Acena-me de novo
aquele olhar que suspendi no tempo.
Nada me resgatará das palavras omissas
eu sei
hoje sei
de asas que envelhecem.
Mas deixa-me reajustar a palavra e reinventar
o tempo
deixa-me seguir o verso
ainda que seja um murmúrio da água que me pousa nas mãos
ou o nada que resta dentro dos nomes em que me desdobrei.
Sobro-me num corpo translúcido
perfil de árvore
a guardar silêncios debaixo da pele.
O tempo a ser
às vezes
uma luz fragmentada
frágil
por dentro do silêncio.
Recolho a flor
na cicatrização da luz
num mundo atravessado por portas fechadas
e espaços em branco.
E as sílabas a serem interrompidas no interior do olhar.
Irreversivelmente.