O café coado espera na mesa,
a torrada que é fruto do pão,
conta-se dinheiro para pagar despesa,
a poeira dorme na rachadura do chão.
Procuramos a caneta que estava na mão,
a meia sem par que sobrou da lavagem,
o barulho do trânsito da multidão,
o carro negro pede passagem.
Uma lista de compras dobrada no bolso,
à chave: o que custa girar?
A criança cutuca o moço,
a lâmpada fraca pisca naquele lar.
Sem grandes mistérios, tragédias ou glória,
o dia se escorre no ritmo normal.
É num pedacinho de tudo que se faz a história,
feita de detalhes do que é trivial.