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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
2/6/2008 9:23
De Lisboa (arredores)
Mensagens: 1082
pequenas livrarias
reabrem

pequenos bairros
florescem

pequenos nadas
multiplicam-se

pequenos cantores
riem

pequenos haicais
fazem uma estação

pequenos poemas
caem

pequenas existências
divinizam-se

pequenos sorrisos
convergem

até tolstoi
começou tudo
com uma pequena
frase

Criado em: 22/2/2012 9:48
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Carlos Teixeira Luis

http://carlosteixeiraluis.blogspot.com

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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
2/6/2008 9:23
De Lisboa (arredores)
Mensagens: 1082
Faz um poema
Escreve um poema
Escreve 1000 poemas ridículos
verdadeiramente naif
amorosos e ingénuos
com frases gastas
repetitivas
de puro enfado
acriançados
niilistas
religiosos e com
nuances espirituais
desolados
criminosos
poemas sexistas machistas e racistas
com voyeurismo
destituídos de humanismo
adolescentes
virados para os umbigos
cheios de nada
ou de sangue e vísceras
e mesmo que ninguém
leia
ou que toda a gente
leia o poema
e isso nunca aconteceu
nada significa
o mundo fica
tal e qual
melhor seria
fazeres pão
fazeres amor
com a pessoa que amas
ou te sentes bem
passear o cão
pintar uma tela
beber uma cerveja
pregar boas novas
cantar uma canção
adoptar um mendigo
conversar com um velho
pintar uma casa
ir trabalhar
fazer as camas de lavado
engraxar os sapatos
comprar flores
fazer uma omolete
limpar a rua de folhas mortas
observar os outros
beber duas cervejas
ir assistir a um enterro
olhar as estrelas
orar a Deus
fabricar estantes
fazer bolos
comer um gelado
dormir uma sesta
e depois
faz um poema




Criado em: 22/2/2012 11:06
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Carlos Teixeira Luis

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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
8/9/2009 17:29
De Lisboa
Mensagens: 2600
saí hoje para a rua
desolada
não tinha nada
que me levasse
a criar algo
de novo

talvez um pensamento
talvez uma só palavra
que se elevasse
num só poema
ímpar
bem conseguido
mas nada

nem mesmo
os meus sentidos
se abriram
para este nada
que me fez hoje sair para a rua

a mesma rua
que me conhece
quando saio sozinha
ou acompanhada

a mesma rua
que se expõe ao dia novo
que principia
e sempre acaba
nos braços da noite

e eu sem saber como
começo a saber-me
mais do que um simples nada

ando e desando
por todos os becos escuros
na tentativa
de encontrar uma nova rua
sempre a tempo de me fazer
criar algo

talvez um sorriso
talvez um olhar novo
talvez uma sombra
talvez o inverso de mim
talvez o desejo
de me encontrar
em outras ruas
e conhecê-las
tal como elas me conhecem a mim
sempre que saio
sozinha ou acompanhada





Criado em: 22/2/2012 12:01
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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
2/6/2008 9:23
De Lisboa (arredores)
Mensagens: 1082
e agora
e agora

continuam vós
a ode eterna

o meu grato
sentimento

o meu sincero
obrigado

Criado em: 22/2/2012 12:02
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Carlos Teixeira Luis

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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
15/10/2010 15:46
De Rio de Janeiro
Mensagens: 4453


Grande é a formosura
Dos raios do sol nascendo
Grande é minha ventura
De sentir ver acontecendo

Grande é a minha pulsão
Sinto meu coração acelerando
No alto da minha colina
Percebo a vida doando se

Presa nesse encantamento
A gente capta a gente recebe
A energia do universo
Uma tempestade de ternura

E sem a mínima hesitação
Abraça este instante mágico
Que nos oferece tanta paz
É iluminação... intimidade

Suave inspiração...






Criado em: 22/2/2012 17:12
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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
2/6/2008 9:23
De Lisboa (arredores)
Mensagens: 1082
Também gosto dos poetas
que não são metafóricos

que olham nos olhos da
realidade e dizem o que

lá encontram sem filtros
há uma poesia abrupta vil

nisso mesmo Gosto dos
poetas assim rudes vis

por detrás os poetas não
são como a sua poesia mas

confundimos as coisas e
um poema tosco e em bruto

associamos a um grunho
em pessoa e enganamo-nos

esta poesia para mim é
pessoal faz-me lembrar

pessoas da família que já
morreram e que contavam

histórias das suas fatalidades
entre um copo de vinho e um

pedaço de queijo e sorriam
felizes e nunca percebi porquê

percebo agora lendo os poetas
rudes também eles felizes por

terem histórias fatais a contar
em poemas de soco na barriga

e felizes por terem sobrevivido
a dias sem nenhuma doce poesia

Gosto de poetas assim rudes vis
exatamente como o bairro onde

vivi por vinte e cinco anos e
onde as velhas que passam se

confundem com as oliveiras
centenárias e por isso belas

não tarda serei um velho desses
e rirei contando as mesmas vis

histórias com um copo de vinho
e um pedaço de queijo de cabra

como as estórias do meu falecido
tio nos arredores de Versailles

e do meu falecido pai seu irmão
entre um filme de Ford e a cama

Gosto de pensar nestes poetas
estes conheci-os e estão dentro

de mim Um dia as histórias vis
vão sair cá para fora e rirão

dos dias passados de boca em
boca de quem as vilmente contou


Criado em: 23/2/2012 9:31
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Carlos Teixeira Luis

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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
15/10/2010 15:46
De Rio de Janeiro
Mensagens: 4453

Existem dias
Que são como ruas
Desconhecidas

Rumam sem tino
Ou destino qualquer

Um oásis de estrelas
Um mar de ternura
Um abraço sem fim

É muito gratificante
Trilhar estes dias ruas...

A vida é assim
Dias muitas ruas
Sensações sentimentos idéias

Fatos são contingências
Passam desvanecem

Os baques e os descaminhos
Acontecem nas ruas e
Nos becos sem saída...

Mas,

A caminhada continua
Os dias vivem... ruas do tempo





Criado em: 23/2/2012 12:07
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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
2/6/2008 9:23
De Lisboa (arredores)
Mensagens: 1082
O livro é uma casa e um monte
e o que se faz a uma casa e a um monte
senão habitar esse lugar e viver por lá.

Mas o livro tinha 90 anos e problemas de
articulações. Doía-lhe os joelhos e a coluna
quando se dobrava. Um lugar já antigo e

com problemas de envelhecimento.
O livro é uma casa arrendada sempre
a novos leitores que não param de a

subverter, lendo-a sem parar e interpretando-a
de diversas maneiras. O livro é uma casa
e um monte sempre perto e nem sempre alcançável.

Criado em: 23/2/2012 16:57
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Carlos Teixeira Luis

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Re: Faz um poema
Colaborador
Membro desde:
2/6/2008 9:23
De Lisboa (arredores)
Mensagens: 1082
Um velho velho automóvel
descoberto sem portas nada
que o distinga duma ruína memorial

ford capri de muitos anos abandonado
testemunha consentida duma era de utopia
que já passou dentro os ratos coabitam

procriam entre ervas verdes e húmidas de mau cheiro
ratos multiplicam-se viscosos e de olhares furtivos
ratos crescem como texugos Um velho automóvel

parado por séculos se o século for medido em tempo de rato
ecossistema de improviso na cidade velha deserta de gente e
ruídos apenas a comunidade multiplicada de ratos de urbe

Deixemos os ratos estes vivem no seu mundo de
sobrevivência no meio do lixo no meio da leptospirose
que aos ratos não afecta Ratos não têm a culpa

não nasceram católicos nem têm inquisição de ratos
Bichos que vivem e alimentam seus filhotes O lixo
é humano O lixo é invenção humana Talvez

invenção do Diabo em conjunto Os homens
aceitam tudo do Diabo e algumas coisas de
Deus Os ratos bem que podiam correr pelos

campos se não fosse a salada suja e gorda que
é uma cidade E os gatos engordariam selvagens
de território dividido Várias criaturas concorrem

a dividir o mundo Ratos e Baratas e várias Bactérias
estão a ganhar O pobre humano a perder Voltemos
aos ratos então A comunidade que vive no velho ford

capri floresce e invade a cidade pela porta fácil
um condomínio fechado de luxo Nem vos digo
nem vos conto o que sucedeu a seguir

Criado em: 24/2/2012 9:13
_________________
Carlos Teixeira Luis

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Re: Faz um poema
Da casa!
Membro desde:
25/8/2011 19:18
De santamariadafeira.pt
Mensagens: 420
(equinvocação deixística pelo amor)


o amor é um equívoco
de grande a imenso
é intensamente desmesurado
sem limites
fora de qualquer prazo

é uma pedra de tropeço
no meio do caminho
é uma virtualidade sem fios
que nos prende os movimentos
e nos põe em desvarios

é uma fútil dispensa
que nos obriga na demanda
de uma luz que nunca vimos
e julgamos que vemos
em cada olhar que transcendemos

enfim o amor
não é condição nem é opção
nem é vontade nem imposição
é uma deixa esquisita
que eu deixo pela escrita

(se um dia
for poeta e amor poesia)


Criado em: 24/2/2012 10:53
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