411. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - Agamenon Troyan.
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De Montemor-o-Novo
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O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de Agamenon Troyan.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.

“ESTOU VOLTANDO...”
(Um conto africano)

Um jovem angolano caminhava solitário pela praia. Parou por alguns instantes para agradecer aos deuses por aquele momento milagroso: o deslumbramento de sua terra natal. O silêncio o fez adormecer em seu âmago, despertando inesperadamente com o bater das ondas sobre as pedras. De repente, surgiram das matas homens estranhos e pálidos que o agarraram e o acorrentaram. Sua coragem e o medo travaram naquele momento uma longa batalha... Ele chamou pelos seus pais e clamou pelo seu Deus. Mas ninguém o ouviu. Subitamente mais e mais rostos estranhos e pálidos se uniram para rirem de sua humilhação. Vendo que não havia saída, o jovem angolano atacou um deles, mas foi impedido por um golpe. Tudo se transformou em trevas...
Um balanço interminável o fez despertar dentro do estômago de uma criatura. Ainda zonzo, ele notou a presença de guerreiros de outras tribos. Todos se demonstraram incrédulos no que estava acontecendo. Seus olhos cheios de medo se indagavam. Passos e risos de seus algozes foram ouvidos acima. Durante a viagem muitos guerreiros morreram, sendo seus corpos lançados ao mar. Dias depois, já em terra firme, o jovem angolano é tratado e vendido como a um animal. Com o coração cheio de “banzo” Ele e outros negros foram levados para um engenho bem longe dali. Foram recebidos pelo proprietário (senhor do engenho) e pelo feitor que, com o estalar do seu chicote não precisou expressar uma só palavra. Um dia, em meio ao trabalho, o jovem angolano fugiu. Mas não foi muito longe, pois fora capturado por um capitão do mato. Como castigo foi levado ao tronco onde recebeu não duas, mas cinqüenta chibatadas. Seu sangue se uniu ao solo bastardo que não o viu nascer.
Os anos se passaram, mas a sua sede por liberdade era insaciável. Várias vezes foi testemunha dos maus tratos que o senhor aplicava sobre as negras, obrigando-as a se entregarem. Quando uma recusava era imediatamente açoitada pelo seu atrevimento. A Sinhá, desonrada, vingava-se sobre uma delas, mandando que cortassem-lhe os mamilos para que não pudesse aleitar... O jovem angolano não suportando mais aquilo fugiu novamente. No meio do caminho encontrou outros negros fugidos que o conduziram ao topo de uma colina onde uma aldeia fortificada – um quilombo –, estava sendo mantida e protegida por escravos.
Ali ele aprendeu a manejar armas e, principalmente a ensinar as crianças o valor da cultura africana. Também foi ali que conheceu a sua esposa, a mãe de seu filho. Com o menino nos braços, ele o ergue diante as estrelas mostrando-o a Olorum, o deus supremo... Surgem novos rostos estranhos e pálidos, mas de coração puro, os abolicionistas. Eram pessoas que há anos vinham lutando pelo fim do cativeiro. Suas pressões surtiram efeito. Leis começaram a vigorar, embora lentamente, para o fim da escravatura: A Lei Eusébio de Queiroz; A do Ventre-Livre, A do Sexagenário e, finalmente a Lei Áurea. A juventude se foi. O velho angolano agora observa seus netos correndo livremente pelos campos. Aprenderam com o pai a zelarem pelas velhas tradições e andarem de cabeça erguida. Um dia o velho ouviu o clamor do seu coração: com dificuldade, caminhou solitário até a praia. Olhou compenetrado para o horizonte. Agora podia ouvir as vozes de seus pais e avós sendo trazidas pelas ondas do mar. A noite caiu cobrindo o velho angolano com o seu manto... Os tambores se calaram... No coração do silêncio, suas palavras lentamente ecoaram: “Estou voltando... Estou voltando”.

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O conto apresenta-se como uma narrativa de matriz histórica, construída em torno da experiência de um jovem angolano capturado e escravizado, seguindo um arco que vai da violência inicial ao reencontro simbólico com a ancestralidade. A estrutura é linear, com progressão cronológica clara, e o texto recorre a imagens fortes para transmitir a brutalidade da escravatura e a persistência da memória cultural africana. A ortografia é, no geral, correta, embora haja pequenas questões: “cinqüenta” corresponde à grafia anterior ao Acordo Ortográfico; “banzo” aparece corretamente destacado, mas o uso de maiúscula em “Ele” após vírgula é incorreto; “compenetrado” está correto, mas a frase poderia beneficiar de uma pausa mais marcada. Apesar disso, o texto mantém fluidez e coerência narrativa.

A abertura — “Um jovem angolano caminhava solitário pela praia. Parou por alguns instantes para agradecer aos deuses por aquele momento milagroso: o deslumbramento de sua terra natal.” — estabelece um contraste entre serenidade e violência iminente. A descrição inicial cria um ambiente contemplativo, rapidamente interrompido pela chegada dos “homens estranhos e pálidos”, cuja caracterização reforça a perspectiva africana da narrativa. A captura é descrita com intensidade, mas sem recurso a grafismo excessivo, mantendo o foco na experiência emocional do protagonista.

A secção que descreve a travessia — “Um balanço interminável o fez despertar dentro do estômago de uma criatura.” — utiliza metáfora eficaz para representar o navio negreiro. A imagem do “estômago” sugere digestão, aprisionamento e desumanização. A presença de guerreiros de outras tribos reforça a dimensão coletiva da tragédia, e a morte de muitos durante a viagem é narrada com sobriedade, sem dramatização gratuita.

A chegada ao engenho e a descrição dos castigos — “Como castigo foi levado ao tronco onde recebeu não duas, mas cinquenta chibatadas.” — mantém o tom documental. A violência é apresentada como parte de um sistema, não como espetáculo. A narrativa inclui elementos históricos reconhecíveis: o feitor, o capitão do mato, a dinâmica de poder entre senhor, escravas e Sinhá. A passagem em que se descreve a mutilação das negras é particularmente dura, mas tratada com seriedade, sem exploração sensacionalista.

A fuga e o encontro com o quilombo introduzem mudança de tom. A aldeia fortificada surge como espaço de resistência, aprendizagem e reconstrução identitária. A transmissão da cultura africana às crianças reforça a dimensão comunitária e pedagógica do conto. A introdução dos abolicionistas — “rostos estranhos e pálidos, mas de coração puro” — cria contraste com os primeiros capturadores, embora a expressão possa parecer simplificadora; ainda assim, funciona dentro da lógica simbólica da narrativa.

A enumeração das leis abolicionistas insere o conto num contexto histórico concreto, aproximando-o de uma narrativa de memória. A velhice do protagonista e o reencontro simbólico com o mar — “Agora podia ouvir as vozes de seus pais e avós sendo trazidas pelas ondas do mar.” — fecham o arco narrativo com coerência. O retorno não é físico, mas espiritual, e a frase final — “Estou voltando... Estou voltando.” — funciona como eco ritual, ligando início e fim.

O texto inscreve-se num estilo de conto histórico‑memorialista, com elementos de narrativa tradicional africana, sobretudo na relação com os deuses, com a ancestralidade e com o mar como mediador entre mundos. A força do conto reside na progressão clara, na sobriedade com que trata a violência e na construção de um arco que vai da perda à recuperação simbólica da identidade. As fragilidades são pontuais, sobretudo na pontuação e em algumas escolhas lexicais que poderiam ser mais precisas, mas não comprometem a unidade estética. O conjunto apresenta densidade temática e respeito pela dimensão histórica e cultural que evoca.

Criado em: Hoje 7:34:57
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A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma
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