Poemas : 

O Tejo parado

 
 



Existem esferas
rolando os olhos,
reclamando as dores
do céu.

Roçando
a tristeza-rocha,
ralhando a mágoa
afogada
entre marés altas
e o grito
torcido e tosco.

Ai,
donzela
do gelo de agosto,
congela
o gosto
de um beijo
pendente de sopro.

Afasta o sonho
com os árticos
vocábulos.

Chama-me nomes
porcos e malcriados.

Insulta-me
com silêncios presentes,
com vozes de gente.

Chega de ausências doces
e murmúrios brandos,
inaudíveis no canto
dos lábios.

Não posso mais
carregar
um corpo estranho,
uma espécie de areal
emigrado,
longe dos ventos marinhos
do teu dorso,
afastado
dos teus braços
ondulados
de mar.


 
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dor
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