514. A Crítica Poética segundo a Inteligência Artificial - specialwoman1. |
||
|---|---|---|
|
Moderador
![]()
Membro desde:
24/12/2006 19:19 De Montemor-o-Novo
Mensagens:
4664
|
O texto que se segue foi o primeiro do Luso-Poemas (pelo menos o primeiro a constar das listas), de specialwoman1. Vamos ver o que nos diz a Inteligência Artificial acerca dele.
Ser Poeta É pensar diferente É saber transmitir Os sentimentos, a vida Tudo de uma forma quente. É ter o dom de nos fazer rir De nos fazer chorar E, por que não? Também de nos fazer corar. Ser Poeta É viver cada palavra escrita Como se verdade fosse É retirar do dom da Vida Palavras amargas E também as muito doces. Ser Poeta É escrever de Amor Quando na realidade Estamos lamentando Nosso próprio desamor. Ser Poeta É realizar fantasias De muitos que têm medo De para fora as colocarem Então em nossos pensamentos As vivenciamos em vossos lugares. Ser Poeta É muitas vezes , o Não Ser Fazer de palavras tristes Uma poesia nascer. Ser Poeta É em grande parte Passar à vida numa luta inglória Pois poucos são os Poetas Que fazem sua estória. Ser Poeta É ter um alma sensível Saber poetar até O que parecia impossível. Ser Poeta É saber fazer De nossa vida uma Poesia Sem que caiamos Em uma terrível monotonia. Ser Poeta É saber reagir diferente Mesmo quando nos xingam E magoam tanto à gente. Ser Poeta De fato , não é fácil não Tem-se que entender De rima Simetria E metrificação. Vendo assim por este prisma Tenho nada de Poeta não. Apenas jogo para fora Sentimentos que teimam Em não ir embora. Creio que faço antipoesia Por pura paixão Mas nunca vou deixar De escrever meus sentimentos não. Ser Poeta É meio sem definição Pois nem todos que escrevem Sabem ser Poetas não... Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=22316 © Luso-Poemas O texto propõe-se definir a figura do poeta através de uma sucessão de afirmações que oscilam entre a descrição idealizada da atividade poética e a relativização dessa mesma definição. A estrutura assenta quase integralmente na repetição anafórica de “Ser Poeta”, recurso que funciona como elemento organizador e confere unidade ao discurso. Essa repetição produz um efeito de enumeração reflexiva, como se cada estrofe acrescentasse uma nova camada ao conceito central. A composição aproxima-se mais da poesia de reflexão do que da poesia imagética, privilegiando a exposição de ideias em detrimento da construção de metáforas complexas. A nível gramatical e ortográfico, o texto apresenta algumas incorreções que merecem revisão. A vírgula em “É muitas vezes , o Não Ser” está incorretamente colocada, devendo surgir sem espaço precedente. Na expressão “Tem-se que entender / De rima / Simetria / E metrificação”, a enumeração beneficiaria de vírgulas para reforçar a clareza sintática. O verso “Que fazem sua estória” transporta uma questão normativa: embora “estória” seja uma forma registada, a norma contemporânea privilegia geralmente “história” para este contexto. Existem ainda oscilações no uso de maiúsculas, como em “Vida”, “Amor” ou “Poeta”, que parecem decorrer de uma intenção enfática mais do que de necessidade gramatical. Não constituem erro, mas criam alguma irregularidade gráfica. Do ponto de vista estilístico, o texto trabalha sobretudo com definições sucessivas. A figura do poeta surge associada à capacidade de sentir, emocionar, fingir, sonhar, sofrer e transformar experiências em linguagem. Esta construção coloca-se numa tradição romântica e pós-romântica da poesia, onde o poeta é entendido como intérprete privilegiado da condição humana. A estrofe “É escrever de Amor / Quando na realidade / Estamos lamentando / Nosso próprio desamor” é uma das mais interessantes do conjunto porque introduz uma contradição produtiva entre aquilo que se escreve e aquilo que efetivamente se vive. Nesse momento, o poema afasta-se da enumeração descritiva e aproxima-se de uma reflexão mais profunda sobre a criação poética. O texto revela também um traço metapoético evidente. Não se limita a escrever poesia; procura discutir o que significa ser poeta. Essa dimensão reflexiva atinge o seu ponto mais forte quando a voz questiona a própria pertença ao universo da poesia: “Tenho nada de Poeta não. / Apenas jogo para fora / Sentimentos que teimam / Em não ir embora.” Aqui surge uma tensão interessante entre exigência técnica e impulso emocional. O sujeito reconhece a importância da rima, da simetria e da metrificação, mas simultaneamente reduz a escrita a uma necessidade de expressão. Esta ambivalência confere alguma autenticidade ao discurso. Uma fragilidade recorrente é a tendência para a formulação genérica. Muitos versos apresentam ideias amplamente difundidas acerca da poesia — o poeta como alguém que faz rir, chorar, amar ou sonhar — sem lhes acrescentar uma perspetiva particularmente singular. A repetição contínua da estrutura “Ser Poeta é...” garante coesão, mas também produz alguma previsibilidade ao longo da leitura. Em vários momentos, a composição aproxima-se mais de uma declaração de princípios do que de uma experiência poética concretamente dramatizada. Em termos literários, o texto enquadra-se na poesia metapoética de inspiração lírico-reflexiva, com evidentes aproximações à tradição romântica popular e à poesia de caráter confessional. A sua principal preocupação não é a experimentação formal nem a inovação imagética, mas antes a definição do papel do poeta e da relação entre sentimento e escrita. A composição possui coerência temática e uma intenção reflexiva clara, embora beneficiasse de maior rigor formal e de uma exploração mais individualizada das imagens para alcançar maior densidade literária.
Criado em: Hoje 9:20:02
|
|
|
_________________
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma |
||
Transferir
|
||