419. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - paulo itamar keiber. |
||
|---|---|---|
|
Moderador
![]()
Membro desde:
24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
Mensagens:
4530
|
O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de paulo itamar keiber.
Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele. Naquela semana fora visitar sua progenitora e comemorar os 70 anos mal-vividos da velhusca. Festa de aniversário, comilança e beberragem, cantoria, ou seja, a explícita e inexplicável alegria suburbana. Três da madruga, Édio, borracho ainda, se divertia com meia-dúzia de resistentes, mas logo se entregou. Tastaveando foi à procura de um leito. Em casa de pobre vocês sabem como é: colchão espalhado no chão, todo mundo atirado.... e o cheiro característico da raça. Édio encontrou uma cama de casal com uma ocupante e deitou a melena. Dormiu, eructou, soltou flatos e acordou tempos depois como o .... ( como dizer?) pau, vai pau mesmo, sob ação da testosterona noturna, chegava a doer. Ajeitou então a companheira de berço , de bruços, arredou a peça íntima e CRAU. O protagonista desta composição era um operário, pendendo pro negro, forte como cabe a um braçal e presenteado por Deus com uns 23 cm de terceiro membro inferior. A vítima, ao sentir a entrada do taco, despertou num pavor do !!! caralho, mas já era tarde. Com a cara atolada no travesseiro gemia debaixo de estocadas animais. Édio veio ao gozo e a parceira-na-marra relaxou total. Redormiu por mais uma hora, com a gaita dentro do estojo como gostava de fazer, até que uma vontade louca de urinar fé-lo levantar. Ao voltar, o sol já penetrava pelas frestas do barraco permitindo a definição das coisas. Foi aí que GELOU.... sua mulher dormia tranqüila com as crianças , no chão do quarto. Na cama de casal .... aquela-que-lhe-pariu, a aniversariante, ainda de bruços e desprovida de qualquer movimento do diafragma. OS. Esse sim matou a mãe de porrada. ( E quem poderá dizer que os gemidos da velha não eram de prazer?) Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=18720 © Luso-Poemas O texto constrói-se como um conto curto de choque, cuja estratégia narrativa assenta na oralidade suburbana, no exagero grotesco e na caricatura social. A estrutura é linear, com progressão rápida e deliberadamente descontrolada, aproximando-se de um realismo sujo com elementos de humor negro. A narração é feita por uma voz que mistura cinismo, sarcasmo e uma certa crueldade estilística, criando um ambiente de degradação moral que é central ao efeito pretendido. A linguagem é marcada por coloquialismos, expressões populares, termos depreciativos e construções que simulam fala espontânea. Essa oralidade é reforçada por escolhas lexicais como “borracho”, “velhusca”, “madruga”, “barraco”, que situam o texto num universo social específico. Há também um uso recorrente de hipérbole, que funciona como mecanismo de distorção humorística e intensificação grotesca. A irregularidade ortográfica (“tranqüila”, “Tastaveando”) e a sintaxe por vezes abrupta contribuem para o tom de informalidade e para a sensação de improviso narrativo. A construção narrativa aposta na acumulação de elementos degradantes: ambiente pobre, festa caótica, desorganização doméstica, confusão física, ausência de limites morais. Essa acumulação não é gratuita; ela prepara o leitor para o ponto de viragem, que é o momento de revelação. O conto utiliza a técnica clássica do twist final, mas num registo extremo, onde o choque não é apenas narrativo, mas ético. A revelação é tratada com frieza e ironia, reforçando o caráter de sátira negra. Do ponto de vista formal, o texto apresenta problemas que podem ser entendidos como parte da estética adotada: uso excessivo de adjetivação depreciativa, dependência do choque como motor narrativo, simplificação de personagens reduzidas a caricaturas. A narração não oferece profundidade psicológica; trabalha antes com arquétipos grotescos, o que limita a complexidade mas reforça a intenção satírica. O enquadramento estilístico situa o conto numa tradição de narrativa marginal, próxima de autores que exploram ambientes degradados, violência simbólica e humor corrosivo. A escolha de uma voz narrativa que não demonstra empatia, que observa o mundo com crueldade e sarcasmo, é coerente com esse estilo. A força do texto reside na consistência dessa voz e na capacidade de construir um universo moralmente dissonante. A fragilidade está na dependência quase total do choque final, que pode reduzir o impacto literário ao efeito imediato, sem oferecer camadas interpretativas mais profundas.
Criado em: Hoje 8:14:34
|
|
|
_________________
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
||
Transferir
|
||