, mantém o tom introspectivo.

A secção final — “mas quando eu esquecer / os riscos / nao serao sobre ti / mas sim sobre ele / e tanto ou mais / serei infeliz” — introduz uma viragem significativa: o esquecimento não recairá sobre a figura inicial, mas sobre outra entidade (“ele”), cuja identidade não é explicitada. Esta ambiguidade é eficaz, criando uma tensão que amplia o campo emocional do poema. A construção “tanto ou mais / serei infeliz” encerra o texto com uma afirmação de continuidade da dor, embora permaneça num plano literal. A grafia “nao serao” carece de acento (“não serão”).

Do ponto de vista formal, o poema apresenta vários deslizes ortográficos: ausência de acentos em “esperanca”, “á”, “nao”, “passara”, “serao”. A ausência sistemática de maiúsculas é uma escolha estilística possível, mas deve ser consistente com a intenção estética; aqui, reforça o tom abatido, embora reduza a distinção entre elementos estruturais. O ritmo é marcado por versos curtos e por uma cadência fragmentada que reforça a sensação de descontinuidade emocional. O campo semântico é coerente, centrado na rasura, na impossibilidade e na tentativa de esquecimento, embora recorra a imagens já frequentes na lírica contemporânea. A construção metafórica é simples, com a rasura como símbolo central, mas não evolui para maior complexidade simbólica.

O estilo literário enquadra-se na lírica minimalista de desilusão, com traços de confessionalismo fragmentado, marcada pela economia verbal, pela repetição de estruturas e pela utilização de imagens de apagamento como metáfora da perda.

Criado em: Ontem 15:53:24
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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