o que há de errado com este poema? |
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fiz esse poema agora há pouco,
mas algo nele me incomoda. não sei se é a forma ou o conteúdo, mas tem alguma coisa que está me dando uma certa, digamos, agonia. poeta maldito, eu? (3/6/2012) não tenho vocação pra poeta maldito ainda há precisão - e mesmo bonito é - de aceitar no pão e aquiescer no café alguém pode me ajudar? caio
Criado em: 4/6/2012 0:16
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Re: o que há de errado com este poema? |
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Para ter alguma lógica, o que nem sempre é original seria:
não tenho vocação para poeta maldito mas ainda há precisão e mesmo bonito é - roer o duro pão e entornar café
Criado em: 4/6/2012 0:27
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RoqueSilveira |
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Re: o que há de errado com este poema? |
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deixo-te outra leitura, ou agonia, Poeta
poeta maldito? Eu, que o seja, e aquiescer no café, de aceitar no pão, seja, e mesmo bonito é - para poeta maldito, vocação não tenho, seja a invocação que resiste, ainda há precisão - poeta maldito? Eu, que o seja. Na minha opinião a palavra “aquiescer”, transforma o texto. Considero-a numa primeira leitura bastante forte, porque não colocá-la logo no principio? A composição é outra das leituras possíveis, que varia entre o ser e o não ser (universo Shakespeariano que seja) como se a dúvida persistisse para quem lê, não para quem escreveu, daí a repetição da palavra “seja” como interjeição “ De acordo, vá, faça-se “ como reforço do “poeta maldito”. Uma nota final, porque dar título ao texto e não fazer com que ele funcione como o ínicio do mesmo? Obrigado. Abraço-te ("A Eternidade" "De novo me invade. Quem? – A Eternidade. É o mar que se vai Como o sol que cai. ... Lá não há esperança E não há futuro. Ciência e paciência, Suplício seguro. De novo me invade. Quem? – A Eternidade. É o mar que se vai Com o sol que cai." lembrei-me de Arthur Rimbaud neste texto, onde ele repete o inicio do texto, no fim)
Criado em: 4/6/2012 6:13
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Vim cá outra vez, rss
penso que o título diria uma nova leitura e tiraria a dúvida que agora vejo, mas o poema deixaria de ser um desafio título amargo/doce
Criado em: 4/6/2012 8:02
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Re: o que há de errado com este poema? |
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passei rapidamente pra dizer umas duas coisas sobre o poema.
depois eu venho aqui com mais calma comentar as intervenções, que gostei muito (principalmente a do Transversal, que me deixou de queixo caído). a minha intenção no poema foi dizer que o eu-lírico não tem vocação para poeta maldito, porque ele gosta de seguir regras e rotinas, ou seja, aceita, aquiesce. tento falar da rotina ao usar as palavras pão e café. foi isso ![]() muito obrigado a vocês dois, Roque e Transversal, e prometo que volto aqui pra falar. um abraço em vocês!
Criado em: 4/6/2012 9:28
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muito interessante este exercício que nos propuseste; gostei muito da tua explicação e também da do transversal.
não acertei mas não faz mal, talvez para a próxima ![]() beijo
Criado em: 4/6/2012 9:54
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Nunca intervenho no poema do outro mas deixo aqui a minha opinião - não me parece mal o poema. Há poemas que precisam de tempo para se instalarem e por vezes ajeitamos o poema no seguinte. Isto de se fazer poemas é algo estranho que vem das entranhas.
A propósito do poeta maldito e do excelente comentário do Transversal eu aproveitava a deixa e lia ou relia Rimbaud de preferência numa edição bilingue mesmo que o francês não seja do teu agrado ou não tenhas tido formação escolar, por causa da musicalidade da poesia única do chamado poeta maldito adolescente pois deixou escrever aos 19 mas na altura não havia adolescentes, foi uma "invenção" posterior. Os homens passavam de criança a adulto bem cedo por força da vida e sempre achei a poesia de Rimbaud bem adulta num certo sentido de maturidade poética. Voltando ao poema - nada a dizer, no entanto achas que falta algo ou que algo está fora do lugar - porque não o "corriges" continuando-o? Por exemplo... Nada de me meter no meio do processo criativo - uma regra que gosto de cumprir. Um grande abraço e vai mostrando as tuas "correções", chamando assim.
Criado em: 4/6/2012 11:23
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Luso de Ouro
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Chamou-me atenção no teu poema, Caíto, a mistura de registros. Refiro-me, primeiramente, à palavra “precisão” que no poema em questão possui o significado de necessidade. Aliás, este, ao meu ver, é um registro oriundo da linguagem popular falada aqui no Brasil, especialmente na região nordeste. Ademais, não sei se foi tua intenção, o poema possui uma verve bem nordestina. Em segundo lugar, aparece o verbo “aquiescer”, palavra que costuma habitar um registro mais clássico e culto da língua portuguesa, daí a mistura de registros. Noto, aliás, que esta mistura de tons e registros, ou seja, a união, através do discurso poético, do português popular, brasileiro e nordestino com um registro da língua mais culto e normativo, é algo que você persegue nos teus poemas. Algo, por sinal, bastante difícil de fazer, mas que você tem conseguido realizar com algum êxito. Meu incentivo é o de que você continue a buscar isto. Penso que dessa mistura bem tropical de linguagens pode sair coisa muito boa. Grande abraço.
Criado em: 4/6/2012 21:10
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Re: o que há de errado com este poema? |
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Voltei aqui quase incógnito, para te deixar mais alguma coisa, mas, sobre a marginalidade da poesia, poetas malditos no Brasil.
Aqui há uns tempos debrucei-me sobre essa realidade, poesia marginal, poetas marginais, e fiquei atónito (se é esta a palavra que posso escolher) com a riqueza do Brasil. A poesia marginal no Brasil é algo de festa, sarau, o poeta é o taxista, o rapper, o pobre, o que não é doutorado, apontadores do jogo do bicho, inclusivamente o poeta. A poesia marginal no Brasil tem algo que, a nós europeus, pelo menos a mim, nos fascina por ser diferente, a musica, a arte, a dança, populares. Desde o bumba meu boi à capoeira, porque estamos a falar de urbanidade, sub-urbanidade, favela, comunidade, marginalidade,etc. E é nesta riqueza Poeta por onde, em minha opinião deves iniciar a pesquisa, (uma outra agonia) aumentando o conhecimento sobre os poetas malditos, marginais. É óbvio, como diz o poeta Carlos Teixeira Luís que para se entender os poetas malditos é melhor ler na língua mãe, no caso de Rimbaud em françês, por causa da musicalidade das palavras, mas Caio, pelo Brasil encontras-los, com temas muito mais ligados a esta realidade que há europeia, e tenho a certeza de que irás gostar. Uma linguagem tão diferente, uma realidade diferente, algo de tão puro, duro, sofrido, e que passa ao largo das editoras (a poesia é assim mesmo, não dá lucro, só se for algum nome muitissimo conhecido). Deixo-te aqui um vídeo de poesia maldita/marginal em todos os seus aspectos, uma celebração que, sem dúvida, eu adorei. http://www.youtube.com/watch?v=7FyCf1CrFcI Deixo-te também o link para um texto, “Literatura marginal”:os escritores da periferia entram em cena, de 2006, onde poderás ler mais sobre o assunto, e onde, a meu ver os pontos principais do poeta marginal no Brasil estão consignados, pelo menos históricamente: http://www.edicoestoro.net/attachment ... %20ENTRAM%20EM%20CENA.pdf São a meu ver momentos deliciosos, jamais agonias. “Queria ser homem de terno Deu teco a noite inteira e ainda estava a fim. No seu coração ribanceira, uma pedra a rolar tim-tim por tim-tim; Partiu pro trabalho e nem sequer dormiu, só se lembrava do brilho na favela do brilho reluzente daquele fuzil. Desde cedo, mão-de-obra desqualificada, tudo lhe desesperava. Aquele salário raso, que não dava pra nada, no seu ódio se fez engasgo. E se lembrava da educação garapa Que recebeu do Estado. Tudo lhe ardia: lâmina e faca. Sacou da mochila, do trabalho partiu. Foi pro coração da favela Pra São Jorge, sua mãe, acendeu uma vela. No asfalto era o mau. Atirou, roubou, matou, traficou. Aos 15, seu conceito subiu. Aos 17, fuzilado na favela, na mala do Robocop saiu. Distante agora do mundo incolor, achou o fundo do valão como cama, e a lama o seu cobertor.” (Edson Veóca, “Descaso, o cerol do gueto”, p. 14) Obrigado. Abraço-te
Criado em: 5/6/2012 4:41
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